Tropas do Paquistão e do Afeganistão entram em confronto; ONU diz que 42 civis afegãos foram mortos
Islamabad lançou mísseis ar-terra contra instalações militares do Taliban na semana passada e atacou diretamente o governo Talibã

Reuters
Tropas paquistanesas e afegãs entraram em confronto em vários pontos ao longo da extensa fronteira entre os dois países nesta terça-feira (3), enquanto a missão das Nações Unidas para o Afeganistão alertou que 42 civis no país foram mortos até agora no conflito que já dura seis dias.
Os países do sul da Ásia, que se tornaram inimigos, travaram os piores combates dos últimos anos após ataques aéreos paquistaneses a grandes cidades afegãs na semana passada, aumentando os temores de outro conflito prolongado em uma região que também enfrenta ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.
Islamabad lançou mísseis ar-terra contra instalações militares do Talibã na semana passada e até mesmo atacou diretamente o governo Talibã em ataques contínuos e sem precedentes, sob a alegação de que ele abriga militantes que executam ataques contra o Paquistão a partir de seu território. O Taliban negou ter ajudado grupos militantes.
O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, disse nesta terça-feira que ataques aéreos bem-sucedidos foram realizados na base aérea de Bagram, ao norte de Cabul, que serviu como um importante centro de comando norte-americano durante os 20 anos de guerra no Afeganistão.
"Tínhamos informações de que havia munições e equipamentos críticos sendo usados por terroristas para combater o Exército paquistanês ao longo da fronteira, bem como pelas tropas talibãs afegãs", disse Tarar à Reuters, no primeiro reconhecimento oficial paquistanês dos ataques.
A polícia afegã disse no domingo que o ataque a Bagram foi repelido por armas antiaéreas.
Uma fonte graduada de segurança do Paquistão disse que os ataques aéreos continuariam até que o Afeganistão tomasse medidas concretas para lidar com os militantes que usavam seu território.
Se tais medidas não forem tomadas, o Paquistão pode ter como alvo a alta liderança do Talibã, disse a fonte.
(Reportagem de Mohammad Yunus Yawar, em Cabul; Saad Sayeed, em Bangcoc, e Asif Shahzad, em Islamabad)








