Exposição no Senado homenageia bebês sobreviventes de campo de concentração nazista
Sete mulheres grávidas conseguiram dar à luz em Dachau, na Alemanha; George Legmann, uma das crianças, vive no Brasil desde 1961


SBT News
O Senado Federal abre nesta terça-feira (3), às 15h, uma exposição inédita sobre o Holocausto que resgata a história dos sete bebês nascidos no campo de concentração de Dachau, na Alemanha nazista, em 1944. A mostra acontece no Salão Negro do Congresso Nacional.
Intitulado "Eles nos deram esperança de novo – gravidez e nascimento no subcampo Kaugering 1 Dachau", o evento também presta homenagem a George Legmann, hoje com 80 anos, um dos sete bebês que nasceram dentro do campo nazista e sobreviveram. Legmann vive no Brasil desde 1961, quando sua família deixou a Europa no pós-guerra.

A exposição destaca um episódio considerado único na história do Holocausto: sete mulheres grávidas conseguiram dar à luz dentro do subcampo de Kaufering, complexo ligado a Dachau, no sul da Alemanha. Em um contexto marcado pelo extermínio sistemático promovido pelo regime nazista, a sobrevivência desses bebês representou um símbolo de resistência e esperança.
De acordo com o relato de Legmann, um médico do campo identificou que sete prisioneiras estavam grávidas e solicitou instruções a Auschwitz. Àquela altura, porém, a Segunda Guerra Mundial se aproximava do fim e as tropas soviéticas avançavam pela região. Sem ordens diretas para executar as mulheres, o médico permitiu que fossem transferidas para outro campo próximo, onde tiveram condições mínimas para dar à luz. Todas as crianças sobreviveram.
A mostra reúne 37 painéis com documentos históricos, registros oficiais e depoimentos de sobreviventes. O conteúdo está disponível em português e inglês e contextualiza o impacto do nazismo sobre milhões de famílias. Estima-se que cerca de um milhão e meio de crianças tenham sido assassinadas durante o Holocausto.
Após a temporada no Senado, a exposição deve percorrer outras cidades brasileiras, com acompanhamento da Confederação Israelita do Brasil (Conib). A proposta é levar ao público, especialmente aos jovens, informações sobre o nazismo, os campos de concentração e a importância da memória para evitar que tragédias semelhantes se repitam.







