Saúde

Quatro anos depois, pandemia de covid-19 ainda deixa cicatrizes

Doença ainda mata três crianças a cada quatro dias no Brasil; apenas 12% estão totalmente vacinadas

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Gudryan Neufert
12/03/2024, 13:55 • Atualizado em 12/03/2024, 13:57
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Quatro anos depois, pandemia de covid-19 ainda deixa cicatrizes

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O garoto Marcos Antônio, de 11 anos, perdeu o pai para a covid-19. Criado pela avó, os dois vivem na Brasilândia, uma das comunidades mais pobres da zona norte de São Paulo. Estudioso e vacinado, o garoto sente falta da presença paterna, uma das vítimas entre as 710.427 mil mortes por conta da doença.

Naquele 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia de covid-19. Quatro anos depois, 7 milhões de pessoas morreram por conta da enfermidade. O Brasil representa 10% das mortes em todo o mundo.

Mesmo após o fim da emergência de saúde global, a pandemia ainda deixa cicatrizes, como a do pequeno Marcos. A covid-19 ainda mata três crianças a cada quatro dias no Brasil e apenas 12% delas, de até 11 anos, estão com o esquema vacinal completo.

“Entre os grupos mais impactados pela covid 19, sem dúvidas as crianças representam uma proporção muito grande. Vamos chamar ‘sequelados’ ou ‘filhos da pandemia’”, afirma o pediatra e infectologista Renato Kfouri.

Sem a presença dos pais, a pandemia deixou uma geração de órfãos que precisam de um olhar mais atento para sobreviver. “A pandemia deixou muito claro que crianças com menos condições sofreram muito mais na alimentação, na educação, no desenvolvimento, do que aqueles que tinham mais condições”, diz Kfouri.

“É preciso reconhecer esses atrasos, investir no aprendizado, voltar a investir na segurança alimentar, na cobertura vacinal que essas crianças deixaram de se vacinar e também com a população de alta vulnerabilidade que se criou. É possível e devemos investir nessa recuperação”, conclui o infectologista.

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