Saúde

Nova técnica mede consumo de ultraprocessados por moléculas no sangue e urina, diz estudo

Pesquisadores apontam que, em média, cerca de 50% da ingestão calórica dos participantes vinha desse tipo de alimento; saiba mais

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Wagner Lauria Jr.
22/05/2025, 14:05 • Atualizado em 22/05/2025, 14:14
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Consumo de ultraprocessados pode ser medido por moléculas no sangue e urina | Freepik

Consumo de ultraprocessados pode ser medido por moléculas no sangue e urina | Freepik

O que você está comendo pode ser respondido pelo resultado de um teste sangue e urina. É o que propõe uma pesquisa conduzida para avaliar o consumo de alimentos ultraprocessados.

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A análise foi feita através de moléculas específicas encontradas no sangue e na urina. Dessa forma, pesquisadores conseguiram estimar com mais precisão a quantidade desses produtos, como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes, embutidos, macarrão e fast food em geral, presentes na dieta de uma pessoa.

O estudo foi publicado na última terça-feira (20) na revista científica Plos Medicine. Segundo pesquisadores, até então, a maioria das pesquisas sobre o impacto dos ultraprocessados na saúde dependia do autorrelato dos participantes — um método sujeito a falhas de memória ou omissões.

A nova abordagem utiliza mais de mil metabólitos, compostos gerados no corpo após o consumo de alimentos, para rastrear de forma mais confiável o que foi ingerido.

Como estudo foi feito e o que foi descoberto

Para desenvolver a técnica, pesquisadores analisaram amostras de sangue e urina de 718 pessoas saudáveis, com idades entre 50 e 74 anos, coletadas entre 2012 e 2013. Durante um ano, voluntários registraram tudo o que haviam comido no dia anterior à coleta. Cada item foi classificado como natural ou ultraprocessado.

Com ajuda de algoritmos de aprendizado de máquina, a equipe atribuiu a cada participante uma pontuação baseada na quantidade de energia diária proveniente de ultraprocessados. Em média, cerca de 50% da ingestão calórica dos voluntários vinha desses alimentos — variando de 12% a 82%.

Os dados mostraram que aqueles que consumiam mais ultraprocessados ingeriam também maiores quantidades de carboidratos simples, açúcares adicionados e gorduras saturadas, enquanto a ingestão de proteínas e fibras era menor.

Além disso, foram detectadas maiores concentrações de metabólitos associados ao risco de desenvolver diabetes tipo 2 nas amostras dos participantes com maior consumo desses alimentos. Curiosamente, cientistas também encontraram moléculas derivadas de embalagens, como plásticos, nas análises — indicando uma possível contaminação adicional vinda da forma como os alimentos são acondicionados.

Próximos passos

Com resultados promissores, a equipe do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos planeja testar a técnica em populações mais jovens e com dietas mais diversas. A intenção é aprofundar a compreensão da relação entre ultraprocessados e o desenvolvimento de doenças crônicas, incluindo o câncer.

Essa nova metodologia pode revolucionar estudos nutricionais, fornecendo dados mais confiáveis para orientar políticas públicas de saúde e mudanças nos hábitos alimentares da população.

Como identificar ultraprocessados?

Os alimentos ultraprocessados são produzidos em larga escala por meio de técnicas industriais complexas, e contêm ingredientes artificiais, aditivos químicos e substâncias que dificilmente são encontrados numa cozinha comum.

Veja lista de ingredientes comuns aos ultraprocessados, de acordo com o Ministério da Saúde:

  • Gordura vegetal hidrogenada;
  • Xarope de frutose;
  • Emulsificantes;
  • Maltodextrina;
  • Frutose;
  • Xarope de milho;
  • Espessantes;
  • Corantes;
  • Realçadores de sabor.

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