Remédio contra Parkinson pode ajudar no tratamento de depressão, mostra estudo
Pesquisa sugere que levodopa pode auxiliar indivíduos depressivos com problemas de motivação relacionados à inflamação do corpo; entenda

Wagner Lauria Jr.
Um estudo recente sugere que a levodopa, um medicamento comumente usado no tratamento da Doença de Parkinson, pode ser eficaz no tratamento de indivíduos com depressão, especialmente aqueles que apresentam comprometimentos motivacionais devido a altos níveis de inflamação no corpo.
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Realizado por pesquisadores da Emory University School of Medicine, dos EUA, o estudo indica que o medicamento pode melhorar a conectividade cerebral em áreas relacionadas à motivação e recompensa, especialmente em pacientes com altos níveis da proteína C-reativa (PCR), presente em exames de sangue simples.
A proteína C-reativa é um biomarcador sanguíneo que indica inflamação no corpo. Níveis elevados de PCR têm sido associados a mudanças no comportamento e na função cerebral, incluindo a redução da motivação, característica comum em pacientes com depressão.
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Como o estudo foi feito?
O estudo, publicado na revista Brain, Behavior & Immunity, mostrou que a administração diária de levodopa, em doses variadas, resultou em melhorias na conectividade cerebral dentro de um importante circuito de recompensa em participantes com níveis de PCR superiores a 2 mg/L. A melhora foi observada em uma semana de tratamento.
Embora metade dos participantes tenha respondido bem a doses menores de 150 mg/dia, a outra metade necessitou de doses mais altas, de até 450 mg/dia, para que os efeitos da levodopa superassem a inflamação e conseguissem restaurar a função desse circuito de recompensa.
Esses resultados indicam que a levodopa pode ser particularmente útil para pacientes com depressão que têm uma resposta mais fraca aos antidepressivos tradicionais, oferecendo uma abordagem mais personalizada no tratamento da doença. Além disso, os efeitos observados, como a melhora na motivação e a redução da anedonia (dificuldade de sentir prazer), indicam que a levodopa poderia aliviar não apenas os sintomas de depressão, mas também a perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas.
“Essas descobertas representam um passo significativo no tratamento personalizado da depressão. Ao visar neurotransmissores específicos afetados pela inflamação, podemos abrir portas para novos tratamentos eficazes, especialmente para pacientes que não responderam aos antidepressivos convencionais", afirmou Jennifer C. Felger, principal autora do estudo.
O estudo foi financiado por uma bolsa dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).
*Com informações do Futurity