Canetas para diabetes desaparecem de farmácias de São Paulo após nova regra da Anvisa
Medicação usada para controle do diabetes e emagrecimento some das prateleiras com nova exigência de receita médica a partir do dia 23
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Simone Queiroz, Natália Vieira
03/06/2025, 23:02 • Atualizado em 04/06/2025, 00:21
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Medicamentos para controle de diabetes estão desaparecendo das farmácias, principalmente as de bairro ou aquelas que fazem parte de pequenas redes. A busca destas canetas para emagrecimento pode estar por trás da queda dos estoques.
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Nas zona oeste de São Paulo, a reportagem do SBT encontrou uma última caixa do Ozempic. Mas ela já tinha dona: uma médica havia reservado o medicamento. Já o estoque de Monjaro, outra caneta, está zerado. Da última vez que chegou ao estabelecimento, nem teve tempo de ir à prateleira.
“Antes de começar a comercializar, já tinha lista de espera com mais de 30 nomes. O que chegou saiu em seguida”, explicou Ricardo Agostinho, o dono da farmácia.
O telefone da farmácia não para. São clientes que mandam mensagens e áudios, tentando garantir o medicamento.
Além dos recentes roubos registrados em vários estabelecimentos, uma nova mudança nas regras de venda pode estar por trás da demanda aquecida: a exigência de receita médica para venda, segundo determinação da Anvisa )Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A regra passa a valer a partir do dia 23 deste mês.
Enquanto a medida não entra em vigor, basta chegar ao balcão, pedir e levar. A suspeita é de que pessoas estejam fazendo estoque, especialmente quem faz uso do medicamento sem prescrição médica.
Em uma farmácia na zona leste da capital paulista, uma olhada na geladeira mostra que o Ozempic acabou, o Monjaro nunca chegou e restam apenas algumas caixas de Wegovy, menos famosa, mas com o mesmo efeito.
A farmacêutica Adriana Camargo acredita que a nova determinação tem dupla consequência:
“A receita tem que ser assinada por um médico credenciado no CRM, e ela vai ter validade de 90 dias. Vai evitar a venda indiscriminada desse medicamento. Porém, para as pessoas que necessitam como apoio para o controle do diabetes, vai ser mais complicado. A cada três meses, terão que ir ao médico pegar outra receita”, explica Adriana.
Esse é o caso de Vanessa Pirolo, diagnosticada com diabetes tipo 1 desde os 19 anos. Ela usa insulina e complementa o tratamento com uma das canetas disponíveis no mercado, a Saxenda.
“Com essa medicação, eu consegui ter mais saciedade, comer menos e controlar melhor o diabetes”, conta.
Mas agora, ela vive um momento de incerteza. Ainda tem caneta, mas para, no máximo, mais um mês.
Canetas para diabetes desaparecem de farmácias de São Paulo após nova regra da Anvisa Medicação usada para controle do diabetes e emagrecimento some das prateleiras com nova exigência de receita médica a partir do dia 23Saúde2025-06-03T23:02:50.743ZMedicamentos para controle de diabetes estão desaparecendo das farmácias, principalmente as de bairro ou aquelas que fazem parte de pequenas redes. A busca destas canetas para emagrecimento pode estar por trás da queda dos estoques. Nas zona oeste de São Paulo, a reportagem do SBT encontrou uma última caixa do Ozempic. Mas ela já tinha dona: uma médica havia reservado o medicamento. Já o estoque de Monjaro, outra caneta, está zerado. Da última vez que chegou ao estabelecimento, nem teve tempo de ir à prateleira. “Antes de começar a comercializar, já tinha lista de espera com mais de 30 nomes. O que chegou saiu em seguida”, explicou Ricardo Agostinho, o dono da farmácia. O telefone da farmácia não para. São clientes que mandam mensagens e áudios, tentando garantir o medicamento. Além dos recentes roubos registrados em vários estabelecimentos, uma nova mudança nas regras de venda pode estar por trás da demanda aquecida: a exigência de receita médica para venda, segundo determinação da Anvisa )Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A regra passa a valer a partir do dia 23 deste mês. Enquanto a medida não entra em vigor, basta chegar ao balcão, pedir e levar. A suspeita é de que pessoas estejam fazendo estoque, especialmente quem faz uso do medicamento sem prescrição médica. Em uma farmácia na zona leste da capital paulista, uma olhada na geladeira mostra que o Ozempic acabou, o Monjaro nunca chegou e restam apenas algumas caixas de Wegovy, menos famosa, mas com o mesmo efeito. A farmacêutica Adriana Camargo acredita que a nova determinação tem dupla consequência: “A receita tem que ser assinada por um médico credenciado no CRM, e ela vai ter validade de 90 dias. Vai evitar a venda indiscriminada desse medicamento. Porém, para as pessoas que necessitam como apoio para o controle do diabetes, vai ser mais complicado. A cada três meses, terão que ir ao médico pegar outra receita”, explica Adriana. Esse é o caso de Vanessa Pirolo, diagnosticada com diabetes tipo 1 desde os 19 anos. Ela usa insulina e complementa o tratamento com uma das canetas disponíveis no mercado, a Saxenda. “Com essa medicação, eu consegui ter mais saciedade, comer menos e controlar melhor o diabetes”, conta. Mas agora, ela vive um momento de incerteza. Ainda tem caneta, mas para, no máximo, mais um mês. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/canetas-para-diabetes-desaparecem-de-farmacias-de-sao-paulo-apos-nova-regra-da-anvisa