Presidente da Embrapa rebate críticas ao governo Lula e diz que agro é "prioridade" do Planalto
Silvia Massruhá afirmou que orçamento da empresa cresceu 247% desde 2023, criticou "mistura de ideologia" com agro e defendeu papel da ciência

Hariane Bittencourt
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, rebateu críticas da oposição ao tratamento dado pelo governo Lula (PT) ao agronegócio e afirmou que o setor é uma das prioridades da atual gestão federal.
Em entrevista ao PodNews deste domingo (17), Massruhá disse que há uma "politização" do agro no debate eleitoral e defendeu a separação entre disputa ideológica e desenvolvimento do setor.
"Eu vejo muita atenção do governo nessas questões. O que a gente precisa separar é período eleitoral e não misturar ideologia com essa questão política. Acho que isso atrapalha bastante", afirmou.
A presidente da Embrapa destacou que o agronegócio representa cerca de 25% do PIB brasileiro e afirmou que os últimos Planos Safra tiveram os maiores volumes de recursos da história recente.
"Eu vejo o esforço do governo para atender, independente do tamanho - pequeno, médio e grande produtor", disse.
Massruhá também atribuiu ao governo Lula a ampliação dos investimentos na pesquisa agropecuária. Segundo ela, o orçamento de custeio e investimento da Embrapa passou de cerca de R$ 167 milhões, em 2023, para R$ 414 milhões previstos para 2026 - alta de 247%.
A presidente da Embrapa ressaltou ainda que a estatal realizou, após 15 anos, um novo concurso público com mais de mil vagas para recompor o quadro de pesquisadores.
Massruhá defendeu que o agro brasileiro precisa avançar em sustentabilidade e tecnologia para manter competitividade internacional. E afirmou que produtores já percebem práticas ambientais como oportunidade de mercado.
"O mercado internacional está exigindo isso. Eles querem abrir novos mercados e sabem que precisam trazer transparência ao processo de produção", declarou.
Guerras e dependência de fertilizantes
A presidente da Embrapa também alertou para a dependência brasileira de fertilizantes importados, especialmente em meio aos conflitos geopolíticos envolvendo Rússia, Ucrânia e Irã.
"Importamos 85% dos fertilizantes. Isso tem impacto direto no custo de produção e pode impactar os alimentos", disse.
Segundo ela, o governo federal e a Embrapa trabalham em alternativas para reduzir essa vulnerabilidade, como biofertilizantes e o fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes.









