Câncer de mama: intestino pode influenciar no tratamento
Especialista explica como alimentação e hidratação são importantes no combate à doença
Brazil Health
Entenda a importância da alimentação no tratamento do câncer de mama | Marcelo Camargo/Agência Brasil
Para 2026-2028, o Inca estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, sendo 78,6 mil de câncer de mama. Diante desses números, no Outubro Rosa falamos muito sobre diagnóstico precoce, mas precisamos falar também sobre o cuidado que vem depois dele.
O que acontece com a alimentação ao longo do tratamento
A Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente com Câncer mostra que a prevalência de desnutrição nesses pacientes varia de 20% a 80%, conforme idade, tipo de tumor, estágio e tratamento. Por isso, na prática clínica, a primeira pergunta que faço não é “o que comer para ajudar no tratamento”, mas sim: essa paciente está conseguindo comer, beber e absorver o suficiente para manter o organismo nutrido?
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Náuseas, vômitos, diarreia, constipação, alteração do paladar, boca seca e falta de apetite podem surgir durante o tratamento oncológico, com intensidade variável. Esses sintomas costumam desencadear um ciclo: a paciente come menos, bebe menos água, perde peso e massa muscular e fica mais fragilizada. Cuidar da alimentação e do intestino nesse momento não é questão estética: é parte do cuidado com o estado nutricional.
Uma situação frequente no consultório é a tentativa de manter o padrão alimentar de antes, mesmo quando o organismo já não tolera grandes refeições. Fracionar em pequenas porções ao longo do dia costuma ser mais bem tolerado do que três grandes refeições. Quando o volume que se consegue comer diminui, cada porção precisa ter mais densidade nutricional, com atenção à energia e à proteína.
Cheiros fortes podem intensificar a náusea; por isso, preparações frias ou em temperatura ambiente costumam ser mais bem aceitas. Evitar a cozinha durante o preparo e deixar alimentos de fácil aceitação disponíveis ajuda. O gengibre pode auxiliar algumas pacientes, mas seu uso deve ser individualizado junto à equipe assistencial.
A perda de apetite merece atenção porque costuma surgir justamente quando o corpo mais precisa preservar suas reservas. Vale aproveitar os horários de melhor aceitação: se a paciente come melhor pela manhã, não há motivo para reservar a proteína só para o almoço e o jantar.
Ovos, iogurtes, queijos e carnes macias podem ser distribuídos ao longo do dia, e suplementos nutricionais podem entrar quando a alimentação habitual não atinge as necessidades, sempre com orientação individualizada.
Hidratação, diarreia e constipação pedem estratégias diferentes
Esperar sentir muita sede nem sempre é uma boa estratégia: pequenos goles ao longo do dia funcionam melhor do que um copo grande de uma vez. Em casos de vômitos ou diarreia importantes, pode haver perda relevante de líquidos e eletrólitos, e a equipe assistencial precisa ser avisada.
Não existe uma única “dieta para o intestino”: na diarreia, pode ser necessário ajustar fibras e gorduras; na constipação, o caminho é avaliar líquidos, fibras, movimento e medicamentos envolvidos. Recomendar “coma mais fibra” para todo paciente oncológico, sem entender o sintoma, pode ser inadequado.
Preservar massa muscular também faz parte do cuidado
A balança não conta toda a história: é possível perder poucos quilos e, ainda assim, perder massa muscular, o que compromete funcionalidade e força. Proteína suficiente, energia adequada e atividade física compatível com a liberação médica fazem parte do acompanhamento. A pergunta certa não é só “o peso está caindo?”, mas “o que está sendo perdido nesse peso?”.
Não é hora de buscar a dieta perfeita
Na tentativa de acertar, algumas pacientes cortam açúcar, leite, glúten, carne e outros alimentos ao mesmo tempo, e a alimentação fica ainda mais restrita justamente quando comer já é difícil. Não existe alimento isolado capaz de tratar o câncer, e a nutrição não substitui cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia. Seu papel é ajudar a atravessar o tratamento com o melhor estado nutricional possível.
Se você percebe que está comendo cada vez menos, perdendo peso ou massa muscular, ou enfrentando diarreia, constipação ou vômitos persistentes, não normalize esses sintomas. Pequenas adaptações na alimentação podem fazer uma enorme diferença na forma como essa mulher atravessa o tratamento. Porque, durante o tratamento do câncer, alimentar também é cuidar.
** Rafaela Dilly é nutricionista e especialista em Saúde Gastrointestinal
Câncer de mama: intestino pode influenciar no tratamento Especialista explica como alimentação e hidratação são importantes no combate à doençaSaúde2026-09-30T14:01:18.630ZPara 2026-2028, o Inca estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, sendo 78,6 mil de câncer de mama. Diante desses números, no Outubro Rosa falamos muito sobre diagnóstico precoce, mas precisamos falar também sobre o cuidado que vem depois dele. O que acontece com a alimentação ao longo do tratamento A Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente com Câncer mostra que a prevalência de desnutrição nesses pacientes varia de 20% a 80%, conforme idade, tipo de tumor, estágio e tratamento. Por isso, na prática clínica, a primeira pergunta que faço não é “o que comer para ajudar no tratamento”, mas sim: essa paciente está conseguindo comer, beber e absorver o suficiente para manter o organismo nutrido? Náuseas, vômitos, diarreia, constipação, alteração do paladar, boca seca e falta de apetite podem surgir durante o tratamento oncológico, com intensidade variável. Esses sintomas costumam desencadear um ciclo: a paciente come menos, bebe menos água, perde peso e massa muscular e fica mais fragilizada. Cuidar da alimentação e do intestino nesse momento não é questão estética: é parte do cuidado com o estado nutricional. Quando comer fica difícil, é preciso comer melhor Uma situação frequente no consultório é a tentativa de manter o padrão alimentar de antes, mesmo quando o organismo já não tolera grandes refeições. Fracionar em pequenas porções ao longo do dia costuma ser mais bem tolerado do que três grandes refeições. Quando o volume que se consegue comer diminui, cada porção precisa ter mais densidade nutricional, com atenção à energia e à proteína. Cheiros fortes podem intensificar a náusea; por isso, preparações frias ou em temperatura ambiente costumam ser mais bem aceitas. Evitar a cozinha durante o preparo e deixar alimentos de fácil aceitação disponíveis ajuda. O gengibre pode auxiliar algumas pacientes, mas seu uso deve ser individualizado junto à equipe assistencial. Não espere a fome aparecer A perda de apetite merece atenção porque costuma surgir justamente quando o corpo mais precisa preservar suas reservas. Vale aproveitar os horários de melhor aceitação: se a paciente come melhor pela manhã, não há motivo para reservar a proteína só para o almoço e o jantar. Ovos, iogurtes, queijos e carnes macias podem ser distribuídos ao longo do dia, e suplementos nutricionais podem entrar quando a alimentação habitual não atinge as necessidades, sempre com orientação individualizada. Hidratação, diarreia e constipação pedem estratégias diferentes Esperar sentir muita sede nem sempre é uma boa estratégia: pequenos goles ao longo do dia funcionam melhor do que um copo grande de uma vez. Em casos de vômitos ou diarreia importantes, pode haver perda relevante de líquidos e eletrólitos, e a equipe assistencial precisa ser avisada. Não existe uma única “dieta para o intestino”: na diarreia, pode ser necessário ajustar fibras e gorduras; na constipação, o caminho é avaliar líquidos, fibras, movimento e medicamentos envolvidos. Recomendar “coma mais fibra” para todo paciente oncológico, sem entender o sintoma, pode ser inadequado. Preservar massa muscular também faz parte do cuidado A balança não conta toda a história: é possível perder poucos quilos e, ainda assim, perder massa muscular, o que compromete funcionalidade e força. Proteína suficiente, energia adequada e atividade física compatível com a liberação médica fazem parte do acompanhamento. A pergunta certa não é só “o peso está caindo?”, mas “o que está sendo perdido nesse peso?”. Não é hora de buscar a dieta perfeita Na tentativa de acertar, algumas pacientes cortam açúcar, leite, glúten, carne e outros alimentos ao mesmo tempo, e a alimentação fica ainda mais restrita justamente quando comer já é difícil. Não existe alimento isolado capaz de tratar o câncer, e a nutrição não substitui cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia. Seu papel é ajudar a atravessar o tratamento com o melhor estado nutricional possível. Se você percebe que está comendo cada vez menos, perdendo peso ou massa muscular, ou enfrentando diarreia, constipação ou vômitos persistentes, não normalize esses sintomas. Pequenas adaptações na alimentação podem fazer uma enorme diferença na forma como essa mulher atravessa o tratamento. Porque, durante o tratamento do câncer, alimentar também é cuidar. ** Rafaela Dilly é nutricionista e especialista em Saúde GastrointestinalSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/cancer-de-mama-intestino-pode-influenciar-no-tratamento
Cenário é de empate técnico dentro da margem de erro, estimada em 2,2 pontos percentuais; na primeira etapa, presidente marca 39,4% ante 38,4% do senador