Saúde

Anvisa autoriza vacina do Butantan contra chikungunya; imunizante é o primeiro do tipo no país

Imunizante é desenvolvido em parceria com a farmacêutica Valneva; 620 mil casos da doença foram registrados no mundo só em 2024

W
Wagner Lauria Jr.
14/04/2025, 14:26 • Atualizado em 15/04/2025, 01:00
compartilhar
Aedes aegypti transmite a chikungunya em meios urbanos | Raul Santana/Fiocruz

Aedes aegypti transmite a chikungunya em meios urbanos | Raul Santana/Fiocruz

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (14), o registro definitivo da primeira vacina contra a chikungunya no Brasil. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, em colaboração com a farmacêutica franco-austríaca Valneva, o imunizante está autorizado para uso em pessoas com 18 anos ou mais.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e representa um marco no combate à doença, que já afetou 620 mil pessoas no mundo apenas em 2024. O Brasil é um dos países com maior número de registros da doença.

Eficácia comprovada em estudo

De acordo com estudo clínico de fase 3, publicado em setembro de 2024 na revista científica The Lancet Infectious Diseases, a vacina demonstrou resultados promissores entre adolescentes brasileiros.

Após uma única dose, foi observada a presença de anticorpos neutralizantes em 100% dos voluntários com infecção prévia e em 98,8% daqueles sem contato anterior com o vírus.

Seis meses após a aplicação, 99,1% dos jovens mantinham a proteção. Os eventos adversos mais frequentes foram leves a moderados, como dor de cabeça, dores no corpo, fadiga e febre.

Próximos passos para distribuição

Apesar da aprovação, a vacinação em larga escala ainda depende de outras etapas. O Instituto Butantan trabalha em uma versão do imunizante com componentes nacionais, o que facilitará sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A versão adaptada está em análise pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e outras autoridades de saúde.

Segundo Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, a vacina poderá ser aplicada inicialmente de forma estratégica. "No caso da chikungunya, é possível que o plano do ministério seja vacinar primeiro os residentes de regiões endêmicas, ou seja, que concentram mais casos", afirma.

Primeiro caso foi registrado em 2014 no Brasil

Originalmente identificada no continente americano em 2013, segundo o Ministério da Saúde, a chikungunya chegou ao Brasil no ano seguinte, inicialmente no Amapá e na Bahia.

Atualmente, todos os estados brasileiros registram transmissão ativa da doença, que segue um padrão semelhante ao da dengue, sendo disseminada pelo mosquito Aedes aegypti, também responsável pela dengue e zika, em áreas urbanas, e pelo Aedes albopictus em regiões rurais, segundo a Rede D'Or São Luiz.

A pasta da Saúde informa que a infecção pelo chikungunya costuma se manifestar com febre alta de início súbito, dores musculares, manchas vermelhas na pele e, principalmente, dor intensa nas articulações, que pode se tornar incapacitante. Em quadros mais graves, o vírus pode levar a complicações neurológicas, como encefalite e síndrome de Guillain-Barré, além de aumentar o risco de hospitalizações.

Embora a chikungunya compartilhe sintomas com outras arboviroses, como dengue e zika, a principal diferença é o comprometimento articular, que pode persistir por meses ou até anos após a infecção.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: PEC da 6x1 não chegou à CCJ e não vai “furar fila”, diz Otto

PEC da 6x1 não chegou à CCJ e não vai “furar fila”, diz Otto

Imagem da notícia: CV e PCC já estão sujeitos a bloqueios econômicos pelos EUA

CV e PCC já estão sujeitos a bloqueios econômicos pelos EUA

Imagem da notícia: Ibovespa fecha maio com queda de 7%, a pior desde fevereiro de 2023

Ibovespa fecha maio com queda de 7%, a pior desde fevereiro de 2023

Imagem da notícia: PCC e CV terroristas: o que pode mudar para o mercado financeiro no Brasil

PCC e CV terroristas: o que pode mudar para o mercado financeiro no Brasil

Imagem da notícia: PEC da 6x1 não chegou à CCJ e não vai “furar fila”, diz Otto

PEC da 6x1 não chegou à CCJ e não vai “furar fila”, diz Otto

Imagem da notícia: CV e PCC já estão sujeitos a bloqueios econômicos pelos EUA

CV e PCC já estão sujeitos a bloqueios econômicos pelos EUA

Imagem da notícia: Ibovespa fecha maio com queda de 7%, a pior desde fevereiro de 2023

Ibovespa fecha maio com queda de 7%, a pior desde fevereiro de 2023

Imagem da notícia: PCC e CV terroristas: o que pode mudar para o mercado financeiro no Brasil

PCC e CV terroristas: o que pode mudar para o mercado financeiro no Brasil

Últimas notícias

Irã contesta EUA e diz que ainda não decidiu sobre acordo

Presidente dos EUA afirmou que há avanços nas negociações, mas autoridades iranianas negaram pontos centrais do possível entendimento

Deolane é indiciada por lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Influenciadora foi apontada como peça-chave em esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa; outros 7 foram indiciados, incluindo Marcola

Trump já tem candidato no Brasil, diz ex-ministro da Justiça

Tarso Genro avaliou que classificação de facções como terroristas enfraquece cooperação policial com os EUA

Trump lança site 'aliens.gov' para imigrantes ilegais

Plataforma trata imigrantes em situação irregular nos EUA como alienígenas e incentiva a denúncia de estrangeiros à margem da legalidade

Fux volta a barrar Douglas Ruas para governo do Rio

Ministro diz que decisão do plenário deve ser mantida até nova deliberação; presidente da Alerj afirma que está à frente de Ricardo Couto na linha sucessória

Petróleo registra maior queda semanal desde abril

Mercado reage à expectativa de cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã e à possível reabertura do Estreito de Ormuz