Saúde

Anvisa aprova medicamento para câncer de ovário resistente à quimioterapia

Decisão representa a chegada ao Brasil da primeira terapia direcionada a um tipo específico de tumor; entenda como funciona

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Wagner Lauria Jr.
03/09/2025, 14:50 • Atualizado em 03/09/2025, 14:50
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Câncer de ovário é um dos mais letais entre as mulheres | Freepik

Câncer de ovário é um dos mais letais entre as mulheres | Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do Elahere, nome comercial de mirvetuximabe soravtansina, para o tratamento de pacientes com câncer de ovário avançado que não respondem mais à quimioterapia tradicional.

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A decisão, anunciada nesta segunda-feira (1º), representa a chegada ao Brasil da primeira terapia direcionada a um tipo específico de tumor caracterizado pela presença do receptor de folato alfa (FRα) (saiba mais abaixo).

Como o medicamento funciona

O Elahere pertence a uma nova classe chamada conjugado anticorpo-fármaco (ADC). Essa tecnologia combina a precisão de um anticorpo, que se liga apenas às células que expressam o receptor FRα, com uma carga quimioterápica de alta potência, liberada diretamente no interior da célula tumoral. Assim, o tratamento consegue atacar de forma seletiva o câncer, poupando a maior parte das células saudáveis e reduzindo os efeitos adversos da quimioterapia convencional.

Para que seja prescrito, é necessário um exame de imuno-histoquímica, já disponível em laboratórios no Brasil, que identifica se o tumor da paciente apresenta alta expressão do receptor FRα, ou seja, quando as células tumorais apresentam uma proteína chamada receptor de folato alfa.

Resultados dos estudos clínicos

A aprovação se baseou em um estudo internacional de fase 3 com mais de 450 mulheres. Os resultados mostraram que o Elahere reduziu em 35% o risco de progressão da doença em comparação à quimioterapia padrão.

Outro dado de destaque foi a sobrevida global: pacientes tratadas com o novo fármaco viveram, em média, 16,5 meses, contra 12,7 meses do grupo que recebeu quimioterapia convencional. A taxa de resposta objetiva, medida pela redução do tamanho do tumor, também foi superior — 42% contra 16%.

Os dados foram apresentados no congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).

Relevância para o Brasil

O câncer de ovário é um dos tumores ginecológicos mais agressivos e letais, em grande parte porque costuma ser diagnosticado em estágio avançado. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 7,3 mil novos casos por ano. Até agora, pacientes com tumores resistentes à quimioterapia baseada em platina tinham poucas opções terapêuticas, e há mais de oito anos não surgia uma alternativa nesse contexto.

Com a liberação da Anvisa, o Elahere passa a integrar o arsenal contra a doença no país. A inclusão do medicamento no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda depende de futuras avaliações.

Nos Estados Unidos e na Europa, o fármaco já havia sido aprovado em 2024.

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