Saúde

Mpox: Pará registra duas mortes pela doença; como identificar e prevenir?

Em todo o Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, 373 casos da varíola foram registrados este ano; entenda como é transmitida e se há vacina

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Wagner Lauria Jr.
28/04/2025, 19:16 • Atualizado em 28/04/2025, 19:16
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Mpox foi descoberta por cientistas dinamarqueses, na década de 1950, em macacos enjaulados em um laboratório | OMS

Mpox foi descoberta por cientistas dinamarqueses, na década de 1950, em macacos enjaulados em um laboratório | OMS

A Mpox causou 2 mortes no Pará. Até o dia 23 de abril foram 19 casos da doença, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Entre os casos fatais está a morte do cantor paraense Gutto Xibatada, ocorrido na última terça-feira (22).

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Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Belém, o cantor foi atendido no Hospital Municipal Mário Pinotti, ficando em isolamento e recebendo alta posteriormente. A Sespa informou que os óbitos ocorreram em pacientes que, além de diagnosticados com Mpox, apresentavam comorbidades, ou seja, outras questões de saúde que podem agravar a evolução clínica da doença.

Devido às complicações, Gutto retornou ao hospital em 22 de abril. Ele foi encaminhado a um leito de isolamento no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), onde morreu no mesmo dia.

Em todo o Brasil, até 16 de abril deste ano, 373 casos da doença foram registrados, segundo o Ministério da Saúde.

O que é mpox e como identificar a doença?

A mpox é uma doença zoonótica viral. A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animais silvestres infectados, com pessoas infectadas pelo vírus e com materiais contaminados. Os primeiro sintomas, principalmente, incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, além de linfonodos inchados (ínguas), febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrio e fraqueza.

Algumas doenças que se manifestam de forma parecida são o sarampo, a herpes e a sífilis. Mas há alguns sinais específicos da Mpox como a progressão das erupções na pele, que vão de macular (tom avermelhado em determinada região da pele), papular (quando as feridas ganham elevações na pele), vesicular (as bolhas começam a surgir) e pustulosa (lesões se tornam pústulas, com pontas brancas e arredondadas), segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Depois, as feridas adquirem o caráter de crosta e da descamação.

Feridas da Mpox | Reprodução/Journal of Infection
Feridas da Mpox | Reprodução/Journal of Infection

O diagnóstico da doença é realizado por meio do exame de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), podendo também ser utilizado o sequenciamento do material genético presente nas lesões características da enfermidade.

Como é a transmissão da Mpox?

A transmissão da doença não mudou em relação às cepas anteriores: a Mpox é transmitida pelo contato com a pele de pessoas que estão contaminadas.

Como se prevenir?

  • Higienizar as mãos com água e sabão e usar álcool em gel;
  • Não compartilhar roupas de cama, toalhas, talheres, copos, objetos pessoais ou brinquedos sexuais;
  • Evitar contato íntimo ou sexual com pessoas que tenham lesões na pele;
  • Manter isolamento imediato em caso de suspeita ou confirmação de Mpox.

Tem vacina para Mpox?

Existem, até o momento, três vacinas contra a mpox disponíveis globalmente. No entanto, apenas duas delas são recomendadas pela OMS e possuem aprovação em alguns países. Essas vacinas são a ACAM2000, produzida pela Sanofi Pasteur, e a Jynneos (também conhecida como Imvamune ou Imvanex), desenvolvida pela Bavarian Nordic. A vacina Jynneos já foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023.

O imunizante foi oferecido para pessoas imunossuprimidas, além de profissionais de laboratório que trabalham diretamente com orthopoxvírus [pertencente à família do vírus da monkeypox] e pessoas que tiveram contato direto com fluidos e secreções corporais de pessoas com suspeitas da doença. Mais de 29 mil doses contra a mpox foram aplicadas no Brasil.

No entanto, o Brasil não planeja vacinação em massa. É o que declarou a ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, em uma coletiva de imprensa de agosto do ano passado.

“No Brasil, nós vacinamos com uma licença ainda especial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em casos muito excepcionais, para grupos muito vulneráveis, pessoas que tinham tido contato com outras pessoas doentes. Então, a vacinação nunca será uma estratégia em massa para a mpox”, ressaltou Trindade.

Nísia destacou que os especialistas continuam a avaliar a eficácia das vacinas no combate à nova cepa do mpox. Ela também mencionou a dificuldade na aquisição de imunizantes, devido à limitação na produção em massa das doses.

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