Saúde

Mpox no Brasil: SP registra 315 casos de 'varíola dos macacos' de janeiro a julho de 2024

Aumento foi de 257% comparado ao mesmo período de 2023; OMS declarou mpox como emergência em saúde pública global

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Wagner Lauria Jr.
15/08/2024, 16:18 • Atualizado em 15/08/2024, 16:21
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Mpox foi descoberta por cientistas dinamarqueses, na década de 1950, em macacos enjaulados em um laboratório | OMS

Mpox foi descoberta por cientistas dinamarqueses, na década de 1950, em macacos enjaulados em um laboratório | OMS

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou, nesta quinta-feira (15), que de janeiro a julho deste ano foram confirmados 315 casos de Mpox, a 'variola dos macacos', no estado, um aumento de mais de 300% em relação ao mesmo período de 2023, com 88 casos.

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Nesta quarta-feira (14), a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou emergência sanitária global da doença após reunião virtual para avaliar o ressurgimento da epidemia da doença na África e o risco de sua disseminação internacional. É a primeira vez desde o fim da pandemia da Covid-19 que a entidade emite seu mais alto nível de alerta.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o órgão está comprometido em "coordenar a resposta global nos próximos dias e semanas"

"Estamos trabalhando em estreita colaboração com cada um dos países afetados e alavancando nossa presença local para prevenir a transmissão, tratar os infectados e salvar vidas", disse Tedros Adhanom, diretor-geral da organização.

A decisão foi tomada após o registro de casos fora da República Democrática do Congo, onde as infecções estão em crescimento há mais de dois anos. A situação se agravou nos últimos meses devido a uma mutação do vírus.

Em 9 de agosto, a OMS confirmou que fabricantes de vacinas podem solicitar uma licença de emergência, permitindo que organizações como o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e a GAVI (em tradução livre: Aliança das Vacinas) adquiram e distribuam as vacinas de forma mais ágil nas áreas afetadas. Esta medida visa acelerar a resposta ao surto e garantir a disponibilidade das vacinas.

Em junho, uma fabricante de vacinas enviou 15.000 doses de sua vacina para o Congo, onde a maioria dos casos de mpox foi detectada. No entanto, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (CDC África) alertou para a necessidade de "solidariedade global", destacando que a região precisa de 10 milhões de doses de vacina, mas atualmente tem acesso a apenas 200.000. O CDC África também considerará a declaração de uma emergência continental esta semana.

O vírus da mpox foi reportado em pelo menos 13 países africanos este ano. No último mês, quatro países – Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda – reportaram casos de mpox pela primeira vez. Até agora, em 2024, foram registradas 517 mortes entre 17.541 casos confirmados e suspeitos de mpox.

O que é Mpox?

A mpox é uma doença zoonótica viral. A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animais silvestres infectados, pessoas infectadas pelo vírus e materiais contaminados. Os sintomas, em geral, incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrio e fraqueza.

Há duas formas de apresentação da varíola dos macacos: uma cepa que é mais grave e pode matar até 10% dos infectados e outra que é menos agressiva, responsável pelo surto global da doença em 2022: mais de 99% dos pacientes sobreviveram.

Nesse surto do Congo foi identificada uma nova mutação da cepa mais agressiva, que pode ser responsável por mais de 240 casos e pelo menos três mortes. Os casos mais graves ainda são muito recentes e é preciso esperar a confirmação para ter certeza dos riscos.

Como é a transmissão da Mpox?

A transmissão da doença não mudou em relação às cepas anteriores: a Mpox é transmitida pelo contato com a pele de pessoas que estão contaminadas. No caso do Congo, a maior parte infecções foi transmitida pelo sexo, forma mais comum de transmissão da varíola dos macacos, segundo a OMS.

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