Saúde

Farmácia Popular e SUS serão modelo para novo sistema de saúde do México

Parceria firmada durante a última semana prevê troca de experiências para ampliar acesso a medicamentos e apoiar criação de sistema universal mexicano até 2027

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Victor Schneider
12/04/2026, 11:00 • Atualizado em 12/04/2026, 11:00
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Farmácia Popular  e SUS | Foto: Agência Brasil

Farmácia Popular e SUS | Foto: Agência Brasil

Na quarta-feira (8), um dia após a presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciar a criação de um sistema de saúde universal a partir de 2027, o secretário de Saúde mexicano, David Kershenobich Stalnikowitz, esteve em Brasília para firmar um memorando de cooperação em cinco áreas com o governo Lula (PT). O foco está no compartilhamento do know-how brasileiro com o SUS e o programa Farmácia Popular.

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O documento ao qual o SBT News teve acesso mostra que a experiência brasileira na produção de vacinas e de insumos estratégicos, além do combate a doenças “associadas à pobreza, estigma ou marginalização", citando a tuberculose, o HIV e ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), são outros eixos do interesse mexicano. O polo da saúde é um dos pilares da Nova Indústria Brasil – a intenção é, até 2033, ter 70% de todos os medicamentos, imunizantes, materiais hospitalares e demais dispositivos médicos produzidos em território nacional. A taxa hoje é próxima a 45%.

No campo farmacêutico, o memorando fala no “intercâmbio de informação e práticas sobre políticas nacionais que buscam garantir e ampliar o acesso da população a medicamentos, promovendo seu uso racional". O país enfrenta cenários frequentes de desabastecimento de insumos e dificuldade em levar medicamentos a regiões mais isoladas.

O Farmácia Popular é produto do primeiro governo Lula (PT), em 2004. O programa permitiu a distribuição gratuita ou com desconto de medicamentos e insumos de saúde em unidades próprias ou farmácias credenciadas da rede privada, com subsídio do governo.

Um estudo publicado na Revista de Saúde Pública em 2019, antes da pandemia de Covid -19, estima que o programa possa ter contribuído para reduzir em 8% as mortes e em 27% as internações de pacientes com doenças crônicas.

Já a cooperação em vacinas é centrada no Butantan e na Fiocruz, que patenteou no ano passado a primeira plataforma nacional de RNA Mensageiro (RNAm), tecnologia que instrui o sistema imunológico a reagir contra patógenos e elimina a etapa de cultivo do vírus em laboratório, o que acelera a produção dos imunizantes.

O diálogo entre os governos se intensificou a partir de agosto de 2025, quando a delegação comandada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin levou à Cidade do México representantes do Ministério da Saúde, do Butantan e da Fiocruz e ouviu dos mexicanos pela primeira vez a intenção de modernizar seu sistema público de saúde.

SUS Mexicano

A proposta de Sheinbaum unifica três sistemas de saúde vigentes no México:

  • Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS): voltado a trabalhadores do setor privado com carteira assinada, funciona com base em contribuições do empregado, empresa e governo e oferece atendimento completo, com consultas, internações e medicamentos. É o mais estruturado dos três, mas sofre com alta demanda, falta de medicamentos e filas.
  • IMSS-Bienestar: focado na população sem vínculo formal de trabalho (tanto informais quanto pessoas em situação de vulnerabilidade). É financiado por impostos e o atendimento é gratuito. O modelo vem substituindo estruturas anteriores, como o antigo Seguro Popular, vigente até 2019.
  • Instituto de Seguridad y Servicios Sociales de los Trabajadores del Estado (ISSSTE): abrange servidores públicos. Assim como o IMSS, também é contributivo e oferece uma rede própria de serviços semelhantes.

Hoje, os três sistemas coexistem, mas não são plenamente integrados. O que o México fará a partir de agora é iniciar o processo de unificação de bases de dados e do credenciamento de usuários para permitir a troca de serviços entre os sistemas a partir de 1º de janeiro de 2027.

“O objetivo é que, quando deixarmos o cargo, qualquer mexicano ou mexicana possa buscar tratamento para qualquer doença em qualquer instituição de saúde e seja admitida", disse Sheinbaum na terça (7) ao anunciar o decreto. O mandato no México é único e dura 6 anos. Ela deixará o posto em 2030.

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