Família acusa academia de omissão de socorro após morte de professora em piscina
Juliana tinha 27 anos e morreu após aula de natação na zona leste de São Paulo

Naiara Ribeiro
A família da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, acusa a academia onde ela passou mal, na zona leste de São Paulo, de omissão de socorro. A jovem morreu após uma aula de natação no último sábado (7), e outras quatro pessoas seguem internadas com sintomas semelhantes.
Juliana passou mal dentro da piscina de uma academia no bairro Parque São Lucas e, segundo familiares, não recebeu atendimento imediato por parte do estabelecimento. A acusação é de que a academia não teria acionado socorro médico no momento em que os alunos começaram a apresentar os sintomas.
Nesta segunda (9), em entrevista ao SBT News, Daniele Franco, prima de Juliana, afirmou que o marido da professora, Vinícius de Oliveira, de 31 anos, também vítima da ocorrência, foi quem prestou os primeiros socorros.
"Foi omissão de socorro. Quem socorreu as vítimas foi o meu primo, que hoje está internado em estado grave. Ele salvou a própria esposa e ainda ajudou outras pessoas na piscina. A academia não chamou ambulância, não fez nada. Tudo foi por conta dele", disse.
Daniele também criticou o comunicado divulgado pela academia:
"Eles soltaram uma nota dizendo que ajudaram, mas isso não aconteceu. Ele está internado, não vai conseguir nem acompanhar o enterro da esposa. Eles tinham um ano de casamento. É uma dor muito grande para toda a família", afirmou.
Vítimas e investigação
Além do casal, um adolescente de 14 anos também foi hospitalizado após utilizar a mesma piscina. O pai do jovem registrou boletim de ocorrência. Outros dois adultos, um homem e uma mulher, ambos de 37 anos, também apresentaram sintomas. Ao todo, cinco pessoas foram afetadas, sendo uma fatal.
A academia está interditada, e o caso é investigado pelo 42º Distrito Policial, do Parque São Lucas. Equipes da perícia e da Vigilância Sanitária realizaram estiveram no local e apreenderam objetos para análise. Amostras da água da piscina seguem sob avaliação.
A Polícia Civil aguarda os depoimentos do proprietário da academia, do gerente e de um funcionário que possivelmente manuseava os produtos químicos utilizados na limpeza e no tratamento da piscina. A expectativa é de que os esclarecimentos ajudem a definir as responsabilidades pelo ocorrido.
Versão da academia
Em nota, a direção da C4 Gym afirmou ao SBT News:
"A direção da Academia C4 GYM lamenta profundamente o ocorrido em sua unidade no último sábado (07/02). Assim que alunos relataram odor forte na piscina, toda a academia foi evacuada e o SAMU e o Corpo de Bombeiros foram acionados (prints anexos). Devido à demora do SAMU, um dos atendentes da academia solicitou auxílio a uma viatura da GCM, que se dispôs a socorrer Juliana. Os policiais informaram que poderiam levá-la apenas ao hospital mais próximo, na Vila Alpina, mas os acompanhantes optaram por levá-la a uma unidade de seu plano de saúde, em Santo André.
A academia reforça que prestou atendimento imediato a todos os envolvidos e manteve contato direto com alunos e familiares para oferecer suporte. Esclarece ainda que não houve abandono do local: a unidade foi fechada como de costume, por volta de 15h, e seus responsáveis permaneceram disponíveis para esclarecimentos. O advogado da academia esteve presente e solicitou acompanhar a vistoria do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, mas o pedido não foi autorizado.
A C4 GYM informa que possui AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), está regular junto ao CREF e mantém alvará da Vigilância Sanitária válido desde 2023. A empresa reforça seu compromisso com a verdade dos fatos e segue colaborando integralmente com as autoridades competentes, contribuindo com todas as etapas da investigação em andamento".








