Advogado: 'Zambelli sentiu culpa por derrota de Bolsonaro'
Fábio Pagnozzi afirma que pena da ex-deputada foi desproporcional e que ministros do STF agem politicamente




O advogado Fábio Pagnozzi, que representa a defesa de Carla Zambelli, afirmou nesta sexta-feira (12) que a ex-deputada se sentiu culpada pela derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.
“As pessoas precisam culpar alguém naquele momento. A Carla Zambelli foi uma delas. Ela foi culpada, ela se sentiu culpada. Mas isso a gente não pode misturar, porque foi uma cena feia para um país não armamentista. Agora, 5 anos de prisão, para mim, como advogado, isso não cola. Foi uma pena totalmente desproporcional”, disse.
Em entrevistas, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apontou Zambelli como responsável por sua derrota para Lula (PT) nas eleições de 2022. “Carla Zambelli tirou o mandato da gente", afirmou o ex-presidente ao podcast Inteligência Ltda em 2025.
Em resposta, Zambelli disse no ano passado que não achava justa a avaliação de Bolsonaro e que ele colocava muito peso em suas costas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão, em regime semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A pena tornou-se definitiva em outubro, com o trânsito em julgado.
O caso ocorreu na véspera do segundo turno das eleições de 2022, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Após uma discussão política, a então deputada sacou uma arma e perseguiu o jornalista Luan Araújo, que foi obrigado a entrar em uma lanchonete e se deitar no chão.
Além desse episódio, Zambelli também foi condenada a 10 anos de prisão por participação na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A Corte de Cassação da Itália divulgou nesta sexta-feira os fundamentos da decisão que anulou o pedido de extradição da ex-deputada no caso do CNJ.
Segundo a defesa, Zambelli está atualmente na Itália e aguarda a análise de um novo pedido de extradição, relacionado ao caso envolvendo o uso de arma de fogo.
O advogado também criticou o STF, afirmando que há perseguição política e questionando a imparcialidade das decisões.
"Ela não teria chance alguma contra o STF do jeito que está hoje, principalmente com essa polarização entre direita e esquerda, e com alguns ministros agindo de forma política. Quem sabe, em um próximo momento, com um governo de direita ou que não seja o governo Lula, eu entre com essa revisão criminal e tente anular, não só o caso de Carla Zambelli, mas também de outros clientes, essas decisões do Moraes", afirmou.














