Com governo Milei, exportações à Argentina seguem em queda
País segue como terceiro maior destino das exportações brasileiras, mas compras do país vizinho recuaram nos últimos 12 meses
André Barbeiro
Lula e Milei: cerimônia de transmissão da presidência temporária do Mercosul da Argentina para o Brasil | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR
As exportações brasileiras para a Argentina registraram queda de 18,1% nos últimos 12 meses, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Apesar da retração, o país governado por Javier Milei continua sendo o terceiro principal destino das vendas externas do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos.
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Em junho, o Brasil vendeu US$ 1,325 bilhão (cerca de R$ 6,81 bilhões, na cotação atual) ao país vizinho, ante US$ 1,617 bilhão (R$ 8,31 bilhões) no mesmo mês de 2025. Com isso, a participação da Argentina na pauta exportadora brasileira caiu de 5,6% para 3,7%.
Gráfico da relação comercial entre Brasil e Argentina | Arte: SBT News
Os dados mostram que a perda de espaço do mercado argentino foi gradual ao longo de 2026. Depois de encerrar 2025 ainda com alguns meses de crescimento nas compras brasileiras, como setembro (+24,8%) e outubro (+5,8%), a tendência se inverteu de forma consistente neste ano.
Em janeiro, as exportações já recuavam 24% na comparação anual. Em fevereiro, a queda chegou a 26,8%; em março diminuiu para 6,3%; em abril voltou a acelerar, com retração de 20,6%; em maio atingiu 21,8%; e, em junho, fechou em 18,1%. No mesmo período, a participação da Argentina nas vendas externas do Brasil caiu de 5,1% em julho do ano passado para os atuais 3,7%.
Crise diplomática elevou tensão
A divulgação dos números ocorre durante uma escalada nas tensões entre Brasil e Argentina. No último sábado (25), Javier Milei participou da convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Posteriormente, em entrevista à imprensa argentina, Milei voltou a atacar Lula, chamando o presidente brasileiro de "ex-presidiário", e afirmou, sem apresentar provas, que o governo brasileiro financiou uma campanha internacional contra sua gestão.
As declarações levaram o Itamaraty a convocar o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos, enquanto o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para consultas. Integrantes do governo brasileiro também reagiram publicamente às falas de Milei, enquanto Lula respondeu com ironia ao ser questionado sobre o presidente argentino.
Apesar da troca de acusações, o porta-voz da Casa Rosada, Adrian Ravier, afirmou que o governo argentino não acredita que a crise política entre os presidentes deva afetar a relação diplomática ou comercial entre os dois países. Segundo ele, as divergências são ideológicas e que "sempre houve insultos dos dois lados".
"Não acreditamos que isso vá impactar a relação diplomática entre os dois países, pelo menos da parte argentina", declarou.
Embora a queda registrada em 2026 seja significativa, a série histórica mostra que o comércio entre Brasil e Argentina costuma apresentar oscilações relevantes em razão do desempenho da economia argentina, da demanda da indústria automotiva, da taxa de câmbio e das condições do mercado regional.
Os próprios dados do Mdic revelam períodos alternados de retração e recuperação. Em 2023, as exportações brasileiras chegaram a crescer mais de 30% em alguns meses. Já em 2024 houve fortes quedas, que ultrapassaram 50%, seguidas por uma recuperação consistente ao longo de 2025. Em 2026, porém, o movimento voltou a ser predominantemente de retração, indicando um novo ciclo de desaceleração das compras argentinas.
Com governo Milei, exportações à Argentina seguem em quedaPaís segue como terceiro maior destino das exportações brasileiras, mas compras do país vizinho recuaram nos últimos 12 mesesEconomia2026-07-29T11:46:44.592ZAs exportações brasileiras para a Argentina registraram queda de 18,1% nos últimos 12 meses, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Apesar da retração, o país governado por Javier Milei continua sendo o terceiro principal destino das vendas externas do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Em junho, o Brasil vendeu US$ 1,325 bilhão (cerca de R$ 6,81 bilhões, na cotação atual) ao país vizinho, ante US$ 1,617 bilhão (R$ 8,31 bilhões) no mesmo mês de 2025. Com isso, a participação da Argentina na pauta exportadora brasileira caiu de 5,6% para 3,7%. + Os dados mostram que a perda de espaço do mercado argentino foi gradual ao longo de 2026. Depois de encerrar 2025 ainda com alguns meses de crescimento nas compras brasileiras, como setembro (+24,8%) e outubro (+5,8%), a tendência se inverteu de forma consistente neste ano. Em janeiro, as exportações já recuavam 24% na comparação anual. Em fevereiro, a queda chegou a 26,8%; em março diminuiu para 6,3%; em abril voltou a acelerar, com retração de 20,6%; em maio atingiu 21,8%; e, em junho, fechou em 18,1%. No mesmo período, a participação da Argentina nas vendas externas do Brasil caiu de 5,1% em julho do ano passado para os atuais 3,7%. Crise diplomática elevou tensão A divulgação dos números ocorre durante uma escalada nas tensões entre Brasil e Argentina. No último sábado (25), Javier Milei participou da convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Durante o discurso, o presidente argentino declarou apoio explícito a Flávio Bolsonaro, afirmou que o senador poderá derrotar Lula nas eleições de 2026, fez c, além de atribuir a crise econômica argentina a governos de esquerda. Posteriormente, em entrevista à imprensa argentina, Milei voltou a atacar Lula, chamando o presidente brasileiro de "ex-presidiário", e afirmou, sem apresentar provas, que o governo brasileiro financiou uma campanha internacional contra sua gestão. As declarações levaram o Itamaraty a Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos, enquanto o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, . Integrantes do governo brasileiro também reagiram publicamente às falas de Milei, enquanto Lula respondeu com ironia ao ser questionado sobre o presidente argentino. Apesar da troca de acusações, o porta-voz da Casa Rosada, Adrian Ravier, afirmou que o governo argentino não acredita que a crise política entre os presidentes deva afetar a relação diplomática ou comercial entre os dois países. Segundo ele, as divergências são ideológicas e que "sempre houve insultos dos dois lados". "Não acreditamos que isso vá impactar a relação diplomática entre os dois países, pelo menos da parte argentina", declarou. + Oscilações fazem parte do comércio Embora a queda registrada em 2026 seja significativa, a série histórica mostra que o comércio entre Brasil e Argentina costuma apresentar oscilações relevantes em razão do desempenho da economia argentina, da demanda da indústria automotiva, da taxa de câmbio e das condições do mercado regional. Os próprios dados do Mdic revelam períodos alternados de retração e recuperação. Em 2023, as exportações brasileiras chegaram a crescer mais de 30% em alguns meses. Já em 2024 houve fortes quedas, que ultrapassaram 50%, seguidas por uma recuperação consistente ao longo de 2025. Em 2026, porém, o movimento voltou a ser predominantemente de retração, indicando um novo ciclo de desaceleração das compras argentinas.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/com-governo-milei-exportacoes-a-argentina-seguem-em-queda-1