Política

Tarifaço: Vieira diz que Rubio ataca Lula de forma arrogante

Chanceler disse que taxas têm 'motivação política' e que novas tarifas foram oficializadas porque Brasil não se curvou a 'demandas irrazoáveis' dos EUA

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SBT News
16/07/2026, 18:13 • Atualizado em 16/07/2026, 18:27
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Ministro de Relações Internacionais, Mauro Vieira | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministro de Relações Internacionais, Mauro Vieira | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reagiu com duras críticas nesta quinta-feira (16) à aplicação do tarifaço sobre produtos brasileiros, na primeira declaração oficial do Itamaraty desde o anúncio feito durante a madrugada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA).

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Em fala à imprensa na sede do ministério, Vieira avaliou que o governo brasileiro fez o que pôde para negociar com a Casa Branca em mais de 30 encontros em diferentes níveis de governo, mas que as tarifas têm, no fundo, “motivação política" e foram aplicadas após o Brasil “não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações".

O chanceler estendeu as críticas ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirmou que a tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil havia sido aplicada porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não teria negociado “de boa-fé". Vieira afirmou que a declaração é “arrogante” e ofende o chefe de Estado de um país amigável aos EUA.

“Desde o primeiro momento, o presidente Lula buscou o diálogo e enfatizou a sua disposição em negociar qualquer tema. Nesse sentido, as declarações do secretário Marco Rubio [...] são inaceitáveis, ofensivas ao povo e ao governo brasileiro. Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo”, disse.
“Claramente o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações", completou.

O tarifaço foi oficializado após uma investigação iniciada em julho de 2025 pelo USTR para averiguar o que considera serem práticas desleais no comércio do Brasil. O gancho é a chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite medidas protecionistas ao comércio interno. Entraram na mira dos EUA temas como o Pix e o desmatamento florestal.

Vieira disse que ambas as alegações não afetam o comércio com os americanos. O chanceler destacou que o Pix é um sistema criado pelo Banco Central e difundido por todo o Brasil e que o país tem registrado quedas sucessivas nas taxas de desflorestamento nos últimos anos. Ele lembrou também que o uso da Seção 301 foi motivado por uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de bloquear a imposição de tarifaços a outros países no ano passado, incluindo o Brasil.

“Esses são apenas dois exemplos. Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não tem lastro na realidade", disse.

Reciprocidade

Poucas horas após o anúncio do governo americano, o Palácio do Planalto disse que iniciaria imediatamente os trâmites para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica e acionar a Organização Mundial de Comércio (OMC). Em nota oficial, o presidente Lula classificou a medida como unilateral, sem justificativa econômica e baseada em investigações que o Brasil considera ilegítimas.

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