Política

Tarifaço: em carta a Trump, governo manifesta “indignação” e pede diálogo para solução mútua

Documento também cobra uma resposta a uma proposta de negociação enviada em maio; “Brasil permanece pronto para dialogar”, diz documento

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Rafael Corrieri
16/07/2025, 16:28 • Atualizado em 16/07/2025, 17:04
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Trump e Lula | Reprodução

Trump e Lula | Reprodução

O governo brasileiro enviou, na terça-feira (15), uma carta para os Estados Unidos manifestando “indignação” com as tarifas de 50% sobre produtos nacionais anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O documento também pede diálogo entre os países para “negociar uma solução mutuamente aceitável”.

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A carta foi enviada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, direcionada ao secretário de comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer.

“A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países”, diz a carta.

O governo afirma ter dialogado de “boa-fé” com as autoridades norte-americanas desde antes do primeiro tarifaço de Trump no dia 2 de abril de 2025. A carta também cobra uma resposta do governo dos EUA a uma proposta de negociação enviada no dia 16 de maio, que ainda não foi respondida.

“Governo do Brasil reitera seu interesse em receber comentários do governo dos EUA sobre a proposta brasileira. O Brasil permanece pronto para dialogar com as autoridades americanas e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral”, diz o texto.

Leia a íntegra da carta:

"1. O Governo brasileiro manifesta sua indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto. A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países. Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da cooperação e da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas.

"2. Desde antes do anúncio das tarifas recíprocas em 2 de abril de 2025, e de maneira contínua desde então, o Brasil tem dialogado de boa-fé com as autoridades norte-americanas em busca de alternativas para aprimorar o comércio bilateral, apesar de o Brasil acumular com os Estados Unidos grandes déficits comerciais tanto em bens quanto em serviços, que montam, nos últimos 15 anos, a quase US$ 410 bilhões, segundo dados do governo dos Estados Unidos. Para fazer avançar essas negociações, o Brasil solicitou, em diversas ocasiões, que os EUA identificassem áreas específicas de preocupação para o governo norte-americano.

"3. Com esse mesmo espírito, o Governo brasileiro apresentou, em 16 de maio de 2025, minuta confidencial de proposta contendo áreas de negociação nas quais poderíamos explorar mais a fundo soluções mutuamente acordadas.

"4. O Governo brasileiro ainda aguarda a resposta dos EUA à sua proposta.

"5. Com base nessas considerações e à luz da urgência do tema, o Governo do Brasil reitera seu interesse em receber comentários do governo dos EUA sobre a proposta brasileira. O Brasil permanece pronto para dialogar com as autoridades americanas e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral, com o objetivo de preservar e aprofundar o relacionamento histórico entre os dois países e mitigar os impactos negativos da elevação de tarifas em nosso comércio bilateral."

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