STM rejeita pedido de Bolsonaro em caso de perda de patente
Defesa tentou afastar ministro que analisará processo sobre possível perda do posto de capitão reformado do Exército
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Warley Júnior, José Matheus Santos, Felipe Moraes
24/06/2026, 15:25 • Atualizado em 24/06/2026, 17:53
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Por unanimidade, o plenário do Superior Tribunal Militar (STM) decidiu nesta quarta-feira (24) manter o brigadeiro Joseli Parente Camelo na análise da ação que pode levar à perda da patente de capitão reformado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com isso, foi rejeitado, por 14 votos a 0, o recurso apresentado pela defesa do ex-mandatário.
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Alvo do pedido de suspeição, Camelo se declarou impedido de participar do julgamento antes da apresentação do voto da presidente da Corte e relatora do caso, ministra Maria Elizabeth Rocha.
Os advogados buscavam derrubar uma decisão anterior da presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, que havia negado o pedido de suspeição contra o ministro. A defesa sustentava que Camelo não teria imparcialidade necessária para atuar no caso. Os advogados apontam entrevistas que o ministro concedeu em 2023. Nelas, Camelo defendeu a condenação de Bolsonaro e outros militares pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no caso da trama golpista.
Outro argumento usado pela defesa é o histórico do ministro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Camelo foi comandante do avião presidencial durante o primeiro e segundo mandatos de Lula, assim como no primeiro mandato de Dilma.
Ao votar pela rejeição do recurso, Maria Elizabeth Rocha afirmou que não havia elementos suficientes para reconhecer a suspeição do magistrado. Segundo a relatora, as declarações atribuídas a Camelo foram genéricas e não fizeram referência direta a Bolsonaro nem ao processo em análise no STM.
"As alegações do agravante não mostraram embasamento mínimo de aptidão para afastar do julgamento da representação de indignidade", afirmou a ministra.
A presidente do STM também destacou que as manifestações do ministro reproduziram apenas um entendimento jurídico consolidado. Segundo ela, Camelo fez uma "declaração lógico-jurídica sem referência alguma ao agravante", completou.
Maria Elizabeth ressaltou ainda que a Justiça Militar da União não foi responsável pelo julgamento criminal dos atos de 8 de janeiro e argumentou que afastar o magistrado por esse motivo significaria adotar um entendimento mais rigoroso do que o utilizado pelo próprio Supremo Tribunal Federal (STF) em casos semelhantes.
Para a ministra, os argumentos apresentados pela defesa não possuem "suporte fático convincente" capaz de demonstrar comprometimento da imparcialidade de Camelo ou justificar seu afastamento do processo.
A ação em tramitação na Justiça Militar foi instaurada após a condenação criminal do ex-presidente pelo STF, que condenou Bolsonaro a cumprir pena de 27 anos e 3 meses de prisão. O procedimento no STM, porém, não reexamina os fatos nem a sentença aplicada pelo Supremo. A análise se concentra em verificar se as condutas atribuídas aos militares são compatíveis com a honra, a ética e o decoro exigidos dos oficiais das Forças Armadas.
Pela legislação militar, oficiais condenados podem ser submetidos a um julgamento específico para verificar se permanecem compatíveis com o oficialato. Caso o tribunal conclua que Bolsonaro é indigno ou incompatível para a função, ele poderá perder a patente e o posto de capitão reformado.
Além do recurso de Bolsonaro, o STM também analisou, na mesma sessão, um pedido da defesa do ex-chefe da Marinha Almir Garnier Santos. Advogados solicitavam revisão de uma decisão da ministra relatora do caso, Verônica Abdalla Sterman, que negou pedido de produção de provas e diligências documentais.
No caso do almirante de esquadra, a votação terminou em 10 a 4 para manter o entendimento da relatora, com divergências parciais de ministros.
STM rejeita pedido de Bolsonaro em caso de perda de patenteDefesa tentou afastar ministro que analisará processo sobre possível perda do posto de capitão reformado do ExércitoPolítica2026-06-24T15:25:38.648ZPor unanimidade, o plenário do Superior Tribunal Militar (STM) decidiu nesta quarta-feira (24) manter o brigadeiro Joseli Parente Camelo na análise da ação que pode levar à perda da patente de capitão reformado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com isso, foi rejeitado, por 14 votos a 0, o recurso apresentado pela defesa do ex-mandatário. Alvo do pedido de suspeição, Camelo se declarou impedido de participar do julgamento antes da apresentação do voto da presidente da Corte e relatora do caso, ministra Maria Elizabeth Rocha. Os advogados buscavam derrubar uma decisão anterior da presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, que havia negado o pedido de suspeição contra o ministro. A defesa sustentava que Camelo não teria imparcialidade necessária para atuar no caso. Os advogados apontam entrevistas que o ministro concedeu em 2023. Nelas, Camelo defendeu a condenação de Bolsonaro e outros militares pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no caso da trama golpista. Outro argumento usado pela defesa é o histórico do ministro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Camelo foi comandante do avião presidencial durante o primeiro e segundo mandatos de Lula, assim como no primeiro mandato de Dilma. Ao votar pela rejeição do recurso, Maria Elizabeth Rocha afirmou que não havia elementos suficientes para reconhecer a suspeição do magistrado. Segundo a relatora, as declarações atribuídas a Camelo foram genéricas e não fizeram referência direta a Bolsonaro nem ao processo em análise no STM. "As alegações do agravante não mostraram embasamento mínimo de aptidão para afastar do julgamento da representação de indignidade", afirmou a ministra. A presidente do STM também destacou que as manifestações do ministro reproduziram apenas um entendimento jurídico consolidado. Segundo ela, Camelo fez uma "declaração lógico-jurídica sem referência alguma ao agravante", completou. Maria Elizabeth ressaltou ainda que a Justiça Militar da União não foi responsável pelo julgamento criminal dos atos de 8 de janeiro e argumentou que afastar o magistrado por esse motivo significaria adotar um entendimento mais rigoroso do que o utilizado pelo próprio Supremo Tribunal Federal (STF) em casos semelhantes. Para a ministra, os argumentos apresentados pela defesa não possuem "suporte fático convincente" capaz de demonstrar comprometimento da imparcialidade de Camelo ou justificar seu afastamento do processo. A ação em tramitação na Justiça Militar foi instaurada após a condenação criminal do ex-presidente pelo STF, que condenou Bolsonaro a cumprir pena de 27 anos e 3 meses de prisão. O procedimento no STM, porém, não reexamina os fatos nem a sentença aplicada pelo Supremo. A análise se concentra em verificar se as condutas atribuídas aos militares são compatíveis com a honra, a ética e o decoro exigidos dos oficiais das Forças Armadas. Pela legislação militar, oficiais condenados podem ser submetidos a um julgamento específico para verificar se permanecem compatíveis com o oficialato. Caso o tribunal conclua que Bolsonaro é indigno ou incompatível para a função, ele poderá perder a patente e o posto de capitão reformado. Além do recurso de Bolsonaro, o STM também analisou, na mesma sessão, um pedido da defesa do ex-chefe da Marinha Almir Garnier Santos. Advogados solicitavam revisão de uma decisão da ministra relatora do caso, Verônica Abdalla Sterman, que negou pedido de produção de provas e diligências documentais. No caso do almirante de esquadra, a votação terminou em 10 a 4 para manter o entendimento da relatora, com divergências parciais de ministros.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/stm-rejeita-pedido-de-bolsonaro-em-caso-de-perda-de-patente