ONG brasileira denuncia contas do Telegram à agência federal
Segundo a SaferNet, foram identificados 1.093 links da plataforma com indícios de material de abuso sexual de menores; ação foi protocolada junto à ANPD
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Artur Maldaner
telegram
A ONG brasileira de combate a crimes virtuais SaferNet protocolou nesta quinta-feira (13), junto à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), representação pedindo a fiscalização da rede social Telegram por falha sistêmica no combate ao compartilhamento de materiais criminosos.
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O pedido é sustentado por uma pesquisa da organização, que identificou 1.093 endereços virtuais com indícios de material de abuso sexual contra crianças ou adolescentes.
Desses, seriam 518 perfis de usuários e robôs, 256 convites ativos, 192 canais e 127 grupos no Telegram com envolvimento com material criminoso. Também foram identificados 22 endereços com indícios de incitação à automutilação e ao suicídio.
A apuração teve como base 14.969 links do Telegram descobertos por meio do canal de denúncias da SaferNet, que foram encaminhados entre 2017 e 2026. De acordo com a instituição, as denúncias tiveram crescimento acentuado a partir de 2022 e atingiram o ápice em julho de 2026.
“Telegram não é apenas uma plataforma onde o abuso acontece, mas uma infraestrutura que, por sua arquitetura técnica, seu modelo de monetização e sua postura de moderação, estrutura e viabiliza a produção, a distribuição e a comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em escala industrial", afirmou o presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares.
A legislação do ECA Digital, que entrou em vigor em março deste ano, obriga a plataforma a prevenir riscos, remover e comunicar às autoridades a presença de conteúdos criminosos, incluindo aqueles de abuso sexual contra menores.
Metodologia
A possível presença de conteúdos criminosos foi observada pela organização por meio de consultas à camada pública das páginas, com acesso limitado à API, ou seja, sem ingresso em grupos e sem acesso a mensagens, mídia ou dados de participantes.
Todos os endereços denunciados foram entregues às autoridades para investigação.
Nos últimos nove anos, período em que foram registradas quase 15 mil denúncias, nem todos os endereços permaneceram ativos. Atualmente, cerca de 8.160 (54,5%) deles já foram removidos. Outros 4.851 (32,4%) são convites de grupos que foram revogados.
Mesmo assim, 1.958 links (13,1%) permaneciam ativos e públicos no momento da verificação. Entre eles, 435 são convites para grupos privados ainda válidos.
Materiais de abuso fabricados com IA
A SaferNet também destaca a presença de IAs de nudificação no Telegram, que “removem” digitalmente as roupas de fotografias comuns ou trocam o rosto da vítima em cenas pornográficas, sem exigir conhecimento técnico do usuário.
“A Internet Watch Foundation (IWF) registrou aumento de 26.385% nos vídeos realistas de abuso sexual infantil gerados por IA entre 2024 e 2025”, destacou a organização.
Segundo a diretora da SaferNet, Juliana Cunha, o Telegram se tornou o principal ambiente virtual para esse tipo de robô. Além disso, eles operam por meio de pagamentos virtuais em criptomoedas e Telegram Stars, a moeda digital da própria plataforma, que gera uma comissão de 15% a 30% sobre cada saque.
“As mecânicas de gratuidade inicial, créditos por check-in diário e gamificação dos bots de nudificação do Telegram criam uma porta de entrada desenhada sob medida para o público jovem", disse Juliana.
ONG brasileira denuncia contas do Telegram à agência federalSegundo a SaferNet, foram identificados 1.093 links da plataforma com indícios de material de abuso sexual de menores; ação foi protocolada junto à ANPDBrasil2026-08-14T21:47:30.444ZA ONG brasileira de combate a crimes virtuais SaferNet protocolou nesta quinta-feira (13), junto à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), representação pedindo a fiscalização da rede social Telegram por falha sistêmica no combate ao compartilhamento de materiais criminosos. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. O pedido é sustentado por uma pesquisa da organização, que identificou 1.093 endereços virtuais com indícios de material de abuso sexual contra crianças ou adolescentes. Desses, seriam 518 perfis de usuários e robôs, 256 convites ativos, 192 canais e 127 grupos no Telegram com envolvimento com material criminoso. Também foram identificados 22 endereços com indícios de incitação à automutilação e ao suicídio. A apuração teve como base 14.969 links do Telegram descobertos por meio do canal de denúncias da SaferNet, que foram encaminhados entre 2017 e 2026. De acordo com a instituição, as denúncias tiveram crescimento acentuado a partir de 2022 e atingiram o ápice em julho de 2026. “Telegram não é apenas uma plataforma onde o abuso acontece, mas uma infraestrutura que, por sua arquitetura técnica, seu modelo de monetização e sua postura de moderação, estrutura e viabiliza a produção, a distribuição e a comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em escala industrial", afirmou o presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares. , após identificar falhas na proteção de crianças e adolescentes na plataforma. O aplicativo foi alvo de críticas da primeira-dama Janja da Silva após uma adolescente de treze anos ter se suicidado durante video-chamada em servidor extremista. A legislação do ECA Digital, que entrou em vigor em março deste ano, obriga a plataforma a prevenir riscos, remover e comunicar às autoridades a presença de conteúdos criminosos, incluindo aqueles de abuso sexual contra menores. Metodologia A possível presença de conteúdos criminosos foi observada pela organização por meio de consultas à camada pública das páginas, com acesso limitado à API, ou seja, sem ingresso em grupos e sem acesso a mensagens, mídia ou dados de participantes. Todos os endereços denunciados foram entregues às autoridades para investigação. Nos últimos nove anos, período em que foram registradas quase 15 mil denúncias, nem todos os endereços permaneceram ativos. Atualmente, cerca de 8.160 (54,5%) deles já foram removidos. Outros 4.851 (32,4%) são convites de grupos que foram revogados. Mesmo assim, 1.958 links (13,1%) permaneciam ativos e públicos no momento da verificação. Entre eles, 435 são convites para grupos privados ainda válidos. Materiais de abuso fabricados com IA A SaferNet também destaca a presença de IAs de nudificação no Telegram, que “removem” digitalmente as roupas de fotografias comuns ou trocam o rosto da vítima em cenas pornográficas, sem exigir conhecimento técnico do usuário. “A Internet Watch Foundation (IWF) registrou aumento de 26.385% nos vídeos realistas de abuso sexual infantil gerados por IA entre 2024 e 2025”, destacou a organização. Segundo a diretora da SaferNet, Juliana Cunha, o Telegram se tornou o principal ambiente virtual para esse tipo de robô. Além disso, eles operam por meio de pagamentos virtuais em criptomoedas e Telegram Stars, a moeda digital da própria plataforma, que gera uma comissão de 15% a 30% sobre cada saque. “As mecânicas de gratuidade inicial, créditos por check-in diário e gamificação dos bots de nudificação do Telegram criam uma porta de entrada desenhada sob medida para o público jovem", disse Juliana. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/ong-pede-fiscalizacao-de-telegram-por-falhas-de-moderacao
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