Política

Senado adia votação de regras para planos de adaptação à mudança do clima

Governo e oposição fecharam acordo para que Projeto de Lei vá à CCJ e retorne para a pauta do plenário na quarta-feira (15)

G
Guilherme Resck
14/05/2024, 22:40 • Atualizado em 14/05/2024, 22:40
compartilhar
Projeto foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente do Senado na forma de um substitutivo | Waldemir Barreto/Agência Senado

Projeto foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente do Senado na forma de um substitutivo | Waldemir Barreto/Agência Senado

O plenário do Senado adiou por um dia, nesta terça-feira (14), a votação de um Projeto de Lei que estabelece diretrizes gerais para a elaboração dos planos de adaptação à mudança do clima.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Durante a sessão, senadores governistas defenderam que o projeto fosse votado no plenário hoje, mas Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou um requerimento para que o texto fosse encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça. Governo e oposição fecharam um acordo, então, para que o projeto vá à CCJ, seja analisado como primeiro item na quarta-feira (15) e volte para a pauta do plenário na própria quarta. A oposição assumiu o compromisso de que não pedirá vista na CCJ.

Flávio Bolsonaro disse que apresentou o requerimento para que o texto seja mais debatido e ele possa apresentar emendas. "É um projeto que é importante, mas era preciso ter mais debates até para haver a possibilidade de emendas, porque aqui o setor privado não está sendo ouvido em momento nenhum", pontuou.

Ainda de acordo com o parlamentar, as emendas que gostaria de apresentar ao texto são no sentido "de trazer o setor privado também para essa mesa de discussões, porque [no texto] está tudo na mão de órgãos governamentais, as diretrizes, as decisões que vão ser tomadas, aonde vai ser investido o dinheiro do orçamento".

O Projeto de Lei é de autoria da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). No Senado, antes de chegar ao plenário, passou apenas pela Comissão de Meio Ambiente, em que foi aprovado na forma de um substitutivo apresentado pelo relator, Alessandro Vieira (MDB-SE).

Pela versão atual do projeto, "os planos de adaptação à mudança do clima estabelecerão medidas para incluir a gestão do risco da mudança do clima nos planos e nas políticas públicas setoriais e temáticas existentes e nas estratégias de desenvolvimento local, municipal, estadual, regional e nacional".

São 11 as diretrizes dos planos de adaptação à mudança do clima. Entre elas, por exemplo:

  • A identificação, a avaliação e a priorização de medidas para enfrentar os desastres naturais recorrentes e diminuir a vulnerabilidade e a exposição dos sistemas ambiental, social, econômico e de infraestrutura, em áreas rurais e urbanas, e dos efeitos adversos atuais e esperados das mudanças do clima previstos nos âmbitos local, municipal, estadual, regional e nacional;
  • A gestão e a redução do risco climático diante dos efeitos adversos da mudança do clima, de modo a estimar, minimizar ou evitar perdas e danos e planejar e priorizar a gestão coordenada de investimentos, com base no grau de vulnerabilidade, conforme definido pela PNMC; e
  • O estabelecimento de instrumentos de políticas públicas econômicos, financeiros e socioambientais que assegurem a viabilidade e a eficácia da adaptação dos sistemas ambiental, social, econômico e de infraestruturas críticas.

O projeto diz ainda que "o plano nacional de adaptação à mudança do clima estabelecerá diretrizes para os planos estaduais e municipais". A elaboração dos planos estaduais, municipais e distrital poderá ser financiada por meio de recursos provenientes do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, entre outras fontes de financiamento.

A inclusão do projeto na pauta no plenário ocorreu num momento em que o Rio Grande do Sul passa por uma tragédia provocada por fortes chuvas.

Durante a discussão da matéria na sessão do plenário hoje, o líder do PT na Casa, Beto Faro (PT-PA), disse que a bancada votará a favor.

"Aqui nós não estamos indo contra ninguém, mas a favor dessa questão ambiental, preparar o país, preparar os estados e municípios para essas tragédias e essas questões que nós estamos vivendo hoje que não é só no RS, mas lá de uma dimensão que a gente nunca imaginava que pudesse acontecer", ressaltou.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (AP) disse que a matéria é urgente.

"Se antes existia alguma dúvida sobre a vigência do regime das mudanças climáticas, eu espero que os acontecimentos do RS tornem a compreensão nítida, cristalina, invevitável de que nós já estamos sobre a vigência do regime de mudanças climáticas", declarou.

"Isso por si mesmo já seria o suficiente para esse projeto ter sido apresentado pela deputada Tabata ontem e nós estarmos aprovando ele hoje. Só que não, o projeto é de 2022".

Se for aprovado pelo plenário do Senado na forma do substitutivo, o projeto voltará à Câmara dos Deputados.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Incêndio em barco deixa morto e 2 desaparecidos nos EUA

Incêndio em barco deixa morto e 2 desaparecidos nos EUA

Imagem da notícia: FGC ainda tem R$ 1,8 bi para devolver a clientes do Master

FGC ainda tem R$ 1,8 bi para devolver a clientes do Master

Imagem da notícia: Governo investiga empresa do "jogo do aviãozinho" no Brasil

Governo investiga empresa do "jogo do aviãozinho" no Brasil

Imagem da notícia: Motta defende execução de emendas: "Câmara cumpre a lei"

Motta defende execução de emendas: "Câmara cumpre a lei"

Imagem da notícia: Incêndio em barco deixa morto e 2 desaparecidos nos EUA

Incêndio em barco deixa morto e 2 desaparecidos nos EUA

Imagem da notícia: FGC ainda tem R$ 1,8 bi para devolver a clientes do Master

FGC ainda tem R$ 1,8 bi para devolver a clientes do Master

Imagem da notícia: Governo investiga empresa do "jogo do aviãozinho" no Brasil

Governo investiga empresa do "jogo do aviãozinho" no Brasil

Imagem da notícia: Motta defende execução de emendas: "Câmara cumpre a lei"

Motta defende execução de emendas: "Câmara cumpre a lei"

Últimas notícias

Pauta-bomba: Fazenda já trata ação no STF como provável

Preocupação do governo envolve o impacto fiscal da pauta da PEC, que se aproxima dos R$ 28 bilhões

Único voto contra ‘pauta-bomba’, Mourão cita risco fiscal

Senador gaúcho mencionou impacto previdenciário, mas foi voto solitário apesar de discurso no mesmo tom da base governista, que terminou ao lado da aprovação

América do Sul: Brasil assina acordo de mercado aéreo único

Tratado envolve países como Argentina, Chile e Paraguai e prevê criação de mercado aéreo integrado na região

Mega-Sena 3.031: prêmio acumula para R$ 30 milhões

Quina teve 24 apostas ganhadoras, que vão receber R$ 63.791,87 cada

Governo nega derrota com aprovação de "pauta-bomba"

Fazenda tentou evitar aprovação da PEC dos agentes de saúde por conta do impacto fiscal

Ministro da Fazenda ameaça retaliar EUA por novo tarifaço

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a potencial investida norte-americana como uma "medida despropositada"