Sabatina SBT: Zema quer reforma no STF e anistia a Bolsonaro
Candidato do Novo quer prisão de ministros e avalia que 8 de Janeiro não configurou tentativa de golpe; também falou sobre dívidas e relação com os EUA
Victor Schneider
Romeu Zema em sabatina no SBT News nesta quarta-feira | Reprodução/SBT News
Candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema afirmou, durante sabatina promovida pelo SBT News e pelo SBT nesta quarta-feira (19), que concederia indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado.
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Zema avaliou que o julgamento que sentenciou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão foi conduzido por um tribunal “político” e sugeriu refazer o processo, além de propor reformas mais amplas no Supremo Tribunal Federal (STF) e até a prisão de ministros.
“No mínimo, um novo tribunal nós precisamos fazer. Quem julgou lá? Foram os ministros do Supremo que não gostam dele e sempre o perseguiram", criticou.
O indulto é um ato de competência exclusiva do presidente e pode, na prática, extinguir a pena do ex-presidente e colocá-lo em liberdade.
A justificativa é de que, para Zema, o 8 de Janeiro não configurou uma tentativa de golpe, mas uma insurgência de "vândalos" que depredaram a Praça dos Três Poderes e deveriam ser julgados no âmbito daquele episódio isoladamente.
“Teve tiro? Teve derramamento de sangue? Não vi. Na história da humanidade, nunca houve uma tentativa de golpe semelhante àquela, avaliou.
Reformas, impeachment e prisões no STF
Dentre as reformas propostas por Zema para o STF estão uma idade mínima de 60 anos para novas indicações, a adoção de uma lista tríplice para a escolha e a proibição de decisões monocráticas – aquelas tomadas individualmente e posteriormente avaliadas pelos pares no plenário.
Crítico frequente da Corte, Zema voltou a citar os indícios de relação que parte dos ministros tem com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os principais alvos dos ataques são Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Dias Toffoli e Cristiano Zanin – esses dois últimos tiveram atuação jurídica ligada ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no passado, o que suscitou questionamentos de Zema sobre a legitimidade das indicações.
“Faltou colocar a sogra e o sobrinho dele no STF. Será que esse país é sério?”, ironizou.
Zema reafirmou nutrir a expectativa de que a oposição conquiste maioria suficiente no Senado para abrir processos de impeachment contra os magistrados, algo inédito na histórica republicana. E foi além: “Se depender de mim, prisão".
Privatizações
Zema declarou querer privatizar a Petrobras e retirar o monopólio da empresa na produção de combustíveis, como gasolina, diesel, GLP e gás natural. Para ele, a concorrência poderia tornar os serviços mais acessíveis e com preço menor para os consumidores.
“Eu quero fatiar a Petrobras para ter concorrência. Isso vai fazer o preço cair e não vai dar monopólio para ninguém. Eu venho de um setor supercompetitivo, o varejo, então sei que a concorrência é boa. Quero mais concorrência, e não um monopólio como existe hoje”, afirmou.
Relação com os EUA
O candidato do Novo demonstrou abertura a parcerias com os Estados Unidos no combate a facções criminosas em território nacional. A questão é ponto de conflito entre o governo Lula e a Casa Branca desde que o PCC e o Comando Vermelho foram designadas como organizações terroristas, o que parte do governo brasileiro entende como uma brecha para que militares americanos façam operações no Brasil sem o consentimento do Planalto.
“Cooperação com outros países para combater as facções criminosas que eu considero terroristas, nós vamos fazer, sim. Se os Estados Unidos puderem mandar imagens de satélite para a gente ver onde eles estão dominando, instalando barricadas, eu também quero”, afirmou.
Se eleito, Zema colocou a reaproximação com os EUA como uma de suas prioridades estratégicas pela importância que o mercado americano representa para empresas brasileiras, cujos produtos são alvo de tarifaços comerciais.
“Tem muita gente com empresas fechadas porque depende dos Estados Unidos. Cliente bom são os Estados Unidos, que são um dos nossos principais parceiros. É preciso tratar bem”, afirmou.
Dívida
Apesar do patamar alto da dívida mineira com a União – que passou de R$ 113 bilhões para mais de R$ 160 bilhões nos 8 anos de seu mandato –, Zema disse que, na realidade, o enfoque deve estar na recuperação da capacidade de pagamento do estado durante a gestão.
O candidato do Novo destacou ter deixado o mandato com um planejamento para pagar o rombo ao longo de 30 anos no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do governo federal.
O Propag permite a quitação dos passivos com juros mais brandos, reajustados próximos à inflação.
“Vamos dizer que alguém tem uma divida de R$ 5 mil. Se essa pessoa ganha R$ 2 mil por mês, essa dívida talvez seja elevada para ela. Mas se essa pessoa ganha R$ 30 mil, essa dívida é bastante pagável. O que aconteceu em Minas no meu governo foi que nós criamos o ambiente para a maior atração de investimentos e geração de emprego que fizeram, inclusive, com que a arrecadação do Estado crescesse", exemplificou.
Para Zema, seu principal legado foi tornar Minas solvente e regularizar o pagamento com o funcionalismo público, entre salários e direitos trabalhistas, como o 13º salário.
Eleitor mineiro
Atrás de adversários como Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre o próprio eleitorado mineiro, Zema avaliou que o cenário é normal e reflete a falta de importância dada no momento às eleições. Para ele, o quadro vai mudar com o início do período de campanha na TV, a partir de 28 de agosto, e progressivamente até o primeiro turno.
“Eleição é igual cardápio”, comparou, ao dizer que os eleitores tomam a decisão poucos dias antes do voto.
Questionado sobre a situação do também ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que lidera entre o eleitorado goiano, Zema ironizou:
“Talvez o Caiado tenha tido um dinheiro para gastar em comunicação durante o governo dele que eu não tive, porque assumi um Estado quebrado pelo PT".
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SBT e SBT News sabatinam candidatos à Presidência
O SBT News e o SBT deram início, na segunda-feira (17), à rodada de sabatinas com os candidatos à Presidência da República.
A rodada reúne os principais nomes que disputam a corrida eleitoral e abre espaço para que os candidatos apresentem propostas e posicionamentos sobre os principais assuntos do país.
A programação vai até sábado (22), com um candidato sabatinado por dia.
Sabatina SBT: Zema quer reforma no STF e anistia a BolsonaroCandidato do Novo quer prisão de ministros e avalia que 8 de Janeiro não configurou tentativa de golpe; também falou sobre dívidas e relação com os EUA
Política2026-08-19T22:46:14.862ZCandidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema afirmou, durante sabatina promovida pelo SBT News e pelo SBT nesta quarta-feira (19), que ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado. Zema avaliou que o julgamento que sentenciou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão foi conduzido por um tribunal “político” e sugeriu refazer o processo, além de propor reformas mais amplas no Supremo Tribunal Federal (STF) e até a prisão de ministros. “No mínimo, um novo tribunal nós precisamos fazer. Quem julgou lá? Foram os ministros do Supremo que não gostam dele e sempre o perseguiram", criticou. O indulto é um ato de competência exclusiva do presidente e pode, na prática, extinguir a pena do ex-presidente e colocá-lo em liberdade. A justificativa é de que, para Zema, o 8 de Janeiro não configurou uma tentativa de golpe, mas uma insurgência de "vândalos" que depredaram a Praça dos Três Poderes e deveriam ser julgados no âmbito daquele episódio isoladamente. “Teve tiro? Teve derramamento de sangue? Não vi. Na história da humanidade, nunca houve uma tentativa de golpe semelhante àquela, avaliou. Reformas, impeachment e prisões no STF Dentre as reformas propostas por Zema para o STF estão uma idade mínima de 60 anos para novas indicações, a adoção de uma lista tríplice para a escolha e a proibição de decisões monocráticas – aquelas tomadas individualmente e posteriormente avaliadas pelos pares no plenário. Crítico frequente da Corte, Zema voltou a citar os indícios de relação que parte dos ministros tem com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os principais alvos dos ataques são Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Dias Toffoli e Cristiano Zanin – esses dois últimos tiveram atuação jurídica ligada ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no passado, o que suscitou questionamentos de Zema sobre a legitimidade das indicações. + “Faltou colocar a sogra e o sobrinho dele no STF. Será que esse país é sério?”, ironizou. Zema reafirmou nutrir a expectativa de que a oposição conquiste maioria suficiente no Senado para abrir processos de impeachment contra os magistrados, algo inédito na histórica republicana. E foi além: “Se depender de mim, prisão". Privatizações Zema declarou querer privatizar a Petrobras e retirar o monopólio da empresa na produção de combustíveis, como gasolina, diesel, GLP e gás natural. Para ele, a concorrência poderia tornar os serviços mais acessíveis e com preço menor para os consumidores. “Eu quero fatiar a Petrobras para ter concorrência. Isso vai fazer o preço cair e não vai dar monopólio para ninguém. Eu venho de um setor supercompetitivo, o varejo, então sei que a concorrência é boa. Quero mais concorrência, e não um monopólio como existe hoje”, afirmou. Relação com os EUA O candidato do Novo demonstrou abertura a parcerias com os Estados Unidos no combate a facções criminosas em território nacional. A questão é ponto de conflito entre o governo Lula e a Casa Branca desde que o PCC e o Comando Vermelho foram designadas como organizações terroristas, o que parte do governo brasileiro entende como uma brecha para que militares americanos façam operações no Brasil sem o consentimento do Planalto. “Cooperação com outros países para combater as facções criminosas que eu considero terroristas, nós vamos fazer, sim. Se os Estados Unidos puderem mandar imagens de satélite para a gente ver onde eles estão dominando, instalando barricadas, eu também quero”, afirmou. Se eleito, Zema colocou a reaproximação com os EUA como uma de suas prioridades estratégicas pela importância que o mercado americano representa para empresas brasileiras, cujos produtos são alvo de tarifaços comerciais. “Tem muita gente com empresas fechadas porque depende dos Estados Unidos. Cliente bom são os Estados Unidos, que são um dos nossos principais parceiros. É preciso tratar bem”, afirmou. Dívida Apesar do patamar alto da dívida mineira com a União – que passou de R$ 113 bilhões para mais de R$ 160 bilhões nos 8 anos de seu mandato –, Zema disse que, na realidade, o enfoque deve estar na recuperação da capacidade de pagamento do estado durante a gestão. O candidato do Novo destacou ter deixado o mandato com um planejamento para pagar o rombo ao longo de 30 anos no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do governo federal. O Propag permite a quitação dos passivos com juros mais brandos, reajustados próximos à inflação. “Vamos dizer que alguém tem uma divida de R$ 5 mil. Se essa pessoa ganha R$ 2 mil por mês, essa dívida talvez seja elevada para ela. Mas se essa pessoa ganha R$ 30 mil, essa dívida é bastante pagável. O que aconteceu em Minas no meu governo foi que nós criamos o ambiente para a maior atração de investimentos e geração de emprego que fizeram, inclusive, com que a arrecadação do Estado crescesse", exemplificou. Para Zema, seu principal legado foi tornar Minas solvente e regularizar o pagamento com o funcionalismo público, entre salários e direitos trabalhistas, como o 13º salário. Eleitor mineiro Atrás de adversários como Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre o próprio eleitorado mineiro, Zema avaliou que o cenário é normal e reflete a falta de importância dada no momento às eleições. Para ele, o quadro vai mudar com o início do período de campanha na TV, a partir de 28 de agosto, e progressivamente até o primeiro turno. “Eleição é igual cardápio”, comparou, ao dizer que os eleitores tomam a decisão poucos dias antes do voto. Questionado sobre a situação do também ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que lidera entre o eleitorado goiano, : “Talvez o Caiado tenha tido um dinheiro para gastar em comunicação durante o governo dele que eu não tive, porque assumi um Estado quebrado pelo PT". 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. SBT e SBT News sabatinam candidatos à Presidência O SBT News e o SBT deram início, na segunda-feira (17), à rodada de sabatinas com os candidatos à Presidência da República. A rodada reúne os principais nomes que disputam a corrida eleitoral e abre espaço para que os candidatos apresentem propostas e posicionamentos sobre os principais assuntos do país. Os participantes foram definidos previamente, e a ordem das entrevistas foi estabelecida por sorteio. O (Missão), na segunda (17), (Avante), na terça. A vai até sábado (22), com um candidato sabatinado por dia.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/sabatina-sbt-zema-quer-reforma-no-stf-e-anistia-a-bolsonaro
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