Política

Reforma ministerial só deve ocorrer após eleições municipais, dizem aliados de Lula

Presidente quer esperar resultados pelas prefeituras e consolidação de candidaturas no Legislativo para decidir trocas no primeiro escalão

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Afonso Benites
09/06/2024, 22:48 • Atualizado em 10/06/2024, 12:00
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Nísia Trindade e Lula durante reunião em janeiro de 2023 (Ricardo Stuckert/PR)

Nísia Trindade e Lula durante reunião em janeiro de 2023 (Ricardo Stuckert/PR)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia atender aos anseios do centrão e promover uma reforma ministerial apenas após as eleições municipais de outubro. A ideia, conforme auxiliares do Palácio do Planalto, é analisar qual será o cenário político após as escolhas de novos prefeitos, ver quais partidos se fortaleceram, quais se enfraqueceram e entender quem terá condições de dar mais apoio ao governo no Congresso Nacional.

Lula tem sido pressionado a trocar ministros desde o início do ano. As críticas se intensificaram de abril para cá em ao menos dois momentos: 1) quando o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), declarou ser desafeto do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha; 2) após o governo sofrer derrotas na sessão de vetos do Congresso Nacional, na semana retrasada. Apesar disso, nenhuma troca foi feita. Lula até chegou a dizer que não trocaria Padilha “só por teimosia”.

Atualmente, os 39 ministérios são ocupados por 13 partidos. São 12 ministros indicados pelo PT. As legendas MDB, União Brasil e PSD indicaram três ministros cada um. O PSB, tem dois ministérios. Enquanto Rede, Republicanos, PSOL, Progressistas, PDT, PRD e PCdoB têm um indicado cada um.

Os outros nove ministros são considerados técnicos, entre eles a responsável pela pasta da Saúde, Nísia Trindade. Ela é o principal alvo do centrão porque é um dos ministérios com maior capilaridade e orçamento da Esplanada. Suas ações atingem todas as cidades brasileiras e servem como vitrine para os gestores.

Sem colar a imagem

Hoje, uma preocupação no Planalto é que, antes das eleições, ainda há representantes de partidos da base do governo que não querem ter sua imagem vinculada à de Lula. Entre eles estão representantes da bancada da Bíblia, que compõem a Frente Parlamentar Evangélica.

Um desses parlamentares disse ao SBT News que se Lula o chamasse para uma conversa no Planalto nos próximos dias, ele não iria porque não gostaria de ser ligado ao PT antes do pleito de outubro.

“Tem candidato a prefeito que eu apoio no interior que me pediu para não aparecer com o Lula. Depois da eleição a conversa muda, com certeza”, disse.

Eleição no Congresso

Outro cenário que o governo espera ficar mais claro para efetivar trocas ministeriais é o de uma definição sobre candidaturas às presidências da Câmara e do Senado.

Entre os deputados, o objetivo é avaliar se o atual presidente, Arthur Lira (PP-AL), manterá forças para eleger seu sucessor ou se o Planalto conseguirá espaço para apoiar uma candidatura que lhe seja mais favorável.

No Senado, o jogo parece menos nebuloso. A leitura é a de que o ex-presidente Davi Alcolumbre (União-AP) terá menos dificuldade para retornar ao cargo. Tanto aliados do governo quanto opositores dão como certa a eleição dele e, talvez, até uma candidatura única.

Caso apareça outro nome, seria apenas para marcar presença, como a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que gostaria de debater pautas femininas, ou de algum representante da oposição, que não fosse tão expressivo nem exercesse um papel de liderança entre seus pares.

Ainda assim, o Planalto entende que as duas situações precisam ficar melhores definidas para que não entreguem ministérios a quem não entregará votos no Legislativo.

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