Quem é Didê, administrador de recursos da Cedae preso no Rio
Davi Perini Vermelho já havia sido alvo da Polícia Federal e chegou a ser preso durante a pandemia
Anita Prado
09/07/2026, 13:27 • Atualizado em 09/07/2026, 13:30
compartilhar
Davi Perini Vermelho, o "Didê", presidente do IRM | Reprodução/Redes sociais
Preso nesta quinta-feira (9) em uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, construiu sua influência política na Baixada Fluminense até assumir o comando de um dos órgãos que passou a administrar grande parte dos recursos da privatização da Cedae, companhia responsável pelo abastecimento de água e pelo tratamento de esgoto no estado do Rio de Janeiro.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
Ex-presidente da Câmara Municipal de São João de Meriti por três mandatos consecutivos, Didê deixou o Legislativo em dezembro de 2022 para assumir a presidência do Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia criada para planejar e executar projetos de saneamento, mobilidade urbana e desenvolvimento na Região Metropolitana do Rio.
Com a privatização da Cedae, em 2021, o instituto passou a administrar um orçamento de centenas de milhões de reais provenientes da concessão da companhia. O volume de recursos elevou o peso político do órgão e transformou seu presidente em um dos principais responsáveis pela definição dos investimentos em obras na região.
Em 2023, a Assembleia Legislativa aprovou uma lei que ampliou as atribuições do Instituto Rio Metrópole. Além dos projetos estruturantes, o órgão passou a executar também obras de menor porte, como pavimentação de ruas na Baixada Fluminense. A proposta foi apresentada pelo então deputado estadual Valdecy da Saúde (PL), aliado político de Didê e ex-candidato à Prefeitura de São João de Meriti. Apesar de ter recebido parecer contrário da Procuradoria-Geral do Estado, que considerou a medida inconstitucional, o projeto foi aprovado. Às vésperas das eleições municipais, o instituto executou obras que beneficiaram aliados políticos de Didê e do governador Cláudio Castro (PL), em intervenções consideradas eleitoreiras.
A prisão desta quinta-feira não é a primeira vez que Didê entra na mira das autoridades.
Em abril de 2025, ele foi um dos alvos da Operação Teatro Invisível 2, da Polícia Federal, que investigava uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, lavar dinheiro e financiar campanhas eleitorais com recursos de caixa dois. Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 3,5 bilhões em bens dos investigados, a suspensão das atividades de oito empresas e autorizou buscas em endereços ligados ao então presidente do Instituto Rio Metrópole.
Segundo a investigação, integrantes do grupo utilizavam uma estratégia incomum durante campanhas eleitorais: contratavam atores para espalhar informações falsas em locais públicos com o objetivo de atacar adversários políticos.
Antes disso, em 2022, Didê também foi preso em uma operação conjunta do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da Polícia Civil de Santa Catarina. Na investigação, ele foi apontado como proprietário da empresa que vendeu respiradores com suspeita de sobrepreço ao governo catarinense durante a pandemia de Covid-19.
Na operação desta quinta-feira, o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF), do Ministério Público do Rio, denunciou Didê e outras dez pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia, Didê liderava o núcleo de agentes públicos responsável pelo esquema dentro do Instituto Rio Metrópole, autorizando contratações, assinando contratos e controlando pagamentos. Para os investigadores, contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026 foram utilizados para desviar R$ 86,28 milhões de recursos públicos por meio de empresas contratadas e de uma entidade apontada como de fachada. De acordo com o Ministério Público, os recursos eram repassados à organização e, em seguida, sacados em espécie.
Quem é Didê, administrador de recursos da Cedae preso no RioDavi Perini Vermelho já havia sido alvo da Polícia Federal e chegou a ser preso durante a pandemiaPolítica2026-07-09T13:27:51.481Z, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, construiu sua influência política na Baixada Fluminense até assumir o comando de um dos órgãos que passou a administrar grande parte dos recursos da privatização da Cedae, companhia responsável pelo abastecimento de água e pelo tratamento de esgoto no estado do Rio de Janeiro. + Ex-presidente da Câmara Municipal de São João de Meriti por três mandatos consecutivos, Didê deixou o Legislativo em dezembro de 2022 para assumir a presidência do Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia criada para planejar e executar projetos de saneamento, mobilidade urbana e desenvolvimento na Região Metropolitana do Rio. Com a privatização da Cedae, em 2021, o instituto passou a administrar um orçamento de centenas de milhões de reais provenientes da concessão da companhia. O volume de recursos elevou o peso político do órgão e transformou seu presidente em um dos principais responsáveis pela definição dos investimentos em obras na região. Em 2023, a Assembleia Legislativa aprovou uma lei que ampliou as atribuições do Instituto Rio Metrópole. Além dos projetos estruturantes, o órgão passou a executar também obras de menor porte, como pavimentação de ruas na Baixada Fluminense. A proposta foi apresentada pelo então deputado estadual Valdecy da Saúde (PL), aliado político de Didê e ex-candidato à Prefeitura de São João de Meriti. Apesar de ter recebido parecer contrário da Procuradoria-Geral do Estado, que considerou a medida inconstitucional, o projeto foi aprovado. Às vésperas das eleições municipais, o instituto executou obras que beneficiaram aliados políticos de Didê e do governador Cláudio Castro (PL), em intervenções consideradas eleitoreiras. + Alvo recorrente de investigações A prisão desta quinta-feira não é a primeira vez que Didê entra na mira das autoridades. Em abril de 2025, ele foi um dos alvos da Operação Teatro Invisível 2, da Polícia Federal, que investigava uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, lavar dinheiro e financiar campanhas eleitorais com recursos de caixa dois. Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 3,5 bilhões em bens dos investigados, a suspensão das atividades de oito empresas e autorizou buscas em endereços ligados ao então presidente do Instituto Rio Metrópole. Segundo a investigação, integrantes do grupo utilizavam uma estratégia incomum durante campanhas eleitorais: contratavam atores para espalhar informações falsas em locais públicos com o objetivo de atacar adversários políticos. Antes disso, em 2022, Didê também foi preso em uma operação conjunta do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da Polícia Civil de Santa Catarina. Na investigação, ele foi apontado como proprietário da empresa que vendeu respiradores com suspeita de sobrepreço ao governo catarinense durante a pandemia de Covid-19. + Nova prisão Na operação desta quinta-feira, o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF), do Ministério Público do Rio, denunciou Didê e outras dez pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, Didê liderava o núcleo de agentes públicos responsável pelo esquema dentro do Instituto Rio Metrópole, autorizando contratações, assinando contratos e controlando pagamentos. Para os investigadores, contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026 foram utilizados para desviar R$ 86,28 milhões de recursos públicos por meio de empresas contratadas e de uma entidade apontada como de fachada. De acordo com o Ministério Público, os recursos eram repassados à organização e, em seguida, sacados em espécie.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/quem-e-dide-administrador-de-recursos-da-cedae-preso-no-rio
Operação cumpre mandados de busca e apreensão para investigar armazenamento e compartilhamento de imagens de violência sexual contra crianças e adolescentes