PT monitora riscos eleitorais no Nordeste e pede a Lula “freio de arrumação”
Presidente terá de decidir pessoalmente sobre impasse no Maranhão; situações de Bahia e Ceará estão no radar


Eduardo Gayer
Tradicional reduto do PT, o Nordeste passou a apresentar um cenário eleitoral mais delicado para o partido, com dificuldades na formação de chapas e pesquisas de intenção de voto desfavoráveis. O quadro acendeu o alerta no Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) da sigla, que tem reunião marcada para a próxima segunda-feira (2) e pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um “freio de arrumação” na montagem dos palanques.
O receio do PT é enfraquecer a campanha à reeleição de Lula na região, sobretudo diante de um horizonte já considerado desafiador em dois dos principais colégios eleitorais do País. Em São Paulo e Minas Gerais, os nomes preferidos do presidente para disputar os governos estaduais — Fernando Haddad e Rodrigo Pacheco — resistem às sondagens.
No Nordeste, o maior impasse está no Maranhão, onde a esquerda se encontra dividida. Aliado do governo federal, o governador Carlos Brandão (PSB) não pretende cumprir um acordo firmado em 2022 que previa sua candidatura ao Senado e a do vice, Felipe Camarão (PT), ao governo do Estado, com o apoio da máquina administrativa.
Brandão e Camarão estão rompidos. O governador deseja indicar o sobrinho, Orleans Brandão (sem partido), como sucessor e pode desistir da disputa ao Senado para permanecer no cargo, movimento que dificultaria os planos do vice. O PT defende o lançamento de Camarão ao governo, com Brandão concorrendo ao Senado em dobradinha com o ministro do Esporte, André Fufuca (PP).
Integrante do GTE, o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) avalia que Lula terá de arbitrar pessoalmente a crise maranhense. “É preciso fazer um freio de arrumação. Mas ele tem o mapa da eleição na cabeça e saberá como resolver”, afirmou o parlamentar à coluna.
Na semana passada, Lula conversou rapidamente com Camarão e sinalizou que deve chamá-lo para uma nova reunião em breve. “Afirmei ao presidente que estou à disposição e não serei empecilho para a construção da aliança no Maranhão”, disse o vice-governador ao SBT News.
No Ceará, a entrada de Ciro Gomes (PSDB) na pré-campanha ao governo elevou o risco de derrota do governador Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição. Segundo interlocutores, Lula considera prematuro discutir uma eventual substituição de Elmano pelo ministro da Educação, o ex-governador Camilo Santana (PT), hipótese levantada por aliados.
Situação semelhante ocorre na Bahia. No Estado, parte do PT defende a retirada da candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que aparece atrás de ACM Neto (União Brasil) nas pesquisas. A alternativa seria lançar o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), ex-governador que hoje pretende disputar uma vaga no Senado ao lado de Jaques Wagner. Lula, no entanto, também resiste à ideia de barrar a tentativa de reeleição do atual governador.
Além disso, a formação da chapa na Bahia enfrenta um impasse na definição dos senadores. O PT não pretende ceder uma vaga para o senador Ângelo Coronel (PSD), que busca a reeleição. Para evitar que o aliado migre para a oposição, os petistas propuseram a Coronel o espaço de suplente. Nesse desenho, com todos eventualmente reeleitos, Lula daria um ministério para Wagner e Coronel assumiria o cargo no Senado.









