PF investiga suspeita de contrabando de haitianos após voo com 113 passageiros em Viracopos (SP)
Imigrantes ficaram cerca de 10 horas dentro da aeronave em Campinas após polícia identificar vistos humanitários falsificados

Fernanda Trigueiro
A Polícia Federal (PF) vai investigar um suposto caso de contrabando de imigrantes haitianos após um grupo ficar cerca de 10 horas dentro de um avião no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo, nesta quinta-feira (12).
O grupo saiu de Porto Príncipe, capital do Haiti, em um voo fretado e foi impedido de desembarcar após chegar ao Brasil.
O avião pousou por volta das 9h da manhã de quinta-feira, mas os passageiros só começaram a ser liberados da aeronave quase dez horas depois.
Em nota, a Polícia Federal informou que, durante o controle migratório de rotina, identificou que 113 passageiros estavam com vistos humanitários falsificados.
Segundo os agentes, o caso será investigado para apurar possíveis crimes de falsificação de documentos e contrabando de imigrantes, além de identificar os responsáveis pelas irregularidades.
A empresa responsável pelo voo afirmou que os passageiros pretendiam pedir refúgio ou proteção migratória no Brasil e disse que não tem conhecimento sobre documentos falsos.
A advogada da companhia aérea, Débora Pinter, declarou que todos os documentos apresentados teriam sido verificados antes da viagem.
“Não chegou ao nosso conhecimento essa informação sobre documentos falsos. Se essa informação chegar até nós, vamos verificar o que aconteceu, porque todos os documentos foram checados.”
Imigrantes aguardam regularização
Os haitianos permanecem em uma sala restrita do aeroporto de Viracopos enquanto aguardam análise da situação migratória.
A Polícia Federal informou que fará uma força-tarefa durante o fim de semana para iniciar o processo de admissão no Brasil.
Uma organização não governamental que atua no apoio a migrantes e refugiados também está auxiliando o grupo e oferecendo acolhimento para quem não tem para onde ir.
A presidente da ONG Panahgah, Sophia Nobre, afirmou que a entidade vai ajudar na regularização dos documentos.
“A gente se propôs a ajudar no processo de documentação. No final de semana estaremos aqui para ajudar para que os documentos sejam liberados o mais rápido possível.”
Até agora, 21 pessoas já tiveram a documentação regularizada.









