PT diz que Flávio e aliados usam IA contra Lula e aciona TSE
Federação Brasil da Esperança pede remoção de publicações, quebra de sigilos e apuração de rede com cerca de 30 perfis anônimos

Presidente Lula (PT) | Ricardo Stuckert/PR
A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, apresentou nesta quinta-feira (30) uma ação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma suposta rede de perfis anônimos nas redes sociais que utilizaria inteligência artificial (IA) para produzir conteúdos ofensivos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a representação, parlamentares da oposição, entre eles o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os deputados federais Mário Frias (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO) e Gilvan da Federal (PL-ES), teriam compartilhado parte desse material em seus perfis.
A petição pede a remoção de mais de 70 publicações, a identificação dos responsáveis pelos perfis, a suspensão de eventual monetização das contas e a preservação de dados pelas plataformas. O processo também solicita a quebra de sigilo telemático para identificar os administradores das páginas.
A federação identificou cerca de 30 perfis anônimos no Instagram que atuariam de forma coordenada por meio da ferramenta collab – recurso que permite a publicação conjunta de conteúdos entre diferentes contas. Os vídeos seriam produzidos com inteligência artificial e posteriormente replicados por parlamentares, ampliando o alcance das publicações.
Um dos exemplos citados é uma postagem que retrata o presidente Lula em frente à Casa Branca segurando uma bolsa de dinheiro e vestindo uma camiseta com a frase "Trump, deixa nossos bandidos em paz". O conteúdo foi publicado inicialmente por um perfil anônimo e compartilhado no dia seguinte pelo senador Flávio Bolsonaro.

A ação desta quinta foi protocolada poucos dias após outro episódio envolvendo o uso de inteligência artificial pela família Bolsonaro. No sábado (25), durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, um vídeo produzido com IA, que simulava a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi exibido.
A gravação, apresentada enquanto o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, afirmava que ele havia sido alvo de uma decisão "injusta e arbitrária" e pedia apoio à candidatura do filho.
Após a exibição, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa de Bolsonaro prestasse esclarecimentos. Os advogados informaram ao STF que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem e de sua voz na produção do material.
O Tribunal Superior Eleitoral ainda deverá analisar os pedidos apresentados pela Federação Brasil da Esperança. Os parlamentares citados na representação ainda não haviam se manifestado sobre a ação até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto e o texto será atualizado caso haja posicionamento das partes.
















