Ministro nega crise diplomática entre Brasil e Argentina
Márcio Elias Rosa, do MDIC, diz não ver ruptura entre os países; Milei criticou Lula e instituições brasileiras durante convenção do PL em SP
Caio Barcellos, Valentina Moreira
Lula e Milei | Foto: Reprodução/REUTERS/Mariana Nedelcu
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, negou nesta quinta-feira (30) que Brasil e Argentina estejam atravessando uma crise diplomática capaz de comprometer as relações comerciais entre os dois países.
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“Eu realmente não conheço nenhuma crise diplomática com a Argentina [...] Sinceramente, acho que não há crise nenhuma lá”, afirmou durante o fórum Outlook Agro Brasil, realizado na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
A declaração foi dada depois de Márcio Elias ser questionado se o aumento da tensão política entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Javier Milei poderia prejudicar negociações para a abertura de mercados e a ampliação do comércio bilateral em meio as tarifas impostas ao Brasil pelos Estados Unidos
Em seguida, o ministro chamou o embaixador Alex Giacomelli, secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do MDIC, para dar mais detalhes. Contudo, ele adotou um tom mais cauteloso, reconhecendo os recentes atritos e sem apresentar novas informações.
“Os fatos são públicos, nosso embaixador [em Buenos Aires, Julio Bitelli] foi chamado a Brasília e, desde então, não houve nenhum fato novo”, afirmou Giacomelli.
O diplomata disse que será necessário esperar a redução das tensões, mas ressaltou que os canais oficiais entre os dois governos permanecem abertos.
“Diplomaticamente, nós temos que esperar um pouco passar essa situação, mas as relações diplomáticas continuam”, declarou.
Entenda a tensão
O desgaste começou depois de Milei participar, no sábado (25), da convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Durante o evento em São Paulo, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”, criticou o governo brasileiro e atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando-o de “lixo careca”.
"O Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas desse modelo [socialista], mas pode vivê-las se não der uma volta neste barco. Confiamos em você, Flávio, para vencer, parar a escória socialista”, disse Milei ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro.
Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, para manifestar o descontentamento do governo brasileiro e cobrar explicações. A pasta também chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, de volta a Brasília para consultas.
A convocação do representante argentino é um protesto diplomático formal. Já o retorno de Bitelli representa um gesto mais forte de insatisfação, porque retira temporariamente o chefe da missão brasileira de Buenos Aires para que o governo reavalie a relação bilateral. As medidas, contudo, não significam rompimento das relações entre os países.
No domingo (26), Milei voltou a criticar Lula em entrevista à rádio Mitre. O argentino reclamou de ter sido impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro e comparou o episódio à visita feita por Lula à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar.
“Quis ir ver meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram, mas aqui o ex-presidiário veio cumprimentar a condenada. Ninguém o proibiu de nada”, afirmou.
Milei também acusou o governo brasileiro, sem apresentar provas, de financiar uma campanha “anti-Argentina” nas redes sociais durante e após a Copa do Mundo de 2026 e disse que integrantes ligados a Lula participaram da campanha presidencial de Sergio Massa em 2023.
“[Os brasileiros] tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou você se esquece de que os assessores de [Sergio] Massa eram um grupo de brasileiros que Lula enviou? Eles atuaram ativamente naquela campanha”, afirmou Milei, sem apresentar provas.
Apesar da tensão entre os presidentes, os dois países mantêm uma relação econômica marcada pela integração das cadeias produtivas, especialmente no setor automotivo, e pela participação conjunta no Mercosul.
A Argentina permanece como um dos principais destinos dos produtos industrializados brasileiros. Mesmo com a queda de 18,1% no fluxo nos últimos 12 meses, o país governado por Milei continua sendo o terceiro principal destino das vendas externas do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos.
Ao negar a existência de uma crise, o MDIC não considera que os atritos tenham provocado, até o momento, uma ruptura nas tratativas comerciais.
“Vamos esperar para que não haja nada além disso”, afirmou Giacomelli.
Ministro nega crise diplomática entre Brasil e ArgentinaMárcio Elias Rosa, do MDIC, diz não ver ruptura entre os países; Milei criticou Lula e instituições brasileiras durante convenção do PL em SPMundo2026-07-30T15:21:44.123ZO ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, negou nesta quinta-feira (30) que Brasil e Argentina estejam atravessando uma crise diplomática capaz de comprometer as relações comerciais entre os dois países. “Eu realmente não conheço nenhuma crise diplomática com a Argentina [...] Sinceramente, acho que não há crise nenhuma lá”, afirmou durante o fórum Outlook Agro Brasil, realizado na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A declaração foi dada depois de Márcio Elias ser questionado se o aumento da tensão política entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Javier Milei poderia prejudicar negociações para a abertura de mercados e a ampliação do comércio bilateral em meio as tarifas impostas ao Brasil pelos Estados Unidos Em seguida, o ministro chamou o embaixador Alex Giacomelli, secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do MDIC, para dar mais detalhes. Contudo, ele adotou um tom mais cauteloso, reconhecendo os recentes atritos e sem apresentar novas informações. “Os fatos são públicos, nosso embaixador [em Buenos Aires, Julio Bitelli] foi chamado a Brasília e, desde então, não houve nenhum fato novo”, afirmou Giacomelli. O diplomata disse que será necessário esperar a redução das tensões, mas ressaltou que os canais oficiais entre os dois governos permanecem abertos. “Diplomaticamente, nós temos que esperar um pouco passar essa situação, mas as relações diplomáticas continuam”, declarou. Entenda a tensão O desgaste começou depois de Milei participar, no sábado (25), da convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante o evento em São Paulo, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”, criticou o governo brasileiro e atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando-o de “lixo careca”. "O Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas desse modelo [socialista], mas pode vivê-las se não der uma volta neste barco. Confiamos em você, Flávio, para vencer, parar a escória socialista”, disse Milei ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro. Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, para manifestar o descontentamento do governo brasileiro e cobrar explicações. A pasta também chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, de volta a Brasília para consultas. A convocação do representante argentino é um protesto diplomático formal. Já o retorno de Bitelli representa um gesto mais forte de insatisfação, porque retira temporariamente o chefe da missão brasileira de Buenos Aires para que o governo reavalie a relação bilateral. As medidas, contudo, não significam rompimento das relações entre os países. No domingo (26), Milei voltou a criticar Lula em entrevista à rádio Mitre. O argentino reclamou de ter sido impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro e comparou o episódio à visita feita por Lula à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar. “Quis ir ver meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram, mas aqui o ex-presidiário veio cumprimentar a condenada. Ninguém o proibiu de nada”, afirmou. Milei também acusou o governo brasileiro, sem apresentar provas, de financiar uma campanha “anti-Argentina” nas redes sociais durante e após a Copa do Mundo de 2026 e disse que integrantes ligados a Lula participaram da campanha presidencial de Sergio Massa em 2023. “[Os brasileiros] tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou você se esquece de que os assessores de [Sergio] Massa eram um grupo de brasileiros que Lula enviou? Eles atuaram ativamente naquela campanha”, afirmou Milei, sem apresentar provas. Apesar da tensão entre os presidentes, os dois países mantêm uma relação econômica marcada pela integração das cadeias produtivas, especialmente no setor automotivo, e pela participação conjunta no Mercosul. A Argentina permanece como um dos principais destinos dos produtos industrializados brasileiros. Mesmo com a queda de 18,1% no fluxo nos últimos 12 meses, o país governado por Milei continua sendo o terceiro principal destino das vendas externas do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos. Ao negar a existência de uma crise, o MDIC não considera que os atritos tenham provocado, até o momento, uma ruptura nas tratativas comerciais. “Vamos esperar para que não haja nada além disso”, afirmou Giacomelli.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/ministro-nega-crise-diplomatica-entre-brasil-e-argentina
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