Política

Após debandada, PSDB de SP tenta se recuperar com retorno de Mario Covas Neto

Ex-vereador perdeu o posto no legislativo da cidade de São Paulo nas eleições de 2020

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Leonardo Rodrigues
18/05/2024, 01:45 • Atualizado em 20/05/2024, 20:43
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Paulo Serra (ao centro), prefeito de Santo André e presidente do diretório estadual do PSDB, discursa em evento de filiação de Mario Covas Neto | SBT News

Paulo Serra (ao centro), prefeito de Santo André e presidente do diretório estadual do PSDB, discursa em evento de filiação de Mario Covas Neto | SBT News

Dias depois do apresentador José Luiz Datena ter anunciado, na última quarta-feira (15), que pretende ser o candidato do PSDB na disputa pela prefeitura de São Paulo, a sigla comemorou, nesta sexta (17), o retorno de um nome conhecido para o ninho tucano: Mario Covas Neto.

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Filho do ex-governador de São Paulo, que morreu de câncer em 2001, Mario Covas Neto amargou derrota nas eleições de 2020 ao tentar se manter como vereador da capital paulista pelo terceiro mandato.

O político disse ao SBT News que não pretende ser candidato a nenhum cargo nas eleições municipais de outubro. Mas tucanos falaram em "Datena e Zuzinha", em alusão a uma possível chapa para a prefeitura da capital formada pelo apresentador José Luiz Datena e por Covas Neto, que tem esse apelido.

Presidente nacional do partido e ex-governador de Goiás, Marconi Perillo assegurou que Covas Neto terá "todo o impulso do diretório nacional" nos projetos tucanos para retomar a relevância em São Paulo. Depois de perder o governo estadual -- onde esteve por 28 anos -- para Tarcísio de Freitas (Republicanos), o PSDB paulistano viu centenas de prefeitos migrarem para o PSD de Gilberto Kassab e perdeu todos os seus vereadores na capital.

Segundo o dirigente, o retorno de Covas é fundamental para a "virada [tucana]" no estado. Apesar de não haver nenhuma oficialização de chapa, uma fonte no partido afirmou que a agenda de Perillo em São Paulo tinha como objetivo, além do evento de filiação, uma reunião para tratar das candidaturas na cidade.

Agora celebrado como uma das ferramentas de reposicionamento do PSDB, Covas Neto deixou o partido, em 2018, após conflitos com o ex-governador João Doria, então prefeito de São Paulo. Durante sua passagem pela política, Doria acumulou desafetos e foi acusado de tentar controlar a legenda.

Covas Neto afirmou que a sigla "perdeu suas referências" no estado com as saídas de Geraldo Alckmin (agora vice-presidente da República, no PSB) e a morte de Bruno Covas. "Isso criou brigas internas e, infelizmente, minou a democracia interna do partido", avaliou.

Para ele, as perdas da prefeitura de São Paulo e do governo estadual permitem que, agora, os tucanos "se reciclem". Entre os líderes da legenda, não há constrangimento em admitir o encolhimento. A estratégia agora é de reconstrução.

As idas e vindas de Datena

O apresentador José Luiz Datena disse ao SBT News, na última quarta-feira (15). que irá "até o fim" em sua candidatura para prefeito de São Paulo pelo PSDB. O ex-senador José Aníbal, que comanda o diretório tucano na capital, também confirmou a intenção de seguir em frente na empreitada.

Datena afirmou que a decisão final caberá à sigla. Vale lembrar que as candidaturas às eleições municipais deste ano devem ser registradas até 15 de agosto na Justiça Eleitoral.

O apresentador, no entanto, ensaiou entrar na política outras quatro vezes, mas sempre retrocedeu e seguiu na televisão.

Em 2016, ele teve uma pré-candidatura à prefeitura de São Paulo lançada pelo PP, mas desistiu sob a alegação de que o partido foi implicado em denúncias de corrupção pela Operação Lava Jato. Dois anos depois, não seguiu em frente com a uma candidatura a senador pelo extinto Democratas.

Em 2020, afirmou que seria candidato a vice-prefeito de São Paulo na vitoriosa chapa de Bruno Covas (PSDB), morto em 2021, mas abriu mão a pedido da Bandeirantes. Nas últimas eleições, em 2022, era pré-candidato ao Senado no estado, pelo PSC. Indefinições quanto à composição da chapa estadual minaram a empreitada.

A aliança com Tabata Amaral

Em abril deste ano, trocou a sigla pelo PSDB, o que poderia levar os tucanos ao palanque de Tabata. O movimento de lançar Datena a prefeito, contudo, indica que esses dois grupos devem ser adversários nas urnas.

José Aníbal disse ao SBT News que o principal objetivo do PSDB no pleito é "fortalecer o centro democrático" e admira Tabata, que pertence a este campo, mas a variável da força eleitoral de Datena alterou os movimentos da sigla. Procurada, a assessoria da parlamentar não comentou o assunto.

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