Política

"Polarização política tem atrapalhado atuação integrada de polícias", diz Gakiya na CPI do Crime Organizado

Promotor usou a operação Carbono Oculto como exemplo a ser seguido; para ele, a integração das forças resultou em uma das principais ações contra o crime

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Murillo Otavio
25/11/2025, 14:54 • Atualizado em 25/11/2025, 15:06
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Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de SP | Divulgação/Edilson Rodrigues/Agência Senado

Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de SP | Divulgação/Edilson Rodrigues/Agência Senado

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou nesta terça-feira (25), em depoimento à CPI do Crime Organizado do Senado, que a polarização política tem atrapalhado a atuação integrada das polícias e do Ministério Público no combate às facções.

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Como exemplo, ele citou a operação Carbono Oculto. Deflagrada em agosto deste ano, a ação revelou ligações entre o crime organizado e o mercado financeiro. A operação contou com participação de diversos órgãos de controle federais e estaduais.

"Parece que a polarização política que tomou conta do país prejudica ainda mais a integração. Ouso dizer que dificilmente teríamos a operação Carbono Oculto hoje. As forças federais teriam cooperação, em nível de instituição, com forças estaduais, se são governos opostos politicamente?", declarou o promotor.

Segundo Gakiya, que investiga o Primeiro Comando da Capital (PCC) há duas décadas, os órgãos vivem "disputas institucionais" que prejudicam investigações contra o crime organizado.

O promotor defendeu que, em vez de concentrar o debate em mudanças legislativas, o Congresso e o Poder Público deveriam discutir mecanismos para estabelecer cooperação entre forças de segurança e o Ministério Público.

Aos integrantes da CPI, Gakiya lembrou que o projeto que cria o marco legal de combate ao crime organizado, o PL Antifacção, permite a criação de operações, com participação da Polícia Federal e do MP, mas condiciona essa integração a um acordo formal.

Para ele, o modelo previsto no texto, já aprovado na Câmara e à espera de análise no Senado, "engessa" a integração porque depende da assinatura dos governos estaduais. "Em estados polarizados, dificilmente o governador ou o secretário vai autorizar a assinatura de um termo", afirmou.

Durante o depoimento, o integrante do Gaeco declarou que o Brasil possui instrumentos legislativos suficientes para enfrentar organizações criminosas, mas sofre com a falta de "coordenação, integração e cooperação interna".

"O que percebo é uma absoluta falta de coordenação, de integração e de cooperação interna. A gente tem hoje uma PF com pouco mais de 13 mil policiais. Sou defensor de que tenhamos o fortalecimento da PF", disse.

"Não é admissível que um país continental tenha 13 mil policiais federais. Isso precisa ser revisto, assim como a divisão de competências. Mas, por outro lado, não se deve desprezar a força dos estados."

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