PGR defende manter domiciliar de Bolsonaro apesar de carta
Manifestação diz que ex-presidente violou incomunicabilidade após leitura de documento por Flávio, mas que ato não justifica retorno ao regime fechado
José Matheus Santos, Victor Schneider
17/07/2026, 22:36 • Atualizado em 17/07/2026, 23:08
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Ex-presidente Jair Bolsonaro chega à sua casa em Brasília para cumprir prisão domiciliar após receber alta hospitalar | 27/03/2026/Reuters/Adriano Machado
A Procuradoria-Geral da República enviou manifestação nesta sexta-feira (17) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que a carta escrita à mão pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e lida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) infringiu a determinação de incomunicabilidade estabelecida pelo STF.
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Apesar disso, o procurador-geral Paulo Gonet considerou que o episódio não justifica o retorno de Bolsonaro ao regime fechado. A manifestação recomenda a manutenção da prisão domiciliar humanitária e orienta o Supremo a deixar claros os limites das ações de Bolsonaro no período eleitoral para se manter em conformidade com as condicionantes do benefício humanitário.
Cabe agora a Moraes decidir se mantém ou não o ex-presidente em casa. A transferência ocorreu em março, depois que Bolsonaro foi diagnosticado com quadro de broncopneumonia e argumentou que as dependências do Complexo Penitenciário da Papuda era insuficientes para suprir as necessidades médicas.
No sábado (11), Flávio leu o documento, intitulado "Carta aos Brasileiros", em live no YouTube aos moldes do que fazia o pai durante o seu governo. Nela, Bolsonaro dizia estar “saudoso” do povo brasileiro e citava a necessidade de “arregaçar as mangas” e deixar “de lado as possíveis diferenças” em prol da candidatura do filho, em uma fala interpretada como tentativa de pacificar a crise instalada na pré-campanha pela ex-primeira-dama Michelle.
Brasília, 11/Jul/26
CARTA AOS BRASILEIROS
“Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso… pic.twitter.com/5WM7FCjXr4
Como mostrou o SBT News, Flávio foi à casa do pai, no Jardim Botânico de Brasília, justamente em um horário que sabia que a madrasta não estaria presente. Saiu de lá com a carta escrita à mão e convocou a live poucas horas depois.
Na segunda (13), o ministro Alexandre de Moraes proibiu o senador de visitar o pai por 90 dias, o que na prática impede qualquer contato entre os dois até o primeiro turno das eleições. O ministro entendeu que Flávio usou a visita para obter e divulgar um documento de endosso do pai, descumprindo uma ordem judicial que proíbe qualquer comunicação de Bolsonaro pelas redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
Os advogados do ex-presidente, porém, disseram a Moraes que Bolsonaro não estava ciente de que o documento seria publicizado em transmissão ao vivo. A defesa também argumentou que outras cartas escritas pelo ex-presidente não haviam suscitado a mesma ordem restritiva.
PGR defende manter domiciliar de Bolsonaro apesar de cartaManifestação diz que ex-presidente violou incomunicabilidade após leitura de documento por Flávio, mas que ato não justifica retorno ao regime fechado
Política2026-07-17T22:36:55.053ZA Procuradoria-Geral da República enviou manifestação nesta sexta-feira (17) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que a carta escrita à mão pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e lida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) infringiu a determinação de incomunicabilidade estabelecida pelo STF. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Apesar disso, o procurador-geral Paulo Gonet considerou que o episódio não justifica o retorno de Bolsonaro ao regime fechado. A manifestação recomenda a manutenção da prisão domiciliar humanitária e orienta o Supremo a deixar claros os limites das ações de Bolsonaro no período eleitoral para se manter em conformidade com as condicionantes do benefício humanitário. + Cabe agora a Moraes decidir se mantém ou não o ex-presidente em casa. A transferência ocorreu em março, depois que Bolsonaro foi diagnosticado com quadro de broncopneumonia e argumentou que as dependências do Complexo Penitenciário da Papuda era insuficientes para suprir as necessidades médicas. No sábado (11), Flávio leu o documento, intitulado "Carta aos Brasileiros", em live no YouTube aos moldes do que fazia o pai durante o seu governo. Nela, Bolsonaro dizia estar “saudoso” do povo brasileiro e citava a necessidade de “arregaçar as mangas” e deixar “de lado as possíveis diferenças” em prol da candidatura do filho, em uma fala interpretada como tentativa de pacificar a crise instalada na pré-campanha pela ex-primeira-dama Michelle. Como mostrou o SBT News, Flávio foi à casa do pai, no Jardim Botânico de Brasília, justamente em um horário que . Saiu de lá com a carta escrita à mão e convocou a live poucas horas depois. Na segunda (13), o ministro Alexandre de Moraes o que na prática impede qualquer contato entre os dois até o primeiro turno das eleições. O ministro entendeu que Flávio usou a visita para obter e divulgar um documento de endosso do pai, descumprindo uma ordem judicial que proíbe qualquer comunicação de Bolsonaro pelas redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. Os advogados do ex-presidente, porém, disseram a Moraes que Bolsonaro não estava ciente de que o documento seria publicizado em transmissão ao vivo. A defesa também argumentou que outras cartas escritas pelo ex-presidente não haviam suscitado a mesma ordem restritiva.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/pgr-defende-manter-domiciliar-de-bolsonaro-apesar-de-carta