PF: servidores do BC sabiam dos "crimes" ao atender Vorcaro
Documentos do caso Master mostram como Paulo Sérgio e Belline Santana atuaram como interlocutores dos interesses do ex-banqueiro junto ao Banco Central
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Ighor Nóbrega
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master | Reprodução/Facebook
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As mensagens destacadas pela Polícia Federal no inquérito mostram que os primeiros contatos entre Vorcaro, Paulo Sérgio e Belline Santana se deram em 2023. A partir de então, os servidores passaram a orientar a atuação do banqueiro e auxiliá-lo no andamento de seus negócios.
Segundo o relatório da PF, os dois servidores sabiam da “gravidade e do caráter criminoso de suas condutas”. Por isso, tentaram ocultar o teor das conversas a partir de mensagens simplificadas e chamadas de voz.
Paulo Sérgio, que era chefe adjunto no Departamento de Supervisão Bancária (DESUP), chegou a listar tópicos que Vorcaro deveria se ater na reunião que teria com o presidente do Banco Central, Campos Neto.
O servidor também auxiliou nas negociações pessoais do empresário. Ele intermediou e facilitou trativas para a venda do Letsbank, inclusive na busca por potenciais compradores. Em uma dessas consultorias, disse que o Nubank estaria interessado na aquisição.
Paulo Sérgio atuou ainda na revisão do da compra do Willbank pelo Master/Reag, negada anteriormente. O negócio foi fechado em 2024.
“Por óbvio, não é razoável que servidor público da área de fiscalização bancária demonstre empenho em negócios privados dos fiscalizados, ou parabenize um dos banqueiros por se tornar dono de outra instituição financeira”, destaca o relatório da PF.
A partir de 2025, a consultoria prestada por Paulo Sérgio passa a focar na tentativa de venda do Master para o BRB para resolver a crise de liquidez do banco de Vorcaro.
O servidor alertou o banqueiro sobre movimentações que chamaram a atenção do setor de monitoramento do Banco Central. Ele também teria ajudado Vorcaro a obter empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para contornar o rombo.
Em mensagem trocada com seu cunhado Fabiano Zettel, Daniel Vorcaro afirmou que o funcionário do BC “tá sendo um anjo na vida”. Ele orientou seu operadora financeiro a tratá-lo bem.
A interlocução dentro do Banco Central também envolveu o então servidor Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Os contatos dele com Vorcaro também iniciaram em 2023 e evoluíram para uma consultoria especializada em 2025.
Trechos das conversas entre os dois mostram que Belline atuava “no mesmo time” do banqueiro, quase como um integrante do Banco Master. Ele trabalhou na revisão de documentos estratégicos em prol da instituição, seja por demanda ou por iniciativa própria.
Além disso, o servidor se reuniu ao menos uma vez com Vorcaro. O encontro foi realizado em março de 2024 na residência do empresário.
Belline e Paulo Sérgio mantinham ainda um grupo no WhatsApp com Vorcaro intitulado “Master”. O chat foi aberto em outubro de 2025, um mês depois de o Banco Central barrar a venda do banco para o BRB. A PF afirma que Daniel Vorcaro utilizava o grupo para pedir apoio dos dois servidores dentro do BC.
PF: servidores do BC sabiam dos "crimes" ao atender VorcaroDocumentos do caso Master mostram como Paulo Sérgio e Belline Santana atuaram como interlocutores dos interesses do ex-banqueiro junto ao Banco CentralPolítica2026-09-11T12:01:43.643Z detalham como funcionava o serviço de consultoria e interlocução prestado por servidores do Banco Central em benefício do então banqueiro Daniel Vorcaro junto à autarquia. As mensagens destacadas pela Polícia Federal no inquérito mostram que os primeiros contatos entre Vorcaro, Paulo Sérgio e Belline Santana se deram em 2023. A partir de então, os servidores passaram a orientar a atuação do banqueiro e auxiliá-lo no andamento de seus negócios. Segundo o relatório da PF, os dois servidores sabiam da “gravidade e do caráter criminoso de suas condutas”. Por isso, tentaram ocultar o teor das conversas a partir de mensagens simplificadas e chamadas de voz. Paulo Sérgio, que era chefe adjunto no Departamento de Supervisão Bancária (DESUP), chegou a listar tópicos que Vorcaro deveria se ater na reunião que teria com o presidente do Banco Central, Campos Neto. O servidor também auxiliou nas negociações pessoais do empresário. Ele intermediou e facilitou trativas para a venda do Letsbank, inclusive na busca por potenciais compradores. Em uma dessas consultorias, disse que o Nubank estaria interessado na aquisição. Paulo Sérgio atuou ainda na revisão do da compra do Willbank pelo Master/Reag, negada anteriormente. O negócio foi fechado em 2024. “Por óbvio, não é razoável que servidor público da área de fiscalização bancária demonstre empenho em negócios privados dos fiscalizados, ou parabenize um dos banqueiros por se tornar dono de outra instituição financeira”, destaca o relatório da PF. A partir de 2025, a consultoria prestada por Paulo Sérgio passa a focar na tentativa de venda do Master para o BRB para resolver a crise de liquidez do banco de Vorcaro. O servidor alertou o banqueiro sobre movimentações que chamaram a atenção do setor de monitoramento do Banco Central. Ele também teria ajudado Vorcaro a obter empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para contornar o rombo. Em mensagem trocada com seu cunhado Fabiano Zettel, Daniel Vorcaro afirmou que o funcionário do BC “tá sendo um anjo na vida”. Ele orientou seu operadora financeiro a tratá-lo bem. A interlocução dentro do Banco Central também envolveu o então servidor Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Os contatos dele com Vorcaro também iniciaram em 2023 e evoluíram para uma consultoria especializada em 2025. Trechos das conversas entre os dois mostram que Belline atuava “no mesmo time” do banqueiro, quase como um integrante do Banco Master. Ele trabalhou na revisão de documentos estratégicos em prol da instituição, seja por demanda ou por iniciativa própria. Além disso, o servidor se reuniu ao menos uma vez com Vorcaro. O encontro foi realizado em março de 2024 na residência do empresário. Belline e Paulo Sérgio mantinham ainda um grupo no WhatsApp com Vorcaro intitulado “Master”. O chat foi aberto em outubro de 2025, um mês depois de o Banco Central barrar a venda do banco para o BRB. A PF afirma que Daniel Vorcaro utilizava o grupo para pedir apoio dos dois servidores dentro do BC.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/pf-servidores-do-bc-sabiam-dos-crimes-ao-atender-vorcaro