Política

PF e PGR decidem negociar só em conjunto delações de INSS e Master

Acordo foi fechado após divergências em colaboração de empresário; acordos envolvendo banco de Vorcaro já seguiam critério

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Sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília | Divulgação/Leobark Rodrigues/Secom/MPF

As cúpulas da Polícia Federal e da PGR (Procuradoria-Geral da República) decidiram negociar delações premiadas nos casos INSS e Master exclusivamente em conjunto.

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A decisão foi tomada para evitar possíveis nulidades dos acordos de colaboração e garantir que as informações e os benefícios estejam em sintonia com o que a PGR espera dos processos penais, segundo autoridades dos dois órgãos ouvidos pelo SBT News.

O acordo entre PF e PGR diverge do procedimento adotado na colaboração do tenente-coronel Mauro Cid, delator da trama golpista.

O militar fechou a delação somente com a PF, diante da resistência da PGR de Augusto Aras de denunciar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A Procuradoria foi contrária à colaboração de Mauro Cid, de início, sob o argumento de que o Ministério Público foi escanteado nas negociações. Depois, sob Paulo Gonet, a PGR concordou com o acordo firmado pela Polícia Federal.

Agora, a decisão das cúpulas dos dois órgãos é interromper negociações de colaborações premiadas que sejam conduzidas unilateralmente. É o caso da Polícia Federal com alvos das fraudes do INSS, cujos acordos passam a depender da concordância da PGR.

Banco Master

A cooperação entre PF e PGR foi acertada nos bastidores em março, quando o banqueiro Daniel Vorcaro apresentou interesse em negociar uma delação premiada.

Os dois órgãos definiram que a atuação em conjunto seria a melhor saída para dar seguranças aos acordos de colaboração.

O acordo, porém, não valia para os casos envolvendo as fraudes dos descontos ilegais no INSS.

O empresário Maurício Camisotti, preso em setembro de 2025, passou a negociar com a PF os termos de uma colaboração premiada ainda no ano passado.

A corporação não informou a PGR sobre as negociações, e a equipe de Paulo Gonet só soube do acerto pela imprensa.

Em fevereiro, Gonet enviou petição ao Supremo pedindo que a delação de Camisotti fosse interrompida para que a PGR pudesse acompanhar o acordo, como define a legislação.

A Polícia Federal só concordou com a inclusão da PGR nas negociações na semana passada. Os investigadores pediram a devolução do acordo, já enviado ao Supremo para homologação, e vai rediscutir os termos com a participação da Procuradoria.

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