Política

Operação contra Ciro une Centrão e gera movimento para estancar investigações em ano eleitoral

Esforço acontece após a chamada PEC da Blindagem, que limitava a atuação dos investigadores, ser aprovada na Câmara e barrada pelo Senado

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Marcela Mattos
09/05/2026, 16:18 • Atualizado em 09/05/2026, 16:18
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Ciro Nogueira | Foto: Fabio rodrigues-pozzebom/agência brasil

Ciro Nogueira | Foto: Fabio rodrigues-pozzebom/agência brasil

A operação da última quinta-feira (7) contra o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), uniu políticos do Centrão em torno de críticas à Polícia Federal e renovou as movimentações para que sejam colocados freios às investigações.

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A 5ª fase da Compliance Zero apura a suspeita de que Nogueira atuou no Congresso Nacional para beneficiar o Banco Master. O senador apresentou uma emenda elaborada pela assessoria do próprio Master que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A medida, na avaliação de interlocutores do Master, sextuplicaria o negócio e provocaria “uma verdadeira hecatombe no mercado”.

A investigação aponta repasses mensais do Master ao senador que chegam à cifra dos R$ 500 mil, além do custeio de viagens, de contas de restaurantes e a aquisição de uma empresa em valores subvalorizados.

Ciro Nogueira foi alvo de buscas, teve o aparelho telefônico apreendido e está impedido de manter contato com outros investigados. Um deles é seu irmão, Raimundo Nogueira, administrador da empresa da família que teria viabilizado o recebimento dos recursos. Raimundo terá de ser monitorado por uma tornozeleira eletrônica.

Aliados do senador afirmam que a operação foi uma “violência” contra o irmão de Ciro e tentam minimizar a apresentação de uma emenda feita pelo Master dizendo que é comum que parlamentares acatem sugestões de empresas e categorias. Em uma rede social, o senador afirmou que está “completamente indignado” e que “tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”.

Depois da operação, políticos do Centrão afirmaram que há um direcionamento nas investigações da PF e uma ação deliberada para se criar um desgaste a menos de cinco meses das eleições. “Eles sabem o que estão fazendo e que há um prejuízo eleitoral irreparável”, afirma, sob anonimato, uma das principais lideranças do grupo.

Nos bastidores, critica-se o fato de a PF não ter um órgão de controle externo, a exemplo do Conselho Nacional de Justiça, que aplica sanções contra juízes, e do Conselho Nacional do Ministério Público, responsável por investigar promotores e procuradores, o que, dizem, abre margem para abusos.

Por isso, parlamentares defendem que haja algum tipo de freio de arrumação para conter as investidas - medida que vem sendo aventada ao longo de toda essa legislatura. No ano passado, a Câmara chegou a aprovar a chamada PEC da Blindagem, que limitava a ação da PF contra deputados e senadores. Diante da pressão popular, porém, o projeto acabou enterrado no Senado.

Os questionamentos também respingam no governo. Para esses políticos, foram designados para postos-chave investigadores que trabalham politicamente e com o objetivo de atingir desafetos da gestão Lula.

A operação contra Ciro Nogueira acontece dez dias depois de outra frente de apuração do órgão mirar políticos do Centrão e gerar desgastes no grupo político. Além de Nogueira, foram alvos o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

A PF apura um suposto contrabando após a bagagem deles não ser alvo de fiscalização de um auditor da Receita Federal ao retornar de uma viagem ao Caribe em um avião particular. Os parlamentares negam quaisquer irregularidades.

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