"Não queremos fazer na marra, queremos um acordo", diz Lula sobre subvenção ao diesel
Em entrevista no Ceará, presidente disse que o governo está negociando com governadores a proposta para conter alta do combustível
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Ighor Nóbrega
01/04/2026, 13:32 • Atualizado em 01/04/2026, 13:48
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Presidente Lula (PT) em entrevista à TV Cidade, no Ceará | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (1º) que espera a adesão total dos governadores à proposta do governo para a subvenção a importadores de diesel. A medida tem como objetivo conter a alta do preço do combustível provocada pela guerra no Irã.
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"Estamos propondo aos governadores reduzir o ICMS, o governo pagar metade e eles pagarem metade. Não queremos fazer na marra, queremos um acordo", declarou Lula em entrevista à TV Cidade, do Ceará.
A proposta do Planalto prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel. A União e os estados dividem o valor. A estimativa é que a medida dure dois meses e tenha um impacto fiscal de R$ 4 bilhões. A arrecadação dos estados será compensada pela retenção do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
"Nós tomamos a atitude de isentar PIS/Cofins para a Petrobras não precisar aumentar [o preço], e fizemos a isenção para os governadores não precisarem aumentar. O que acontece é que tem gente mau-caráter que mesmo não precisando aumentar, está aumentando. Nós estamos fiscalizando porque precisamos colocar alguém na cadeia", afirmou Lula.
O presidente voltou a reclamar sobre a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2019 pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). O petista afirmou que se a distribuidora ainda pertencesse à Petrobras, o governo teria como garantir que alta dos preços não chegasse aos consumidores.
"Se a gente tivesse distribuidora a gente controlava. Hoje a Petrobras abaixa o preço, mas não chega na bomba. Quando tinha BR, não chegava porque era nossa", declarou.
Lula também retomou as críticas aos Estados Unidos e Israel e responsabilizou Trump e Netanyahu pela guerra contra o Irã e o subsequente impacto no mercado de petróleo. O petista disse que o conflito foi motivado por uma "mentira" sobre a intenção do Irã em produzir bombas nucleares.
Ele ainda comparou com as guerras no Iraque e na Líbia, que segundo ele não comprovaram a intenção desses países em desenvolverem armas químicas. "Eles [países do Conselho de Segurança da ONU] divulgam mentiras a vida inteira para poderem fazer essas bobagens. Guerra nunca resolveu nada", completou.
Lula ressaltou a importância das eleições deste ano ao Senado Federal e destacou a necessidade de o governo de formar uma base no Congresso. O presidente disse que o PT só tem 9 senadores e menos de 70 deputados e que o Planalto precisa de "muita conversa, costura e sensibilidade política" para governar.
"As eleições para o Senado são muito importantes. Governador mantém uma relação civilizada porque precisa do presidente da República, mas senador, com mandato de 8 anos, acha que é Deus e pode criar muito problema se não tiver base de sustentação no Senado", afirmou o chefe do Executivo federal.
O presidente falou que, para criar essa base, será necessário fazer composição "não só com quem gosta, mas com quem pensa diferente e seja minimamente capaz de construir um projeto".
Sobre o cenário político no Ceará, há indefinição. O partido já tem Camilo Santana com mandato na Casa Alta e pode lançar o deputado José Guimarães, atual líder do governo na Câmara, para uma das duas cadeiras em disputa em outubro. Lula exaltou o deputado, mas disse que as negociações ainda estão em andamento e que não descarta a aliança com outra sigla.
"O PT tem governador, prefeito da capital e senador do Ceará. Nós precisamos montar chapas com outros partidos para que eles se sintam à vontade para compartilhar a governança. É normal que uma vaga pro Senado seja de outros partidos", afirmou.
Para o governo do Estado, Lula ainda não cravou o apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), mas disse que o petista "faz um bom papel" no governo do estado, "merece ser o candidato" e tem "todas as condições" de ser reeleito.
A disputa ao Executivo estadual deve ser com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que foi ministro de Lula. Contudo, o presidente não poupou críticas ao ex-aliado. Lula disse que sempre respeitou Ciro, mas que o ex-ministro é "destemperado", "troca muito de partido" e "arruma confusão onde não precisa".
"Ciro acha que a referência é ele mesmo. Eu não penso assim", declarou. "Ele acha que pode falar tudo, ofender todo mundo. É aquela pessoa que não tem nada que você fale que ele não sabe", complementou.
"Não queremos fazer na marra, queremos um acordo", diz Lula sobre subvenção ao dieselEm entrevista no Ceará, presidente disse que o governo está negociando com governadores a proposta para conter alta do combustívelPolítica2026-04-01T13:32:31.094ZO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (1º) que espera a adesão total dos governadores à proposta do governo para a subvenção a importadores de diesel. A medida tem como objetivo conter a alta do preço do combustível provocada pela guerra no Irã. "Estamos propondo aos governadores reduzir o ICMS, o governo pagar metade e eles pagarem metade. Não queremos fazer na marra, queremos um acordo", declarou Lula em entrevista à TV Cidade, do Ceará. A proposta do Planalto prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel. . A estimativa é que a medida dure dois meses e tenha um impacto fiscal de R$ 4 bilhões. A arrecadação dos estados será compensada pela retenção do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Esse subsídio se somará ao sobre o óleo diesel. "Nós tomamos a atitude de isentar PIS/Cofins para a Petrobras não precisar aumentar [o preço], e fizemos a isenção para os governadores não precisarem aumentar. O que acontece é que tem gente mau-caráter que mesmo não precisando aumentar, está aumentando. Nós estamos fiscalizando porque precisamos colocar alguém na cadeia", afirmou Lula. O presidente voltou a reclamar sobre a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2019 pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). O petista afirmou que se a distribuidora ainda pertencesse à Petrobras, o governo teria como garantir que alta dos preços não chegasse aos consumidores. "Se a gente tivesse distribuidora a gente controlava. Hoje a Petrobras abaixa o preço, mas não chega na bomba. Quando tinha BR, não chegava porque era nossa", declarou. Lula também retomou as críticas aos Estados Unidos e Israel e responsabilizou Trump e Netanyahu pela guerra contra o Irã e o subsequente impacto no mercado de petróleo. O petista disse que o conflito foi motivado por uma "mentira" sobre a intenção do Irã em produzir bombas nucleares. Ele ainda comparou com as guerras no Iraque e na Líbia, que segundo ele não comprovaram a intenção desses países em desenvolverem armas químicas. "Eles [países do Conselho de Segurança da ONU] divulgam mentiras a vida inteira para poderem fazer essas bobagens. Guerra nunca resolveu nada", completou. Disputa ao Senado e cenário no Ceará Lula ressaltou a importância das eleições deste ano ao Senado Federal e destacou a necessidade de o governo de formar uma base no Congresso. O presidente disse que o PT só tem 9 senadores e menos de 70 deputados e que o Planalto precisa de "muita conversa, costura e sensibilidade política" para governar. "As eleições para o Senado são muito importantes. Governador mantém uma relação civilizada porque precisa do presidente da República, mas senador, com mandato de 8 anos, acha que é Deus e pode criar muito problema se não tiver base de sustentação no Senado", afirmou o chefe do Executivo federal. O presidente falou que, para criar essa base, será necessário fazer composição "não só com quem gosta, mas com quem pensa diferente e seja minimamente capaz de construir um projeto". Sobre o cenário político no Ceará, há indefinição. O partido já tem Camilo Santana com mandato na Casa Alta e pode lançar o deputado José Guimarães, atual líder do governo na Câmara, para uma das duas cadeiras em disputa em outubro. Lula exaltou o deputado, mas disse que as negociações ainda estão em andamento e que não descarta a aliança com outra sigla. "O PT tem governador, prefeito da capital e senador do Ceará. Nós precisamos montar chapas com outros partidos para que eles se sintam à vontade para compartilhar a governança. É normal que uma vaga pro Senado seja de outros partidos", afirmou. Para o governo do Estado, Lula ainda não cravou o apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), mas disse que o petista "faz um bom papel" no governo do estado, "merece ser o candidato" e tem "todas as condições" de ser reeleito. A disputa ao Executivo estadual deve ser com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que foi ministro de Lula. Contudo, o presidente não poupou críticas ao ex-aliado. Lula disse que sempre respeitou Ciro, mas que o ex-ministro é "destemperado", "troca muito de partido" e "arruma confusão onde não precisa". "Ciro acha que a referência é ele mesmo. Eu não penso assim", declarou. "Ele acha que pode falar tudo, ofender todo mundo. É aquela pessoa que não tem nada que você fale que ele não sabe", complementou.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/nao-queremos-fazer-na-marra-queremos-um-acordo-diz-lula-sobre-subvencao-ao-diesel