"Não queremos fazer na marra, queremos um acordo", diz Lula sobre subvenção ao diesel
Em entrevista no Ceará, presidente disse que o governo está negociando com governadores a proposta para conter alta do combustível

Ighor Nóbrega
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (1º) que espera a adesão total dos governadores à proposta do governo para a subvenção a importadores de diesel. A medida tem como objetivo conter a alta do preço do combustível provocada pela guerra no Irã.
"Estamos propondo aos governadores reduzir o ICMS, o governo pagar metade e eles pagarem metade. Não queremos fazer na marra, queremos um acordo", declarou Lula em entrevista à TV Cidade, do Ceará.
A proposta do Planalto prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel. A União e os estados dividem o valor. A estimativa é que a medida dure dois meses e tenha um impacto fiscal de R$ 4 bilhões. A arrecadação dos estados será compensada pela retenção do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
Esse subsídio se somará ao desconto de R$ 0,32 gerado pela isenção dos impostos federais PIS/Cofins sobre o óleo diesel.
"Nós tomamos a atitude de isentar PIS/Cofins para a Petrobras não precisar aumentar [o preço], e fizemos a isenção para os governadores não precisarem aumentar. O que acontece é que tem gente mau-caráter que mesmo não precisando aumentar, está aumentando. Nós estamos fiscalizando porque precisamos colocar alguém na cadeia", afirmou Lula.
O presidente voltou a reclamar sobre a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2019 pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). O petista afirmou que se a distribuidora ainda pertencesse à Petrobras, o governo teria como garantir que alta dos preços não chegasse aos consumidores.
"Se a gente tivesse distribuidora a gente controlava. Hoje a Petrobras abaixa o preço, mas não chega na bomba. Quando tinha BR, não chegava porque era nossa", declarou.
Lula também retomou as críticas aos Estados Unidos e Israel e responsabilizou Trump e Netanyahu pela guerra contra o Irã e o subsequente impacto no mercado de petróleo. O petista disse que o conflito foi motivado por uma "mentira" sobre a intenção do Irã em produzir bombas nucleares.
Ele ainda comparou com as guerras no Iraque e na Líbia, que segundo ele não comprovaram a intenção desses países em desenvolverem armas químicas. "Eles [países do Conselho de Segurança da ONU] divulgam mentiras a vida inteira para poderem fazer essas bobagens. Guerra nunca resolveu nada", completou.
Disputa ao Senado e cenário no Ceará
Lula ressaltou a importância das eleições deste ano ao Senado Federal e destacou a necessidade de o governo de formar uma base no Congresso. O presidente disse que o PT só tem 9 senadores e menos de 70 deputados e que o Planalto precisa de "muita conversa, costura e sensibilidade política" para governar.
"As eleições para o Senado são muito importantes. Governador mantém uma relação civilizada porque precisa do presidente da República, mas senador, com mandato de 8 anos, acha que é Deus e pode criar muito problema se não tiver base de sustentação no Senado", afirmou o chefe do Executivo federal.
O presidente falou que, para criar essa base, será necessário fazer composição "não só com quem gosta, mas com quem pensa diferente e seja minimamente capaz de construir um projeto".
Sobre o cenário político no Ceará, há indefinição. O partido já tem Camilo Santana com mandato na Casa Alta e pode lançar o deputado José Guimarães, atual líder do governo na Câmara, para uma das duas cadeiras em disputa em outubro. Lula exaltou o deputado, mas disse que as negociações ainda estão em andamento e que não descarta a aliança com outra sigla.
"O PT tem governador, prefeito da capital e senador do Ceará. Nós precisamos montar chapas com outros partidos para que eles se sintam à vontade para compartilhar a governança. É normal que uma vaga pro Senado seja de outros partidos", afirmou.
Para o governo do Estado, Lula ainda não cravou o apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), mas disse que o petista "faz um bom papel" no governo do estado, "merece ser o candidato" e tem "todas as condições" de ser reeleito.
A disputa ao Executivo estadual deve ser com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que foi ministro de Lula. Contudo, o presidente não poupou críticas ao ex-aliado. Lula disse que sempre respeitou Ciro, mas que o ex-ministro é "destemperado", "troca muito de partido" e "arruma confusão onde não precisa".
"Ciro acha que a referência é ele mesmo. Eu não penso assim", declarou. "Ele acha que pode falar tudo, ofender todo mundo. É aquela pessoa que não tem nada que você fale que ele não sabe", complementou.







