Política

Mário Frias diz que está nos EUA e promete voltar ao Brasil: “Não devo nada”

Ao SBT News, deputado disse ter falado “algumas vezes” com Daniel Vorcaro e afirmou que divulgará contas de “Dark Horse” na próxima semana

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SBT News
20/05/2026, 02:11 • Atualizado em 20/05/2026, 02:24
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O deputado federal Mário Frias (PL-SP) afirmou nesta terça-feira (19), em entrevista ao programa News Noite, do SBT News, que está atualmente nos Estados Unidos, mas negou qualquer intenção de permanecer fora do país em meio às investigações envolvendo a produção de “Dark Horse”. O filme mostra trajetória de Jair Bolsonaro (PL) até a presidência da República.

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“Como deputado, estive agora no Bahrein propondo alguns investimentos no Brasil e agora estou nos Estados Unidos para fazer também uma prospecção de um investimento em segurança pública. Mas eu volto ao Brasil. Não devo nada. Estou pronto para prestar conta. Estou à disposição da Justiça”, declarou.

Durante a entrevista, Frias também negou arrependimento pela aproximação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para buscar investimentos para o filme.

“É óbvio que eu não me arrependo. A gente não podia saber... [...] a gente tem que partir do princípio que não há culpa. [...] É claro que eu não me arrependo de absolutamente nada. Fizemos um projeto sério”, afirmou.

Reportagens publicadas pelo Intercept Brasil apontam que Vorcaro teria prometido R$ 134 milhões ao projeto, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.

Contratos da produção também indicam que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro chegou a ocupar uma posição executiva com poderes sobre o orçamento do filme durante a fase inicial do projeto.

A mensagem foi encaminhada no mesmo dia em que o banqueiro tinha uma reunião prevista com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em São Paulo.

Questionado sobre a relação com Vorcaro, Frias admitiu ter falado “algumas vezes” com o banqueiro e afirmou que os contatos ocorreram exclusivamente por causa do filme.

O deputado disse ainda que deve divulgar, até o início da próxima semana, uma prestação de contas sobre o financiamento da produção “para tudo mundo ficar bem tranquilo”.

O parlamentar também justificou o silêncio público sobre o caso até agora alegando cláusulas de confidencialidade. Segundo ele, qualquer manifestação mais detalhada poderia violar acordos de não divulgação e afastar investidores.

“A gente não pode falar absolutamente nada”, afirmou, ao citar contratos do tipo NDA (Non-Disclosure Agreement, Acordo de Não Divulgação, em português).

Frias voltou a afirmar que o longa foi financiado exclusivamente com recursos privados. De acordo com o deputado, os investimentos foram realizados pela empresa Entre Investimentos, sem participação formal de Vorcaro ou do Banco Master nos contratos.

“Não tem assinatura de Daniel, não tem assinatura de Banco Master”, declarou.

A Polícia Federal (PF), no entanto, cita a Entre Investimentos nas apurações sobre um suposto esquema financeiro ligado ao Banco Master, que teria utilizado empresas e fundos de investimento para dificultar o rastreamento de recursos.

As investigações envolvem operações com dinheiro de fundos públicos de previdência, como o RioPrevidência e a Amapá Previdência (Amprev).

Caso no STF

Além das suspeitas relacionadas ao financiamento privado, o caso também passou a envolver recursos públicos. Na última sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um processo para apurar possíveis irregularidades no envio de emendas parlamentares de Frias e dos deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-RS).

A ação foi apresentada pelos deputados Henrique Vieira Lima (Psol-RJ) e Tabata Amaral (PSB-SP).

Segundo as suspeitas levantadas no processo, ao menos R$ 2 milhões destinados por Frias à Academia Nacional de Cultura poderiam ter ligação indireta com a produção do filme.

A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”.

Frias rebateu as acusações e afirmou que as emendas parlamentares “não tem nada a ver com filme”. Segundo ele, a própria advocacia da Câmara já teria informado oficialmente que os repasses seguiram os procedimentos legais.

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