Política

Lula telefona para Trump e conversa sobre tarifas e facções

Em conversa com o republicano, presidente voltou a afirmar que as alegações da Casa Branca sobre Pix e desmatamento para embasar tarifaço não procedem

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Ighor Nóbrega, Murilo Fagundes
Presidente Lula durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro de 2025 | Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro de 2025 | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta sexta-feira (21) por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na retomada do diálogo direto entre os líderes, o petista voltou a defender a posição econômica do Brasil em resposta ao tarifaço da Casa Branca e disse que as facções criminosas não podem ser confundidas com organizações terroristas.

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A ligação partiu de Lula. Segundo o Palácio do Planalto, durou cerca de 1 hora e 20 minutos e também abordou as guerras em andamento no Oriente Médio e na Ucrânia, a cooperação policial na Amazônia e a reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

Esse foi o primeiro contato entre Lula e Trump desde a viagem do petista à Washington em maio. Os dois voltaram a se encontrar brevemente às margens da reunião do G7 na França. Desde então, o diálogo esfriou e as tensões escalaram, culminando na sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula disse ao republicano que as justificativas dadas pelo governo norte-americano para aplicar as novas tarifas não procedem. Citou a preocupação com o Pix em relação às empresas do país e a suposta má aplicação de leis de combate ao desmatamento.

“Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países”, declarou o Planalto em nota.

Lula voltou a declarar que pretende manter a forte relação comercial com os EUA. Trump concordou e propôs que as equipes dos dois países organizem novas tratativas presenciais.

O petista vinha afirmando desde junho que aguardava um telefonema do presidente norte-americano. Na semana passada, disse que havia tomado a frente da negociação e que buscava novo contato com o republicano. O desfecho veio hoje, em ligação com “tom amistoso e cordial", segundo o governo brasileiro.

Outra pauta em destaque na conversa foi o combate ao crime organizado no Brasil. Depois de os EUA classificarem as facções criminosas como organizações terroristas, Lula reiterou a Trump que não concorda com a denominação.

“O presidente Lula reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”, diz o comunicado.

O chefe do Executivo federal afirmou ainda que o Brasil tem instrumentos suficientes para enfrentar as facções sem designá-las como terroristas. Destacou a estratégia adotada pela Polícia Federal de asfixia financeira desses grupos e na proposta do governo de converter 138 presídios em prisões de segurança máxima.

Ficou de fora da conversa o tema dos minerais críticos, tidos como essenciais para a política de soberania nacional defendida por Lula. Também não foram citadas negociações em torno de um novo encontro entre os chefes de Estado.

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