Política

Lula no Mercosul: "Ninguém é dono da América do Sul"

Em reunião na cúpula de chefes de Estado do bloco, petista defendeu o Pix como referência de "inclusão financeira"

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Felipe Moraes
30/06/2026, 17:18 • Atualizado em 30/06/2026, 17:24
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Lula (PT) faz discurso na 68ª cúpula de presidentes do Mercosul, em Assunção (Paraguai) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Lula (PT) faz discurso na 68ª cúpula de presidentes do Mercosul, em Assunção (Paraguai) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (30) que "ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul", em discurso na 68ª cúpula de chefes de Estado do Mercosul. Sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem já se referiu anteriormente como "imperador do mundo", o petista deu recados sutis sobre possíveis alianças de líderes latino-americanos com o governo norte-americano e ainda fez uma defesa do Pix como instrumento de integração financeira na região.

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Lula lamentou a falta de "instituições sólidas" no continente e pediu que o Mercosul não funcione "de acordo com a eleição desse ou daquele presidente". "Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses", comentou.

O presidente da Argentina, Javier Milei, cancelou participação na cúpula um dia após encontro nessa segunda (29) com o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), provável principal rival de Lula no pleito, em Buenos Aires. O governo local justificou que o mandatário tinha compromisso na Casa Rosada.

Também sem mencionar os Estados Unidos, o petista exaltou o Pix, sistema de pagamento criticado pelo governo dos EUA na investigação que sugeriu taxar o Brasil por supostas práticas comerciais desleais. O chefe do Executivo nacional sugeriu que a ferramenta seja utilizada como modelo para integração entre países do bloco.

"Experiências nacionais bem-sucedidas devem ser compartilhadas entre os países do bloco. O Pix, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos que beneficie todos os cidadãos do Mercosul. A integração financeira reduzirá custos, fortalecerá o comércio intrabloco, ampliará o uso de moedas locais e aumentará a nossa resiliência frente a choques externos", explicou.

Em outros momentos do discurso, o presidente brasileiro fez apelo por mais união interna no bloco e reforçou que o Mercosul "continuará sendo prioridade do Brasil" independentemente do vencedor nas eleições presidenciais marcadas para outubro.

"Acreditem, independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade para o Brasil", falou. "E é por isso que queria pedir a Yamandú Orsi [presidente do Uruguai e próximo chefe do bloco] que a gente faça um esforço nesses seis meses pra consolidar as instituições de apoio ao Mercosul, pra que ele funcione perfeitamente bem, independentemente do presidente a ser eleito em qualquer país do nosso bloco", completou.

Lula reforçou que o "Mercosul é muito importante para nós", mesmo em meio a diferenças regionais, e que o bloco deve dialogar "acima de divergências ideológicas". A fala ocorre em momento de disputas eleitorais acirradas na América Latina, com vitórias recentes de diversos nomes da direita — Keiko Fujimori no Peru, Abelardo de la Espriella na Colômbia, José Antonio Kast no Chile e Rodrigo Paz na Bolívia.

"Quando a gente tem dúvida, a gente olha o que era a gente antes do Mercosul e olha agora. Agora é ruim", admitiu Lula. "Mas pelo menos agora a gente pode fazer uma reunião dessa e ouvir cada um dizer aquilo que quer dizer. E, ao invés de ficar ofendido, trabalhar pra saber se o que está reclamando está certo ou não e tentar encontrar uma solução. É assim que a gente cria um bloco econômico, político, cultural", pontuou.

Novamente falando sobre eleições, declarou que vai "concorrer para poder garantir que o Brasil mantenha-se como país democrático". "Porque não é possível a gente imaginar irresponsáveis governando um país de 215 milhões de habitantes. População que há muitas décadas sonha em ser país desenvolvido e que nunca consegue porque nunca deixam ser", acrescentou.

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