Política

Lula abre campanha no ABC e visa estádio cheio contra Flávio

Petista inicia sua sétima campanha presidencial na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP)

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Murilo Fagundes
O presidente Lula (PT) durante a convenção do PT na Bahia | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) durante a convenção do PT na Bahia | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia oficialmente sua campanha à reeleição neste domingo (16), às 9h, no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo. O PT espera reunir de 20 a 30 mil pessoas na Vila Euclides.

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A largada será marcada por uma disputa de imagens com o principal opositor do petista, Flávio Bolsonaro (PL), que promoverá um ato simultâneo em Copacabana, no Rio de Janeiro.

De um lado, a campanha de Lula tentará exibir um estádio ocupado por militantes; do outro, o bolsonarismo buscará lotar um de seus principais palcos de mobilização.

Lula começa “jogando parado”

Embora prepare uma demonstração de força no ABC, Lula iniciará a campanha “jogando parado”. A avaliação de aliados é que o presidente começa a disputa em vantagem e, por isso, não deve realizar movimentos bruscos que possam alterar o cenário eleitoral.

A estratégia prevê reduzir a participação de Lula em sabatinas, debates e situações de grande exposição que não ofereçam algum controle sobre o formato. A preferência será por eventos organizados pela própria campanha, com presença de apoiadores e menor risco de imprevistos, como é o caso do evento de abertura.

Isso não significa que Lula ficará fora das ruas. O presidente deverá participar de comícios e viajar pelo país, mas dentro de uma programação planejada para valorizar suas principais bandeiras e evitar agendas consideradas arriscadas.

O núcleo político entende que, neste primeiro momento, cabe a Flávio tentar mudar o jogo. Lula, por sua vez, deverá administrar a vantagem, defender os resultados do governo e reagir aos movimentos do adversário sem alterar de forma abrupta o rumo da campanha.

Mobilização para ocupar o estádio

Para alcançar a meta de mais de 20 mil pessoas, o PT mobilizou diretórios, parlamentares, movimentos sociais e partidos aliados. Caravanas sairão de diferentes pontos de São Paulo e de estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

Somente nas sete cidades do ABC paulista, a organização estima a utilização de 150 ônibus. Outros veículos partirão da capital, do interior de São Paulo e de diferentes regiões do país.

O PCdoB pretende levar outros milhares de filiados e militantes. A sigla reservou pelo menos 37 ônibus, que sairão da capital paulista e também transportarão apoiadores mobilizados em cidades próximas.

A capacidade das arquibancadas do Estádio 1º de Maio é de cerca de 12 mil pessoas. Com a utilização do gramado, os organizadores calculam que o espaço possa receber aproximadamente 25 mil participantes durante o comício.

Retorno às origens

A escolha da Vila Euclides vai além da estrutura física. O estádio foi palco das mobilizações operárias comandadas por Lula no fim dos anos 1970 e no início da década de 1980, quando o então líder sindical ganhou projeção nacional.

Ao retornar ao mesmo local, o petista pretende conectar sua biografia ao projeto de continuidade no Palácio do Planalto. Esta será a sétima campanha presidencial de Lula, que tentará conquistar seu quarto mandato.

A simbologia do estádio também será explorada para reforçar o contraste com Flávio e homenagear Lula.

Imagens para as redes e a televisão

O tamanho do público terá importância política e eleitoral. Fotografias aéreas, vídeos das arquibancadas e registros da chegada das caravanas serão distribuídos nas redes sociais para apresentar a largada como uma demonstração de força popular.

O material captado na Vila Euclides também deverá abastecer a propaganda gratuita no rádio e na televisão, que começa no dia 28 de agosto. A campanha pretende transformar o evento no primeiro capítulo da narrativa eleitoral de Lula.

O evento deve ainda contar com teleprompter para auxiliar o discurso do presidente e reservará espaço para pronunciamentos de mulheres, após as críticas da primeira-dama Janja da Silva à ausência de presença feminina no palco da convenção do PT no dia 2 de agosto.

A intenção de um discurso mais previsível e previamente elaborado também esbarra em críticas de aliados de Lula após a convenção, quando, segundo petistas próximos, o presidente poderia ter sido mais conciso e objetivo.

Legado e soberania

Nesta primeira fase, Lula deverá destacar os resultados do governo e comparar sua gestão com a de Jair Bolsonaro. A comunicação petista tentará apresentar a eleição como uma escolha entre a continuidade do atual projeto e a volta do grupo político representado por Flávio.

A defesa da soberania nacional será outro eixo da campanha. O presidente deverá ser apresentado como defensor dos interesses do Brasil diante de pressões externas do governo Donald Trump.

Próximos destinos

Depois do ato, Lula retornará a Brasília e pretende passar a semana na capital federal. A intenção é conciliar a agenda presidencial com a eleitoral e concentrar as principais viagens de campanha nos fins de semana.

No dia 21, Lula estará em Belo Horizonte para o lançamento da candidatura de Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas Gerais. No dia seguinte, participará de um comício no estádio de Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, ao lado de Eduardo Paes, candidato a governador pelo PSD.

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