Lula diz que Trump não vai interferir nas eleições: "quem decide é o povo brasileiro"
Presidente brasileiro defende soberania eleitoral e diz que relação com os EUA é "sincera"

Vicklin Moraes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (7) que não acredita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vá interferir nas eleições brasileiras.
“Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país. Esse é um princípio básico para que a gente não permita a violação da soberania”, disse.
Lula também destacou que a relação com o líder norte-americano é “sincera” e vem evoluindo desde o primeiro contato entre os dois. “Desde o primeiro encontro que nós tivemos, de 29 segundos, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, passando pelos telefonemas, pelo encontro na Malásia e por este de hoje, eu acho que evoluiu muito”, afirmou.
O presidente disse ainda acreditar que Trump “gosta do Brasil” e que há interesse mútuo em fortalecer acordos bilaterais. “Não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro”, completou.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de pedir apoio ao presidente norte-americano, Lula negou. Segundo ele, não há espaço para tratar desse tipo de assunto com líderes estrangeiros.
Em Washington, após uma reunião de mais de três horas, Lula afirmou que propôs a criação de um grupo de trabalho com as equipes econômicas dos dois países para discutir tarifas comerciais em até 30 dias. O presidente também disse que o governo brasileiro apresentou um plano de combate ao crime, com atuação em quatro frentes. Apesar de admitir que o tema não foi discutido no encontro, ele anunciou que uma estratégia mais ampla será lançada na próxima semana.
Após o encontro, em publicação na rede social Truth Social, Trump classificou Lula como um “dinâmico presidente” e afirmou que a reunião foi produtiva, com discussões sobre diversos temas, especialmente comércio e tarifas. Segundo ele, novos encontros entre representantes dos dois países já estão previstos.
A previsão inicial era de que os presidentes falassem com a imprensa antes da reunião, o que não ocorreu. Segundo a correspondente do SBT, Patrícia Vasconcellos, a mudança no protocolo partiu de Lula, que optou por se manifestar apenas após o encontro. Uma coletiva conjunta chegou a ser cogitada, mas foi cancelada.









