Política

Lula proíbe vinda de enviado de Trump até que EUA liberem visto de Padilha

Darren Beattie pediu autorização para se encontrar com Bolsonaro na Papudinha, mas teve o pedido negado pelo STF; Itamaraty revogou visto

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (13) que proibiu a vinda ao Brasil de Darren Beattie, enviado do governo de Donald Trump, enquanto o visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não é regularizado pelos EUA. A declaração foi feita durante inauguração de uma ala no Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro.

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Beattie havia pedido autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília, na próxima semana. Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes permitiu o encontro, mas voltou atrás após o Itamaraty dizer que a reunião não havia sido comunicada formalmente por autoridades diplomáticas americanas.

Nessas circunstâncias, houve o entendimento de que o encontro poderia ser interpretado como interferência estrangeira em assuntos internos do país, especialmente por se tratar de ano eleitoral. Por ordem de Lula, o visto de Beattie foi revogado pelo Itamaraty.

O princípio aplicado para revogar o visto é o mesmo usado pela diplomacia internacional e também pelos EUA: fraude ou falta de sinceridade no motivo da entrada no país. Beattie tinha confirmado participação no “Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos”, previsto para ocorrer em São Paulo na próxima quarta-feira (18), na sede da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).

O SBT News apurou, porém, que o nome do enviado nunca esteve na lista de autoridades previstas para o evento, que tem caráter estritamente técnico.

A Coluna da Basília mostrou que, após Moraes barrar o encontro, o enviado especial de Trump enviou um e-mail e mensagens pelo WhatsApp, via embaixada dos Estados Unidos no Brasil, para saber a disponibilidade do Itamaraty em recebê-lo. A comunicação excessivamente informal foi mal-recebida pela chancelaria brasileira.

“Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar, e eu proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde que está bloqueado. Sabe que bloquearam o visto do Padilha, da mulher e da filha de 10 anos… então, Padilha, sabe que você está sendo protegido", afirmou Lula.

Em agosto do ano passado, a esposa e a filha de 10 anos de Padilha tiveram os vistos cancelados pelo governo norte-americano. A medida foi tomada alguns dias depois de os EUA sancionarem autoridades brasileiras ligadas ao programa Mais Médicos, que contou com a parceria de médicos cubanos. Outros servidores e ex-servidores do Ministério da Saúde envolvidos na execução do programa também foram afetados.

Dias antes de ter o visto renovado, Padilha chegou a declarar que não estava “nem aí” para a possibilidade de não ter a entrada autorizada nos EUA.

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