Política

Enviado de Trump não estava confirmado em evento da Câmara Americana em SP

Darren Beattie teve o visto negado pelo governo brasileiro

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Darren Beattie é enviado especial de Trump para assuntos relacionados ao Brasil | Divulgação/US Government
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A presença do enviado especial de Donald Trump para o Brasil, Darren Beattie, em um evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) em São Paulo na próxima semana nunca esteve prevista, segundo apurou o SBT News.

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A justificativa havia sido apresentada ao Itamaraty para solicitar o visto de Beattie. A chancelaria brasileira revogou a concessão nesta sexta-feira (13) usando de um princípio também aplicado pela diplomacia americana: fraude ou falta de sinceridade no motivo da entrada no país. A inelegibilidade é permanente, e toda vez que o assessor solicitar um visto para entrar no país, ele será considerado inelegível.

O Fórum Brasil-EUA sobre Minerais Críticos está previsto para a próxima quarta-feira (18) e tem apoio institucional do Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram). Conforme a Amcham, o intuito é “discutir, tecnicamente, oportunidades entre os dois países relacionadas à cadeia de minerais críticos, desde o mapeamento e exploração até o processamento e a agregação de valor, com benefícios para ambas as economias".

Entre os confirmados para o fórum estão o encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, e representantes do Departamento de Energia e da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA. O nome de Beattie, contudo, nunca esteve na lista.

Escobar, inclusive, esteve no Itamaraty na terça-feira (11) para explicar a visita de Beattie ao Brasil. Ele apontou que o principal motivo para o encontro era justamente o evento sobre minerais críticos, em São Paulo.

Paralelamente, Beattie havia pedido autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília, na próxima semana.

Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes permitiu o encontro, mas voltou atrás após o Itamaraty dizer que a reunião não havia sido comunicada formalmente por autoridades diplomáticas americanas. Nessas circunstâncias, houve o entendimento de que o encontro poderia ser interpretado como interferência estrangeira em assuntos internos do país, especialmente por se tratar de ano eleitoral.

A Coluna da Basília mostrou que, após Moraes barrar o encontro, o enviado especial de Trump enviou um e-mail e mensagens pelo WhatsApp, via embaixada dos Estados Unidos no Brasil, para saber a disponibilidade do Itamaraty em recebê-lo. A comunicação excessivamente informal foi mal-recebida pela chancelaria brasileira.

Mais cedo, nesta sexta-feira (13), o presidente Lula disse que proíbe a vinda de Beattie ao Brasil enquanto o visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não for regularizado pelos Estados Unidos.

"Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar, e eu proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde que está bloqueado. Então, Padilha, sabe que você está sendo protegido", afirmou o petista durante a inauguração de uma ala no Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro.

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