Moraes revê decisão e nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro
Ministro havia autorizado encontro em 18 de março, mas reconsiderou decisão após Itamaraty apontar falta de agenda diplomática e risco de ingerência



Soane Guerreiro
Jessica Cardoso
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reviu decisão e negou a visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília.
A decisão desta quinta-feira (11) foi tomada após o magistrado avaliar informações prestadas pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sobre a agenda diplomática do norte-americano no Brasil.
Em ofício enviado ao STF a pedido de Moraes, Vieira informou que não havia compromisso oficial no país para Darren Beattie relacionado a uma visita a Bolsonaro.
Segundo ele, o encontro com o ex-presidente não foi comunicado pelas autoridades diplomáticas dos EUA e o pedido partiu dos advogados de Bolsonaro após a emissão do visto para Beattie, sem ligação com os objetivos oficiais da viagem.
O chanceler acrescentou que, nessas circunstâncias, a reunião poderia ser interpretada como interferência estrangeira em assuntos internos do país, especialmente por se tratar de ano eleitoral.
Vieira também informou que o visto de entrada concedido a Beattie teve como base a participação dele no “Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos”, previsto para ocorrer em São Paulo na próxima quarta-feira (18), na sede da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
O ministro disse ainda que as tentativas de Beattie de marcar reuniões diplomáticas em Brasília só ocorreram depois que Moraes pediu esclarecimentos ao Itamaraty. Até aquele momento, não havia qualquer agenda previamente registrada no ministério.
Entenda o caso
A defesa de Bolsonaro pediu autorização para a visita de Darren Beattie ao ex-presidente na terça-feira (10). Moraes autorizou o encontro para 18 de março, dentro do calendário regular de visitas no sistema prisional.
Na quarta-feira (11), os advogados apresentaram um novo pedido para antecipar a reunião para 16 de março, à tarde, ou 17 de março, pela manhã ou no início da tarde.
A defesa alegou que o assessor norte-americano teria uma “agenda rígida” de compromissos diplomáticos no Brasil, o que inviabilizaria o encontro na data definida pelo tribunal.
Diante da justificativa, Moraes solicitou ao Ministério das Relações Exteriores informações sobre a agenda oficial de Beattie no país e questionou se a visita ao ex-presidente fazia parte das atividades diplomáticas previstas para a viagem, o que foi negado pelo Itamaraty.
Quem é o assessor de Trump
Beattie foi indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para atuar como assessor responsável por assuntos relacionados ao Brasil. Ele deve desembarcar no país na próxima semana e tem compromissos previstos em São Paulo e Brasília.
O assessor já fez críticas públicas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao próprio Moraes.
Em declarações anteriores, acusou o ministro de promover censura e perseguição contra Bolsonaro, afirmações que elevaram a tensão diplomática entre autoridades brasileiras e representantes do governo norte-americano.









