Política

Lula critica salário "merreca" de professores e fala em criar incentivo para carreiras da educação

No Dia Mundial da Alimentação, presidente anunciou medidas para produção de comida sustentável

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Raphael Felice
16/10/2024, 15:02 • Atualizado em 16/10/2024, 15:08
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Lula | Reprodução/YouTube

Lula | Reprodução/YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (16) que professores ganham uma "merreca" para cuidar de 40 ou 50 crianças em salas de aula e avalia criar um programa de incentivo para jovens se tornarem professores. Segundo o chefe do Executivo, a profissão vem sendo preterida, justamente, por conta da má remuneração. "Ninguém quer mais ser professor", lamentou.

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O presidente da República afirmou que vai colocar o assunto em sua pauta após retornar de Kazan, na Rússia, onde participa da Cúpula dos Brics, entre os dias 22 e 24 de outubro.

"Ontem foi o Dia dos Professores. Lembro que quando aprovamos piso salarial dos professores, muitos governadores não quiseram pagar, dizendo que não tinham dinheiro. E olha que o salário é merreca para alguém que toma conta de 40 ou 50 crianças dentro de uma sala de aula. Se uma mãe ou pai acham é muito tomar conta de um, dois, ou três filhos, imagina uma professora tomar conta de 40 ou 50 crianças na sala de aula", disse.

"Essa profissão, que já foi nobre, ela está sendo destruída, porque estamos descobrindo que ninguém quer mais ser professor. Nós vamos ter que criar um programa de incentivo para os alunos que prestaram Enem fazerem cursos para se transformarem em professores. Porque [professor] ganha muito pouco, tem muito trabalho, mas as pessoas não querem", concluiu Lula.

Segundo o último levantamento do Ministério da Educação (MEC), feito em 2023, a remuneração média para professores no Brasil com 40 horas semanais de trabalho foi de R$ 4,8 mil na rede municipal e R$ 4,9 na estadual.

Abastecimento alimentar

A declaração foi dada durante a cerimônia do Dia Mundial da Alimentação, no Palácio do Planalto, marcada pelos lançamentos do Plano Nacional de Abastecimento Alimentar (Planab), também conhecido como plano "Alimento no Prato", e do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo).

Os programas foram anunciados também pelos ministros do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Texeira. As medidas somam 29 iniciativas e 92 ações estratégicas. O plano "Alimento no Prato", por exemplo, é inédito no Brasil.

Entre as medidas, está a ampliação de sacolões populares e centrais de abastecimento por todo o país. De início, serão implantadas novas seis centrais de abastecimento na Bahia, no Ceará, Rio Grande do Norte, em Sergipe e São Paulo (duas). Ao facilitar o acesso a alimentos saudáveis e frescos, o "Alimento no Prato" deve beneficiar produtores e consumidores.

Arroz da gente

"Alimento no Prato" traz, ainda, o Programa Arroz da Gente. O objetivo é estimular a produção e a formação de estoque do grão. Os pequenos e médios produtores que quiserem produzir arroz poderão assinar contratos de opção com o governo, que garantirá a compra da produção com preço já estabelecido. Serão investidos cerca de R$ 1 bilhão nesta iniciativa para a compra de até 500 mil toneladas de arroz.

Planapo

O Planapo, por sua vez, vai reunir ações para fortalecer as cadeias produtivas de produtos orgânicos e agroecológicos. Além disso, o projeto construído com ampla participação da sociedade civil, prevê iniciativas voltadas para pesquisa e inovação, incentivo às compras públicas e inclusão de mulheres, jovens, indígenas e quilombolas na agricultura familiar.

Essas entregas reforçam a iniciativa do país em priorizar a segurança alimentar. Na presidência do G20, o Brasil propôs ao grupo a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

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