Após apagão em São Paulo, governo Lula estuda mudanças no mandato de agências reguladoras
Atualmente, os mandatos são independentes, o que leva o presidente eleito a conviver com diretores nomeados pelo governo anterior
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SBT Brasil
Lula estuda mudanças em agências reguladoras | Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Diante da insatisfação com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o governo Lula busca maneiras de modificar as regras de mandato das agências reguladoras. A principal proposta é fazer com que o mandato dos diretores dessas agências coincida com o do presidente da República. Atualmente, os mandatos são independentes, o que leva o presidente eleito a conviver com diretores nomeados pelo governo anterior.
O diretor atual da Aneel, Sandoval Feitosa Neto, foi nomeado em abril de 2022 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e tem mandato até agosto de 2027.
O presidente Lula avalia que o modelo atual acaba por influenciar as agências com visões desalinhadas ao governo eleito. Um ministro, ouvido pelo SBT, afirmou que a legislação está ultrapassada e que o Palácio do Planalto trabalhará por mudanças no funcionamento das agências. No entanto, essa alteração dependerá da aprovação do Congresso Nacional.
Se a proposta avançar, pode enfrentar resistência no Congresso, onde divide opiniões entre governo e oposição. Para o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), as agências reguladoras devem seguir uma política de Estado, não de governo.
"O que dá mais veracidade ao trabalho do técnico é a robustez, sem apadrinhamento político", comentou o deputado.
Já o deputado Alencar Santana (PT-SP) questiona a independência dessas nomeações: "O presidente é cobrado, mas não consegue executar a política porque dizem que essas pessoas têm mandato. Mandato dado por quem, se o povo não as elegeu?"
A insatisfação do governo Lula com as agências reguladoras não se limita à Aneel. Em agosto, Lula criticou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), reclamando da demora na aprovação de medicamentos. O comentário gerou um mal-estar com o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, nomeado em 2020, também durante a gestão de Bolsonaro.
Barra Torres rebateu Lula com uma carta aberta, afirmando que o governo foi alertado sobre o número insuficiente de funcionários na agência, o que impacta diretamente o cumprimento de suas funções.
O professor Sérgio Guerra, da Fundação Getúlio Vargas, alerta que misturar questões técnicas e políticas pode comprometer a existência das agências. "Se misturarmos as questões regulatórias com as políticas, não haverá razão para existir uma agência reguladora", afirma.
Após apagão em São Paulo, governo Lula estuda mudanças no mandato de agências reguladorasAtualmente, os mandatos são independentes, o que leva o presidente eleito a conviver com diretores nomeados pelo governo anteriorGoverno2024-10-15T22:40:13.042ZDiante da insatisfação com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o governo Lula busca maneiras de modificar as regras de mandato das agências reguladoras. A principal proposta é fazer com que o mandato dos diretores dessas agências coincida com o do presidente da República. Atualmente, os mandatos são independentes, o que leva o presidente eleito a conviver com diretores nomeados pelo governo anterior. O diretor atual da Aneel, Sandoval Feitosa Neto, foi nomeado em abril de 2022 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e tem mandato até agosto de 2027. O presidente Lula avalia que o modelo atual acaba por influenciar as agências com visões desalinhadas ao governo eleito. Um ministro, ouvido pelo SBT, afirmou que a legislação está ultrapassada e que o Palácio do Planalto trabalhará por mudanças no funcionamento das agências. No entanto, essa alteração dependerá da aprovação do Congresso Nacional. Se a proposta avançar, pode enfrentar resistência no Congresso, onde divide opiniões entre governo e oposição. Para o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), as agências reguladoras devem seguir uma política de Estado, não de governo. "O que dá mais veracidade ao trabalho do técnico é a robustez, sem apadrinhamento político", comentou o deputado. + Já o deputado Alencar Santana (PT-SP) questiona a independência dessas nomeações: "O presidente é cobrado, mas não consegue executar a política porque dizem que essas pessoas têm mandato. Mandato dado por quem, se o povo não as elegeu?" A insatisfação do governo Lula com as agências reguladoras não se limita à Aneel. Em agosto, Lula criticou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), reclamando da demora na aprovação de medicamentos. O comentário gerou um mal-estar com o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, nomeado em 2020, também durante a gestão de Bolsonaro. Barra Torres rebateu Lula com uma carta aberta, afirmando que o governo foi alertado sobre o número insuficiente de funcionários na agência, o que impacta diretamente o cumprimento de suas funções. O professor Sérgio Guerra, da Fundação Getúlio Vargas, alerta que misturar questões técnicas e políticas pode comprometer a existência das agências. "Se misturarmos as questões regulatórias com as políticas, não haverá razão para existir uma agência reguladora", afirma.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/governo/governo-lula-estuda-mudancas-no-mandato-de-agencias-reguladoras
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