Jaques Wagner deixa liderança do governo Lula no Senado
Senador vinha sendo pressionado por aliados a abrir mão do cargo após ser alvo da PF por suspeita de envolvimento com Vorcaro e o Master


O senador Jaques Wagner (PT-BA) | Agência Senado
O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado nesta quarta-feira (24). A decisão decorre do desgaste sofrido após a Polícia Federal indicar que Wagner teria recebido benefícios indevidos para atuar em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Em 18 de junho, ele foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes do banco e a teia de relações de Daniel Vorcaro com empresários e altas autoridades da República.
Desde então, o senador vinha sendo pressionado por aliados da base governista a deixar a função, sobretudo depois de uma entrevista à Band News considerada pouco elucidativa e com exposição desnecessária de Lula. Um encontro entre Lula e Wagner nesta quarta-feira (24), no Palácio da Alvorada, formalizou o afastamento do senador. "Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente @LulaOficial, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no @SenadoFederal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador @Jeronimoba13, além da minha reeleição junto com @costa_rui para o Senado", escreveu Wagner nas redes sociais.
A saída abre caminho para o Planalto escolher outro nome para o Senado, em um momento em que Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mantêm relação distante. Muito próximo de Wagner, Alcolumbre fez uma defesa enfática do colega e de sua presunção de inocência. O senador petista era um dos que tentava reaproximar Lula de Alcolumbre, de olho no destravamento de pautas de interesse do governo que estão paradas na mão do Senado, incluindo a PEC que acaba com a escala 6x1.
Os principais cotados para a vaga da liderança agora são Teresa Leitão (PT-PE), atual líder do PT no Senado, e Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará.
Investigações contra Wagner
A Polícia Federal aponta que Jaques Wagner recebeu benefícios de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, enquanto mantinha interlocuções com ele sobre pautas de interesse da instituição financeira. A investigação cita a compra de ingressos para familiares do parlamentar em um show internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, e o uso de jatinhos sem custos. Em buscas em endereços ligados ao líder do governo em Brasília e na Bahia, a PF apreendeu US$ 55 mil (cerca de R$ 282 mil) e € 33.500 (cerca de R$ 197 mil).
Em sua defesa, Wagner disse os valores eram referentes às diárias recebidas do Senado para missões no exterior e também recursos próprios que ele teria sacado para viagens particulares. Em relação ao apartamento, disse que tinha um acordo com Augusto Lima para ajudá-lo a comprar o imóvel na planta para pagamento posterior.
Advogados do senador dizem que ele jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Master. “Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do Banco”, ressaltou Pablo Domingues, que chefia a equipe jurídica de Wagner.
A defesa também entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a operação de busca e apreensão em residências do senador alegando nulidades que comprometem a validade da medida.














