Lula se solidarizou comigo após buscas da PF, diz Jaques
Líder do governo disse não acreditar que presidente da República irá retirá-lo do cargo de líder do governo no Senado


Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) | Divulgação/Jefferson Rudy/Agência Senado
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse nesta quinta-feira (18) ter recebido uma ligação do presidente Luiz inácio Lula da Silva (PT), após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, na qual o chefe do Palácio do Planalto manifestou "solidariedade" com o senador e colega de partido. "Lula me ligou para se solidarizar comigo e dizer que mantém absoluta confiança", afirmou.
Jaques Wagner comentou também, em entrevista à BandNews, as especulações sobre uma possível troca na liderança do governo no Senado, cargo que ocupa atualmente por indicação do próprio presidente da República. Segundo ele, isso não foi tratado na conversa com Lula. Ainda assim, o próprio Jaques minimizou a possibilidade de o presidente pedir que ele deixe o cargo de líder do partido por conta da "confiança" entre eles.
Jaques aproveitou a pergunta para cutucar desafetos que estariam por trás das notícias sobre sua saída do posto de líder. "Fogo amigo sempre aparce, mas eu prefiro confiar na minha relação com o presidente Lula. O cargo [de líder no Senado] é dele. Se ele [Lula] entender que é melhor ele sair, eu saio. Mas não acho que esta será a posição dele. [...] “Sinceramente acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim", argumentou.
Na mesma entrevista, Jaques lembrou que Lula passou por acusações similares e, por isso, defendeu que sua candidatura ao Senado pelo PT da Bahia também estaria "mantida".
"Ele [Lula] fez questão de me ligar, se solidarizar comigo, e ele que já teve problemas até maiores do que esse – como eu tive, mas ele muito pior – e depois foi inocentado e está aí como presidente da República. Então, minha candidatura está mantida e eu espero ser eleito de novo senador da Bahia", afirmou Jaques. "A gente se conhece há 48 anos, então ele sabe qual é o meu jeito de agir", acrescentou.
Investigações contra Jaques
A Polícia Federal aponta que Jaques Wagner recebeu benefícios do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio de Daniel Vorcaro, enquanto mantinha interlocução com ele sobre pautas de interesse da instituição financeira.
A investigação cita a compra de ingressos para familiares do parlamentar em um show internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, e o uso gratuito de jatinhos. Em buscas em endereços ligados ao líder do governo em Brasília e na Bahia, a PF apreendeu US$ 55 mil (cerca de R$ 282 mil) e € 33.500 (cerca de R$ 197 mil).















