Governo não vai acabar com aumento de aposentadorias do INSS
Alegação foi feita por Adolfo Sachsida, coordenador do plano econômico de Flávio Bolsonaro (PL); ele tirou de contexto reportagem do Valor Econômico
Projeto Comprova
Um vídeo do ex-ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, no Instagram, repercutiu nas redes sociais ao afirmar que o governo federal não aumentaria o salário dos aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mesmo após aumentar o salário mínimo. No post, Sachsida, que é atual coordenador do plano econômico da campanha presidencial do candidato Flávio Bolsonaro (PL), cita uma reportagem do Valor Econômico, veiculada em 24 de agosto deste ano, como fonte principal para a alegação.
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Sachsida faz uma interpretação equivocada do conteúdo publicado na reportagem, que não afirma que o governo federal deixaria de reajustar o salário de aposentados e pensionistas do INSS quando o salário mínimo aumentar, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito.
Adolfo Sachsida foi ministro de Minas e Energia em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, ele é economista, advogado e atual coordenador da equipe econômica de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República nas eleições deste ano.
Com 123 mil seguidores no Instagram, Sachsida divulgou o vídeo em que fala sobre o aumento do salário mínimo e aposentadoria no mesmo dia em que a reportagem do Valor Econômico foi publicada. Até a conclusão desta verificação, a publicação do ex-ministro já contava com cerca de 350 mil visualizações.
O Comprova entrou em contato com Sachsida, mas até o momento da publicação não obteve resposta.
Qual a alegação do post investigado e quais são as suas fontes
No post, Sachsida alega que o governo federal estaria estudando desvincular o salário mínimo da aposentadoria. A reportagem citada por ele afirma que “técnicos fizeram simulações de cenários que preservariam ganhos acima da inflação” para aposentados e pensionistas do INSS, e também para trabalhadores da ativa, só que “em ritmos distintos”.
O jornal também diz que integrantes da atual equipe econômica do governo federal seriam “favoráveis à discussão”, em “um eventual novo governo”. Porém, a reportagem informa que nenhuma decisão foi tomada e, caso seja, dependerá também do crivo do presidente para implementação.
No material do Valor Econômico, também é afirmado que, entre “membros da equipe econômica do governo”, existe uma interpretação de que o “atual cenário favorável do mercado de trabalho abre espaço para manter a valorização do salário mínimo para os trabalhadores da ativa, inclusive com a regra atual, que permite ganho real de até 2,5% ao ano”. Já para aposentadorias e benefícios assistenciais vinculados ao salário mínimo, “poderia ser adotado um ritmo menor que os 2,5%, mas ainda acima da inflação”. Ou seja, com o aumento do salário mínimo, também aumentaria o salário do aposentado, mas com um reajuste menor que os salários dos trabalhadores ativos.
Após a repercussão do vídeo de Sachsida, o próprio Ministro da Fazenda, Dario Durigan, desmentiu os boatos levantados por Sachsida em entrevista à GloboNews. “Não discutimos e não está colocada a desvinculação do salário mínimo dos benefícios, tanto previdenciários quanto alguns sociais”, disse. Portanto, as regras vigentes de valorização integral e reajuste de trabalhadores, aposentados e pensionistas do INSS continuam mantidas.
Outra alegação citada por Sachsida no vídeo e analisada pelo Comprova é a de que o governo Lula teria investido mais de R$ 278 bilhões com o objetivo de alcançar a reeleição. O ex-ministro diz que a informação consta em um jornal, mas não aponta qual o veículo.
Apesar de não mencioná-lo, o Comprova identificou que o Gastômetro, ferramenta inédita do jornal Estadão que acompanha e atualiza os desembolsos do governo federal em ano eleitoral, informa que, na verdade, o governo Lula já investiu R$ 277,3 bilhões em 2026. A maior parte do gasto se refere a programas de crédito e subsídios para setores da economia.
Além disso, Sachsida recomenda no final de sua publicação que o corte de gastos públicos deveria iniciar com o enxugamento de 39 para 25 pastas ministeriais. Na realidade, o governo federal conta atualmente com 38 ministérios na administração pública direta, não 39.
Por que as pessoas podem ter acreditado
O conteúdo combina uma fonte reconhecida, o jornal Valor Econômico, com uma afirmação apresentada de forma simples e direta. A mensagem transforma um debate complexo sobre o reajuste do salário mínimo em uma conclusão aparentemente objetiva, sem apresentar todas as informações necessárias para sua compreensão.
Além disso, o vídeo apresenta uma estratégia de apelo à emoção e alarmismo, ao relacionar a suposta medida do governo federal às dificuldades enfrentadas por aposentados no Brasil, como a compra de medicamentos. Esse recurso pode provocar medo e indignação, levando o público a reagir antes de verificar se a informação está correta.
Também aparece a tática do cherry-picking, com a seleção de informações que reforçam uma visão negativa do governo federal, somada a acusações sobre gastos e corrupção. A estratégia pode explorar o viés de confirmação, fazendo com que pessoas que já têm uma opinião crítica sobre o governo aceitem a narrativa com maior facilidade.
Fontes que consultamos: Foram consultadas a reportagem do jornal Valor Econômico citada no post e a entrevista do ministro da Fazenda Dario Durigan à GloboNews. Também entramos em contato com Sachsida, mas não concedeu resposta até a conclusão desta checagem.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova, grupo formado por 42 veículos de imprensa brasileiros para combater a desinformação, monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. O SBT e SBT News fazem parte dessa aliança. Desconfiou da informação recebida? Envie sua denúncia, dúvida ou boato pelo WhatsApp 11 97045-4984.
Investigação e verificação:SBT News, GZH e Programa de Residência do Comprova participaram desta investigação. A revisão das informações foi realizada pelos veículos Correio de Carajás, Agência Tatu, Correio Braziliense e Programa de Residência do Comprova.
Governo não vai acabar com aumento de aposentadorias do INSSAlegação foi feita por Adolfo Sachsida, coordenador do plano econômico de Flávio Bolsonaro (PL); ele tirou de contexto reportagem do Valor EconômicoPolítica2026-09-03T14:25:36.458ZUm vídeo do ex-ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, no Instagram, repercutiu nas redes sociais ao afirmar que o governo federal não aumentaria o salário dos aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mesmo após aumentar o salário mínimo. No post, Sachsida, que é atual coordenador do plano econômico da campanha presidencial do candidato Flávio Bolsonaro (PL), cita uma reportagem do , veiculada em 24 de agosto deste ano, como fonte principal para a alegação. Sachsida faz uma interpretação equivocada do conteúdo publicado na reportagem, que não afirma que o governo federal deixaria de reajustar o salário de aposentados e pensionistas do INSS quando o salário mínimo aumentar, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito. Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova Adolfo Sachsida foi ministro de Minas e Energia em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, ele é economista, advogado e atual coordenador da equipe econômica de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República nas eleições deste ano. Com 123 mil seguidores no Instagram, Sachsida divulgou o vídeo em que fala sobre o aumento do salário mínimo e aposentadoria no mesmo dia em que a reportagem do Valor Econômico foi publicada. Até a conclusão desta verificação, a publicação do ex-ministro já contava com cerca de 350 mil visualizações. O Comprova entrou em contato com Sachsida, mas até o momento da publicação não obteve resposta. Qual a alegação do post investigado e quais são as suas fontes No post, Sachsida alega que o governo federal estaria estudando desvincular o salário mínimo da aposentadoria. A reportagem citada por ele afirma que “técnicos fizeram simulações de cenários que preservariam ganhos acima da inflação” para aposentados e pensionistas do INSS, e também para trabalhadores da ativa, só que “em ritmos distintos”. O jornal também diz que integrantes da atual equipe econômica do governo federal seriam “favoráveis à discussão”, em “um eventual novo governo”. Porém, a reportagem informa que nenhuma decisão foi tomada e, caso seja, dependerá também do crivo do presidente para implementação. No material do Valor Econômico, também é afirmado que, entre “membros da equipe econômica do governo”, existe uma interpretação de que o “atual cenário favorável do mercado de trabalho abre espaço para manter a valorização do salário mínimo para os trabalhadores da ativa, inclusive com a regra atual, que permite ganho real de até 2,5% ao ano”. Já para aposentadorias e benefícios assistenciais vinculados ao salário mínimo, “poderia ser adotado um ritmo menor que os 2,5%, mas ainda acima da inflação”. Ou seja, com o aumento do salário mínimo, também aumentaria o salário do aposentado, mas com um reajuste menor que os salários dos trabalhadores ativos. Após a repercussão do vídeo de Sachsida, o próprio Ministro da Fazenda, Dario Durigan, . “Não discutimos e não está colocada a desvinculação do salário mínimo dos benefícios, tanto previdenciários quanto alguns sociais”, disse. Portanto, as regras vigentes de valorização integral e reajuste de trabalhadores, aposentados e pensionistas do INSS continuam mantidas. Outra alegação citada por Sachsida no vídeo e analisada pelo Comprova é a de que o governo Lula teria investido mais de R$ 278 bilhões com o objetivo de alcançar a reeleição. O ex-ministro diz que a informação consta em um jornal, mas não aponta qual o veículo. Apesar de não mencioná-lo, o Comprova identificou que o , ferramenta inédita do jornal Estadão que acompanha e atualiza os desembolsos do governo federal em ano eleitoral, informa que, na verdade, o governo Lula já investiu R$ 277,3 bilhões em 2026. A maior parte do gasto se refere a programas de crédito e subsídios para setores da economia. Além disso, Sachsida recomenda no final de sua publicação que o corte de gastos públicos deveria iniciar com o enxugamento de 39 para 25 pastas ministeriais. Na realidade, o governo federal conta atualmente com 38 ministérios na administração pública direta, não 39. Por que as pessoas podem ter acreditado O conteúdo combina uma fonte reconhecida, o jornal Valor Econômico, com uma afirmação apresentada de forma simples e direta. A mensagem transforma um debate complexo sobre o reajuste do salário mínimo em uma conclusão aparentemente objetiva, sem apresentar todas as informações necessárias para sua compreensão. Além disso, o vídeo apresenta uma estratégia de apelo à emoção e alarmismo, ao relacionar a suposta medida do governo federal às dificuldades enfrentadas por aposentados no Brasil, como a compra de medicamentos. Esse recurso pode provocar medo e indignação, levando o público a reagir antes de verificar se a informação está correta. Também aparece a tática do cherry-picking, com a seleção de informações que reforçam uma visão negativa do governo federal, somada a acusações sobre gastos e corrupção. A estratégia pode explorar o viés de confirmação, fazendo com que pessoas que já têm uma opinião crítica sobre o governo aceitem a narrativa com maior facilidade. Fontes que consultamos: Foram consultadas a reportagem do jornal Valor Econômico citada no post e a entrevista do ministro da Fazenda Dario Durigan à GloboNews. Também entramos em contato com Sachsida, mas não concedeu resposta até a conclusão desta checagem. Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova, grupo formado por 42 veículos de imprensa brasileiros para combater a desinformação, monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. O SBT e SBT News fazem parte dessa aliança. Desconfiou da informação recebida? Envie sua denúncia, dúvida ou boato pelo Investigação e verificação: SBT News, GZH e Programa de Residência do Comprova participaram desta investigação. A revisão das informações foi realizada pelos veículos Correio de Carajás, Agência Tatu, Correio Braziliense e Programa de Residência do Comprova. Outras checagens sobre o tema: O Comprova já produziu verificações sobre a , assim como as . Também foram realizados trabalhos específicos sobre e a discussão do . São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/governo-nao-vai-acabar-com-aumento-de-aposentadorias-do-inss