Em meio a pressão dos EUA sobre facções, Lula fala com Petro e Sheinbaum
Colômbia e México já tiveram cartéis classificados como terroristas; Planalto diz que tema não entrou nas conversas

Hariane Bittencourt
O presidente Lula (PT) conversou por telefone, nesta quarta-feira (11), com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Nesta semana, o petista já havia conversado com a presidente do México, Claudia Sheinbaum.
Colômbia e México já passaram por situações como o que o Brasil vive agora, diante de uma possível decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
No ano passado, a Colômbia viu o Clan del Golfo, um cartel de drogas paramilitar, ser classificado pelos americanos como organização terrorista. No caso do México, também no ano passado, a classificação alcançou cartéis como Sinaloa e Jalisco Nueva Generación.
A ligação, na manhã desta quarta, partiu do presidente colombiano. Integrantes do governo brasileiro alegam que a relação com a Casa Branca ou combate ao crime organizado não foram tema da conversa.
Durante o contato, segundo o Palácio do Planalto, Petro convidou o presidente brasileiro para a Cúpula da CELAC, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que será em 21 de março em Bogotá, na Colômbia.
Ainda sem data confirmada para a reunião com Donald Trump na Casa Branca, antes esperada para a segunda quinzena de março, Lula sinalizou a intenção de participar do encontro.
O presidente da Colômbia também afirmou que participará da quarta edição do evento "Em Defesa da Democracia", agendado para 18 de abril em Barcelona, na Espanha. O petista já confirmou presença na reunião.
Na segunda-feira, após conversa com a presidente do México, o Palácio do Planalto também não citou o combate ao crime organizado. Oficialmente, Lula e Sheinbaum trataram do "fortalecimento das relações econômicas entre os dois países" e "expressaram interesse em aprofundar a relação bilateral na área de energia".
PCC e CV como terroristas
Em meio a rumores de uma possível classificação de facções criminosas em atividade no Brasil como grupos terroristas, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou ontem (10) que o governo dos Estados Unidos não antecipa possíveis designações de terrorismo nem comenta discussões internas sobre o tema.
O movimento, encabeçado pelo Departamento de Estado, é visto com preocupação pelo Brasil, já que a medida poderia significar possíveis interferências externas e pressões internacionais.
No domingo (8), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, discutiu o assunto com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
"Os Estados Unidos veem as organizações criminosas do Brasil, incluindo o PCC e o CV, como ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional", afirmou o porta-voz em nota oficial.









