Política

Eduardo Leite chama indicação de Flávio Bolsonaro de "projeto familiar" e não descarta disputa ao Senado

Governador do RS diz que pré-candidatura do filho de Bolsonaro à Presidência reforça a polarização e afirma que o PSD busca uma alternativa de centro em 2026

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Vicklin Moraes
22/01/2026, 18:25 • Atualizado em 22/01/2026, 18:26
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Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul | Agência Brasil

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul | Agência Brasil

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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou nesta quinta-feira (22) que não descarta disputar uma vaga no Senado, mas reforçou que seu foco principal é a construção de uma candidatura nacional capaz de romper com a polarização política no país. Em entrevista ao SBT News, Leite criticou duramente a possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ser o candidato da direita à Presidência, classificando a articulação como um "projeto familiar", e não político.

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Segundo o governador, o atual cenário eleitoral segue dominado pela lógica da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o bolsonarismo, o que, na sua avaliação, impede o debate de soluções concretas para os problemas do país. "Há muita energia na destruição do adversário e pouca na construção de propostas", afirmou.

Ao comentar o campo da direita, Leite avaliou que uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teria capacidade maior de diálogo com o centro. Ainda assim, ponderou que o bolsonarismo, como movimento político, dificulta qualquer construção baseada em consensos e respeito institucional.

"Quando o ex-presidente indica o próprio filho como candidato, fica evidente que não se trata de um projeto de país, mas de um projeto pessoal e familiar", afirmou.

Leite disse ser crítico tanto ao Partido dos Trabalhadores (PT), pela condução da política econômica e da máquina pública, quanto ao bolsonarismo, que, segundo ele, promove ataques às instituições e adota um conservadorismo que hostiliza minorias e a diversidade. Essa postura, afirmou, o coloca como alvo de críticas dos dois lados do espectro político.

Apesar disso, o governador sustenta que há espaço para uma candidatura alternativa. "Pesquisas que medem o humor do eleitor indicam um apetite por algo novo, ainda que a população não conheça esses nomes", disse. Para Leite, a tendência de o eleitor escolher Lula ou um nome ligado a Bolsonaro se deve mais à familiaridade com esses candidatos do que à convicção.

Dentro do Partido Social Democrático (PSD), Leite afirmou estar à disposição para liderar um projeto nacional de "despolarização". Ele citou também o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como outro nome do partido, e disse que a definição será fruto de diálogo interno com o presidente da legenda, Gilberto Kassab.

Questionado sobre seu futuro político, Leite não descartou disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul, mas condicionou essa decisão ao cenário nacional e à sucessão estadual. Ele destacou como prioridade garantir a continuidade do projeto político no estado, citando avanços na recuperação fiscal e na redução dos índices de criminalidade.

O governador afirmou ainda que, nas eleições de 2022, optou por não apoiar nem Lula nem Jair Bolsonaro justamente por discordar da forma como ambos conduzem a política e o Estado. "A eleição precisa ser um voto de esperança e não um voto movido pelo ódio ou pela rejeição ao outro", disse.

Para Leite, a polarização interessa diretamente aos dois polos, que se beneficiam da alta rejeição mútua. "Uma candidatura nova, sem esse passivo, é o cenário mais difícil tanto para Lula quanto para o bolsonarismo", concluiu.

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